Entre Linhas

Décio Freire: a triste despedida de um amigo

Coordenador geral de esportes da Rede Paraíba de Comunicação, Expedito Madruga rende homenagens a seu amigo, o narrador Décio Freire, que morreu na madrugada desta sexta-feira, enquanto lutava contra um câncer.

Foto: Acervo pessoal / Expedito Madruga

“Meu amigo,

A gente não tinha combinado fazer juntos a Série B?

Não entendo e não aceito a tua partida. Tínhamos planos, íamos narrar juntos o acesso, a tua voz iria brindar o Brasil novamente na SporTV ecoando o gol do Botafogo-PB.

Não, Décio! Só mesmo os desígnios de Deus para justificar a tua ausência em tempos tão difíceis. Certamente Ele precisava de você lá em cima. Só pode ser isso. Porque a tua voz era esperança de dias melhores, era conforto, era a fé que a gente precisava para acreditar que a coisa ia (e vai) melhorar!

Você era como um irmão mais velho. Quantas conversas tivemos. Horas a fio, falando sobre qualquer coisa. Futebol, música, lives ou simplesmente sobre aquilo que te empolgava: a qualidade do som.

Aprendi muito com você. O microfone certo, a equalização a voz, a importância do brilho na narração, a fazer o som sair mais limpo. E como você vibrava com isso.

Na tua voz, virei o “comentarista clássico”, o “camisa 10 da CBN”. Ria disso. Achava um exagero. Mas de tanto você falar, a coisa pegou. Sempre vi mais a alcunha como generosidade do que merecimento. É, rapaz, você vai fazer falta!

A CBN, tua casa nos últimos nove anos, não consegue segurar a lágrima. A Rede Paraíba perde uma de suas vozes mais importantes. A imprensa paraibana está de luto. E Conceição perde um dos filhos mais ilustres.

Décio, você está na história, companheiro. Narrou alguns dos principais eventos esportivos da Paraíba. Como esquecer a final da Série D, o “Vai que dá, Aidar!”? Ou o inconfundível “É do Beeeeeelooo!!”?

Você parte no último dia de 2021. É como se quisesse dar um basta nisso tudo que estamos vivendo. Tenho certeza, que se der, vai interceder com o homem aí de cima para que essa agonia acabe logo e que 2022 seja, de fato, o normal que tanto desejamos.

Segura as pontas aí, Décio. Dá uma olhadinha por todos nós. E reencontra os amigos que perdemos recentemente, como Gersal Freire, Gláucio Lima, João de Souza, Ivan Bezerra…

Ah, e quando o acesso vier, tenho certeza que no céu uma estrela estará brilhando mais. Será você, iluminando esse momento que há de ser em tua homenagem.

Um beijo no coração”.