MERCADO EM MOVIMENTO
Paraíba: PIB em alta, caixa robusto e a desigualdade ainda maior
Enquanto alguns setores disparam, estado mantém pobreza elevada e informalidade acima da média
Publicado em 23/02/2026 às 19:48

A Paraíba encerrou 2025 em posição de destaque nacional na gestão fiscal e no ritmo de crescimento econômico. Segundo dados do Tesouro Nacional, o estado registrou R$ 4,054 bilhões em disponibilidade de caixa líquida, o 3º maior volume do país, atrás apenas de Paraná (R$ 10,5 bi) e São Paulo (R$ 5,9 bi). O desempenho deixou a Paraíba à frente de unidades como Santa Catarina (R$ 3,8 bi), Amapá (R$ 3,6 bi) e Goiás (R$ 3,4 bi), enquanto estados como Minas Gerais e Rio Grande do Norte registraram fortes saldos negativos.
Veja a lista completa:
PR: R$ 10,5 bi
SP: R$ 5,9 bi
PB: R$ 4,05 bi
SC: R$ 3,8 bi
AP: 3,68 bi
GO: R$ 3,46 bi
RJ: 2,15 bi
SE: R$ 2,1 bi
CE: R$ 1,65
MT: R$ 1,63 bi
PA: R$ 1,28 bi
ES: R$ 1,26 bi
PE: 1,02 bi
BA: R$ 856,7 mi
AM: R$ 676 mi
MA: R$ 655,6 mi
RO: R$ 639,6 mi
MS: R$ 467,6 mi
RR: R$ 390,4 mi
PI: R$ 137,8 mi
AC: - R$ 280,7 mi
TO: - R$ 288,4 mi
RS: - R$ 765,5 mi
DF: - R$ 876,6 mi
AL: - R$ 926,2 mi
RN: - R$ 3.001,5 bi
MG: - R$11.303,4 bi
O cenário fiscal robusto se soma ao ritmo acelerado de expansão econômica que marca os últimos anos. De acordo com a Resenha Regional do Banco do Brasil, a Paraíba deve crescer 3,5% em 2026, superando a média do Nordeste (2,2%) e do Brasil (2%). O estado aparece como o 6º que mais vai avançar no país, mantendo uma sequência de resultados acima da média: 6,6% em 2024 (maior crescimento do Brasil) e 5,5% em 2025. A força desse movimento vem de dois pilares centrais: construção civil e serviços. Para 2026, o setor de serviços deve avançar 3,7%, reforçando seu peso na estrutura econômica, enquanto o agronegócio deve crescer 2,7%, contrastando com a estagnação prevista para o Nordeste (0%). A indústria, por sua vez, mantém trajetória positiva, com projeção de 2,3%.
Euforia que pede cautela
Apesar do conjunto de indicadores que coloca a Paraíba entre os estados mais dinâmicos do país, há vozes que pedem cautela. O economista paraibano Erik Figueiredo, diretor executivo do Instituto Mauro Borges (IMB), argumenta que a euforia em torno do caixa e do PIB pode esconder um cenário menos favorável para a população. Segundo ele, “o governo da Paraíba vem comemorando o caixa do estado, sem atentar para os números que deveriam estar na pauta do debate estadual. A participação do Produto Interno Bruto da Paraíba no PIB nacional é inferior a 1% e esse número se mantém estagnado nas últimas décadas. A indústria do estado vem perdendo participação nacional e hoje o valor adicionado da indústria da Paraíba representa 0,28% do valor da indústria nacional”.

Figueiredo lembra que a Paraíba enfrenta graves desafios sociais: alta desigualdade de renda, informalidade acima de 50% e uma parcela expressiva de mais da metade da população abaixo da linha de pobreza. Na avaliação do diretor do IMB, enquanto a economia cresce, a riqueza chega para poucos. Estamos falando, segundo os especialistas, de um estado que ainda depende fortemente de transferências federais, principalmente aos municípios menores. O alerta é direto: os bons números macroeconômicos não se traduzem automaticamente em bem-estar social, e a Paraíba precisa avançar muito mais no mercado de trabalho, na educação e na redução das desigualdades. É claro que as conquistas devem ser comemoradas. Elas são fruto dos esforços dos setores econômicos, da força do trabalhador e da atuação dos entes públicos. Isso, porém, deve ser encarado não como algo pronto, mas como parte positiva de um caminho árduo que ainda precisa provocar transformações sociais reais e decisivas em todas as regiões do estado.

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