SILVIO OSIAS
Um grande brasileiro!
Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026.
Publicado em 23/09/2026 às 7:22

Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026. Com pneumonia, o jornalista e escritor estava em casa, no Rio de Janeiro. Tinha 95 anos.
Zuenir Ventura dedicou ao jornalismo sete décadas de sua longa vida. Na Academia Brasileira de Letras, ocupava a cadeira que pertenceu a Ariano Suassuna.
Colegas de redação que se transformaram em amigos não contiveram a emoção ao destacar as qualidades de Zuenir Ventura, o profissional e o ser humano.
Zuenir foi editor, chefiou equipes, mas nunca largou o repórter que havia nele. Ir atrás, apurar, testemunhar, converter em texto - nisso, talvez, fizesse o seu melhor.
Zuenir Ventura começou a fazer jornalismo no Brasil de JK. Zuenir Ventura começou a fazer jornalismo no mundo da Guerra Fria, antes da corrida espacial.
Zuenir está indo embora num Brasil em que a extrema direita ameaça a democracia. E num mundo em que Donald Trump é presidente dos Estados Unidos.
Zuenir foi testemunha da turbulência de sete décadas. E transformou em palavra escrita o que enxergou com seus olhos carregados de forte sentimento de humanidade.
Zuenir Ventura era mais do que um grande jornalista pela qualidade do que escrevia. Ele acolhia, abria espaço, ensinava - era, assim, um verdadeiro mestre.
É o que asseguram os que foram comandados por ele, mas, muito mais do que isso, tiveram a sorte e a alegria de tê-lo como um extraordinário professor.
Contam que ele fazia isso com gentileza e doçura, ainda que com firmeza. E tão naturalmente que parecia não ter a dimensão do papel formador que exercia.
Isso que Zuenir fazia com os que chegavam à redação era, certamente, uma virtude que ostentava. Mas talvez fosse também um traço de um tempo que passou.
Zuenir Ventura defendia as ideias mais generosas do tempo em que viveu. E, em seu ofício, atuou para convertê-las em conteúdo jornalístico e literário.
Seu talento literário está nos livros que publicou. No retrato do Rio de Janeiro que ele tirou em Cidade Partida. Ou no memorialismo de Sagrada Família.
Seu livro mais popular é 1968: O ano que não terminou. Zuenir tinha 37 anos em 1968. 20 anos depois, fez jornalismo e literatura do que guardara na memória.
1968: O ano que não terminou serviu de base para Anos Rebeldes, a série da Globo. Junta-se a outros livros que reconstroem um tempo convulsionado.
Zuenir Ventura teve uma vida longa. Está nos deixando aos 95 anos. Deixa um legado. Sua morte provoca tristeza porque as mortes costumam ser tristes.
Mas a despedida de Zuenir Ventura é também um momento de celebração. Celebração por um gigante do jornalismo. Celebração pelo grande brasileiro que ele foi.

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