MERCADO EM MOVIMENTO
Alta do combustível derruba voos na Paraíba e reduz oferta de assentos
Estado registra queda de 8,9% nas operações previstas para maio, em meio a novos aumentos do querosene de aviação
Publicado em 21/04/2026 às 9:42

O aumento no preço do querosene de aviação já começa a afetar diretamente quem depende de voos na Paraíba. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o estado teve uma redução de 8,9% no número de operações previstas para maio, acompanhando um movimento nacional de cortes promovido pelas companhias aéreas.
Ao todo, mais de 2 mil voos foram suspensos no Brasil para o mês, o que representa uma queda de 2,9% na oferta total. Pode parecer um número modesto, mas, na prática, significa cerca de 10 mil assentos a menos por dia disponíveis aos passageiros.
Na Paraíba, assim como em outros estados, o ajuste tem atingido principalmente rotas menos rentáveis. Linhas mais concorridas, como os grandes eixos entre capitais do Sudeste, a exemplo de São Paulo-Rio e São Paulo-Brasília seguem praticamente preservadas porque, claro, independente do custo da operação, ainda não faltam passageiros para estes destinos e o fluxo é intenso, além das rotas serem mais curtas.
Os destinos mais afetados
Até aqui, os estados com previsão de maiores cortes no número de voos no mês de maio são:
- Amazonas: -17,5%
- Pernambuco (-10,5%)
- Goiás (-9,3%)
- Pará (-9,0%)
- Paraíba (-8,9%)
O principal motivo por trás dos cortes é o aumento expressivo no custo do combustível. Em abril, o querosene de aviação sofreu reajuste de 54%, e há previsão de uma nova alta em maio, que pode chegar a cerca de 20%. Nos bastidores, empresas aéreas classificam o impacto como pesado e admitem que novos cortes podem acontecer, dependendo da evolução dos preços internacionais do petróleo.
Medidas anunciadas pelo governo, como a isenção de PIS/Cofins sobre o combustível e facilitação de pagamento, foram bem recebidas, mas consideradas insuficientes pelo setor. A frustração aumentou quando a Petrobras definiu juros acima do mercado para o parcelamento do reajuste, elevando ainda mais os custos das companhias.
Para o passageiro paraibano, o cenário tende a significar menos opções de voos e, possivelmente, passagens mais caras, aquela combinação que sempre aparece quando o combustível vira protagonista da economia.

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