EDUCAÇÃO
Enem: faculdade, curso técnico ou mercado de trabalho? Veja como escolher
Psicopedagoga Diane Figueirêdo orienta estudantes a considerar interesses pessoais, condições financeiras e oportunidades profissionais
Publicado em 12/10/2026 às 15:21

Ao concluir o ensino médio, muitos jovens ficam em dúvida entre ingressar na faculdade, fazer um curso técnico ou começar a trabalhar.
Em entrevista ao Jornal da Paraíba, a psicopedagoga Diane Figueirêdo destaca que a escolha deve considerar os interesses, as habilidades e a realidade de cada estudante.
Faculdade ou curso técnico: o que considerar?
A escolha entre uma graduação e um curso técnico deve levar em conta fatores como tempo de formação, custos, oportunidades de emprego e possibilidades de crescimento profissional. No entanto, esses aspectos não devem ser os únicos critérios, segundo a psicopedagoga.
O curso técnico pode facilitar uma entrada mais rápida no mercado de trabalho, enquanto a universidade oferece uma formação acadêmica mais aprofundada em determinada área. A decisão depende dos objetivos do estudante e das características da profissão que pretende seguir.
Para Diane, conhecer a realidade das carreiras é uma etapa importante desse processo. Pesquisar a rotina dos profissionais, as áreas de atuação e as possibilidades de emprego ajuda a evitar escolhas baseadas apenas em expectativas externas ou em uma visão idealizada de determinada profissão.
A pressão para entrar na faculdade
A expectativa de ingressar na universidade logo após o ensino médio ainda faz parte da realidade de muitos jovens. A sequência entre concluir a escola, fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e entrar na faculdade pode ser encarada como uma obrigação, mesmo quando o estudante ainda não tem certeza sobre o que deseja fazer.
De acordo com Diane Figueirêdo, o problema surge quando a escolha deixa de representar um projeto pessoal e passa a atender exclusivamente às expectativas da família.
“Os pais precisam orientar sem decidir pelo filho. É importante ouvir seus desejos, reconhecer suas habilidades e conversar sobre as possibilidades de cada profissão”, explicou.
A psicopedagoga ressalta que a família deve oferecer apoio e segurança durante o processo, sem transformar a decisão em mais uma fonte de cobrança. Ter dúvidas sobre o futuro profissional não significa falta de capacidade ou de planejamento, mas pode indicar a necessidade de conhecer melhor as opções disponíveis.
Como conciliar trabalho e estudos?

Para os jovens que precisam começar a trabalhar depois de concluir a escola, a possibilidade de continuar estudando depende também das condições financeiras e da organização da rotina.
Segundo Diane, é necessário reconhecer que nem todos podem se dedicar exclusivamente à preparação para o Enem ou à formação profissional. Nesses casos, conciliar trabalho e estudo exige planejamento, definição de prioridades e equilíbrio entre as atividades.
A especialista também alerta para a importância de reservar momentos de descanso. Uma rotina excessivamente sobrecarregada pode prejudicar a concentração e a aprendizagem.
Por isso, o planejamento precisa considerar não apenas as metas profissionais, mas também o tempo disponível e as condições reais para alcançá-las.
Como descobrir a área profissional?
Quando ainda não existe uma profissão definida, o estudante pode começar observando os assuntos que despertam sua curiosidade, as atividades de que gosta e as situações em que sente vontade de aprender mais.
Conversar com profissionais, pesquisar diferentes carreiras e conhecer cursos são outras formas de ampliar as possibilidades antes de tomar uma decisão.
Diane também destaca a importância de reconhecer as habilidades e dificuldades de cada estudante sem transformar obstáculos de aprendizagem em limites para o futuro.
Uma dificuldade em determinada atividade, por exemplo, não significa que o jovem seja incapaz de desenvolver aquela habilidade. O autoconhecimento deve considerar tanto os pontos fortes quanto as competências que ainda podem ser aprimoradas.
Medo de escolher a profissão errada
A insegurança diante da escolha profissional pode aumentar quando o jovem acredita que precisa encontrar uma carreira perfeita e que qualquer decisão equivocada comprometerá todo o seu futuro.
Para a psicopedagoga, essa visão pode tornar o processo mais angustiante e dificultar a tomada de decisão. Em uma fase de descobertas pessoais, a cobrança por uma resposta definitiva pode gerar uma responsabilidade excessiva.
A orientação profissional e a busca por informações confiáveis podem ajudar a reduzir as dúvidas e tornar a escolha mais consciente.

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