ECONOMIA
Serviços 24h encolhem na Grande João Pessoa
Apesar da expansão do turismo, abertura de serviços gastronômicos ainda é desafio para setor
Publicado em 04/01/2015 às 8:00 | Atualizado em 01/03/2024 às 12:46
Grande parte dos turistas chega em João Pessoa no período da madrugada, mas, apesar da expansão do setor, os "serviços 24 horas" comerciais encolheram nos últimos anos na cidade. Segundo a assessoria de imprensa do Aeroporto Castro Pinto, dos 19 voos regulares que acontecem diariamente, quase metade (nove) são operados apenas na madrugada. No período da alta estação, o número de voos extras cresce até 50%.
Na época de maior movimentação turística do ano, porém, esse número coincide com a falta de opções no mercado gastronômico e varejista na capital, após meia-noite.
Segundo o analista de varejo do Sebrae da Paraíba, Fábio Jorge, a falta de opções não é característica exclusiva de João Pessoa, mas o aumento do turismo poderia abrir possibilidade de elevação de oferta, principalmente na alta temporada. “É preciso fazer pesquisas com os próprios turistas para avaliar a necessidade de ampliar o horário. É questão de entender o mercado e quais são os motivos que fazem não vingar essa abertura maior, ou seja, verificar se sua atividade pode ficar aberta de madrugada e ver se a sociedade a aceita”, argumenta.
O presidente interino da Associação de Bares e Restaurantes da Paraíba (Abrasel), Paulo Amaral, pontua a pouca demanda pelos serviços gastronômicos como a principal causa para o setor não dispor de estabelecimentos 24h na capital. "Só há oferta, ou seja, um negócio aberto dessa maneira, quando se tem uma demanda. Isso é uma questão de mercado e aqui não vemos isso", esclarece. Ele frisa que a segurança representa um insumo dispendioso, que afetaria a lucratividade. Conforme Paulo, a soma de todos os restaurantes e bares associados à Abrasel em João Pessoa configura uma espécie de serviço contínuo na cidade, que iria das 10h às 2h. Em João Pessoa, Paulo não observa, em curto prazo, um serviço gastronômico que mantenha as portas abertas por 24h, mesmo no período de veraneio.
Quanto ao varejo de alimentação, o presidente da Associação de Supermercados da Paraíba (ASPB), Cícero Bernardo, credita também a falta de procura de consumidores na Grande João Pessoa como fator preponderante para não ver unidades do setor aberto continuamente. “A demanda não cobre o custo de estar aberto por tanto tempo. O custo é muito alto e a procura é pequena na cidade. A venda não cobriria o custo, também”, reforça.
ÚNICO 24H
Na capital, atualmente, existe um único minimercado que opera 24h. O mercadinho se chama Stop Center, no bairro do Cabo Branco. O dono do estabelecimento, Édson Marcones, contou que não “tem obstáculos” para manter o negócio aberto.
O único supermercado que funcionava continuamente em João Pessoa, o Pão de Açúcar no Retão de Manaíra, fechou devido a um incêndio em julho do ano passado. Segundo a assessoria do Grupo, as reformas começarão em dezembro, com previsão para conclusão em março de 2015. Entretanto, não foi confirmado se reabre com funcionamento 24h como anteriormente.
Para a presidente da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), Ruth Avelino, a falta de serviços não incomoda os turistas que chegam à cidade. Ela acredita que o comércio de bares, restaurantes e supermercados caíram quanto ao funcionamento na madrugada, mas afirma que turistas não reclamam da falta de opções. “Essa ligação do turismo com a falta desse tipo de comércio não influencia muito. Se influenciar, é um número ínfimo de turistas que reclamam”, acredita.

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