MERCADO EM MOVIMENTO
O mofo da Paraíba que virou ouro internacional
Queijo "Aventureiro" do Cariri bate italianos e coloca a Paraíba no topo da Expo Queijo Brasil 2026
Publicado em 13/07/2026 às 17:11

São João do Cariri não é só terra de sol forte. É também onde nasce um queijo que calou críticos e acaba de ganhar reconhecimento internacional. O Aventureiro, nome que veio de uma provocação, voltou de Araxá-MG com medalha de ouro na Expo Queijo Brasil 2026, um dos maiores concursos mundiais do setor. Produzido por Renato Brito, da Capril Encanto da Macambira, o queijo é feito com leite de cabra e maturado entre 30 e 40 dias. Durante o processo, desenvolve naturalmente uma coloração azulada na superfície, o chamado "mofo azul", resultado direto das condições climáticas do Cariri, da alimentação dos animais e do método artesanal de produção.

A história por trás do nome
O Aventureiro não nasceu por acaso. Em 2024, durante outro concurso, um participante chamou os queijeiros paraibanos de "aventureiros", gente que não sabia fazer queijo. Renato respondeu à altura: fez um queijo, deu esse nome e prometeu que ele ganharia ouro. Cumpriu. Antes do ouro em Araxá, o queijo já havia conquistado medalha de prata em São Paulo.
O produtor divide os holofotes com outro nome da Paraíba: o Laticínio Ilpla, da cidade de Belém-PB, que faturou medalha de prata em duas categorias importantes: Queijo de Manteiga e Ricota, reforçando que a qualidade paraibana não é acaso.

Onda de reconhecimento
A premiação não é isolada. No ano passado, o Encanto da Macambira ganhou o ouro, também na Expo Queijo Brasil, pelo seu queijo Boursin, feito de leite de cabra com coagulação enzimática; e foi medalha de Bronze com o Queijo do Reino, aromatizado de leite pasteurizado. Nos últimos anos, queijos do estado vêm acumulando medalhas em competições especializadas. Isso abre mercado, atrai turismo gastronômico e estimula investimentos em certificação e inovação na cadeia leiteira.
A Paraíba tem a maior produção de leite de cabra do Nordeste. E a caprinocultura do estado, antes tratada como produção de fundo de quintal, hoje ganha medalhas no cenário mundial. O "mofo azul" do Cariri virou selo de distinção. E a velha provocação virou case de superação, com nome, endereço e gosto de vitória.

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