Reitor da UFPB lamenta que aluno ‘tenha passado no curso de direito’ durante protesto de estudantes

Estudantes se manifestam a favor do retorno presencial das aulas e de outras medidas de prevenção à Covid-19.

Reitor Valdiney Gouveia discute com estudante em manifestação na UFPB – Foto: Beatriz Firmino/Reprodução/Arquivo Pessoal

Estudantes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, fizeram um protesto no campus sede da instituição exigindo a volta das aulas presenciais com a inclusão de protocolos sanitários de prevenção contra a disseminação da Covid-19, principalmente o passaporte da vacina. Em discussão com um aluno, o reitor Valdiney Gouveia disparou: “é lamentável que você tenha passado para o curso de direito”.

A fala do reitor foi gravada em um vídeo, no qual ele ainda discute com outros manifestantes, em frente à Reitoria. A manifestação aconteceu no início da manhã desta quinta-feira (10), contou com um grupo de, em média, 100 estudantes e foi encerrada por volta das 12h.

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O reitor disse que fez as declarações ao aluno após ser agredido verbalmente por ele. “Ele foi extremamente agressivo ao ponto de pedir para que ele baixasse o tom de voz. Ele disse ‘o senhor é um interventor e está aqui ilegalmente’”. Depois disso, Valdiney perguntou qual o curso do aluno e prosseguiu com a represália. “Há uma decisão do STF [que ampara a legalidade da reitoria]. Imagina se nós formamos operadores de direito que agem em razão dos seus interesses pessoais, de partidos e de movimentos que represente. A fala só foi no sentido de dizer que ele quer passar por cima do STF”.

Desde que foi conduzido à Reitoria, no fim de 2020, Valdiney é alvo de protestos da comunidade acadêmica. Isso porque a chapa em que estava Valdiney ficou em terceiro lugar na lista tríplice, sendo a menos votada na consulta pública. Ele foi nomeado reitor por Jair Bolsonaro.

Quando fala do STF, o reitor se refere a quando o Supremo definiu que o presidente Jair Bolsonaro não é obrigado a nomear, como reitores das universidades e institutos federais, o primeiro nome da lista tríplice feita nas instituições.

Protesto dos estudantes

A estudante Olga Sorrentino Martins, do curso de dança da UFPB, comentou que os alunos da instituição têm sido prejudicados pela indecisão da universidade e que os alunos de outros municípios acabam sendo os mais afetados.

“A gente tem sido muito prejudicado com essa falta de decisão, porque faltam somente 11 dias para começarem as aulas e a gente não sabe ainda como vai ser esse período. Vários estudantes de outras cidades já estão se mudando ou já se mudaram e estão numa incerteza sem saber se as aulas vão ser presenciais ou remotas”, explicou Olga.

Estudantes se manifestam em frente à reitoria da UFPB – Foto: Beatriz Firmino/Arquivo Pessoal
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Os alunos solicitam que o passaporte vacinal seja obrigatório e haja a distribuição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras N95 ou PFF2, assim como também a entrega de álcool gel.

À TV Cabo Branco, o reitor Valdiney Gouveia informou que, para a volta às aulas, foi adotada aferição de temperatura, uso obrigatório de máscara e distanciamento social.

“Cada um tem a sua responsabilidade. Além da universidade fazer as orientações, cada um tem que ter a sua responsabilidade. A recomendação é de que se vacine. Nós temos hoje uma comunidade vacinada, a partir dos 16 anos contemplada pelo plano de vacinação. A princípio, 100% da comunidade acadêmica vacinada, basta querer, as vacinas estão à disposição”, disse.

Definição sobre retorno das aulas presenciais foi adiada

Na semana passada, a pró-reitoria de graduação da UFPB definiu que iria discutir com o Conselho Universitário o retorno das aulas devido ao aumento de casos de Covid-19 no Estado, e as aulas retornariam apenas de forma remota.

Na UFPB, o Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) iria definir uma data para retorno das aulas presenciais nesta quinta-feira (10), mas a reunião foi adiada. A Universidade não informou uma data para a reunião.

‘Passaporte da vacina’ é obrigatório na rede estadual

O governo do estado resolveu acatar a recomendação dos Ministério Público Federal, Estadual e do Trabalho e deverão exigir o ‘passaporte da vacina’ contra Covid-19 de alunos da rede pública da Paraíba. As orientações foram oficializadas pelo Conselho Estadual de Educação em uma resolução publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (10).

A resolução também delibera sobre o retorno progressivo das aulas presenciais na Rede Estadual de Ensino, “a depender do quadro pandêmico e das condições sanitárias e de cobertura vacinal da Paraíba, especialmente dos profissionais da educação e demais integrantes da comunidade escolar, incluindo as crianças de 5 a 11 anos”. Ou seja, inicialmente será mantido o ensino híbrido, até para assegurar o acesso às aulas de quem ainda não esteja vacinado.

O Conselho recomendou, ainda, que toda comunidade escolar, incluindo gestores, profissionais da educação e servidores, se envolvam na missão educativa de conscientização cidadã em favor da campanha de vacinação contra o coronavírus de todas as crianças de 5 a 11 anos.

A portaria detalha que, por recomendação do MP, o descumprimento da imunização deve ensejar na notificação aos órgãos competentes, em especial ao Conselho Tutelar. Destaca-se que a não vacinação não pode resultar na negativa à matrícula. O estudante não vacinado deverá assistir aula de forma remota.