ENTRE LINHAS
Nova Copa do Nordeste projetada pela CBF privilegia grandes clubes e reduz chances de emergentes
Competição visa dar mais peso ao Ranking Nacional de Clubes (RNC) em detrimento dos estaduais. Nova fórmula está em debate e pode estrear em 2028.
Publicado em 24/08/2026 às 14:18
Uma nova Copa do Nordeste está sendo desenhada nos bastidores da CBF. Preocupada com o declínio técnico e o esvaziamento de público nas primeiras fases das últimas edições, a entidade estuda adotar o Ranking Nacional de Clubes (RNC) como o principal critério de classificação para o torneio a partir de 2028, diminuindo drasticamente as vagas destinadas via campeonatos estaduais e limitando o espaço de equipes emergentes.

A mudança tem forte lobby de Pernambuco e da Bahia. O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, defende que apenas os campeões estaduais tenham vaga garantida por direito — o que representaria nove clubes. As outras 11 vagas seriam distribuídas via RNC. Dessa forma, as principais camisas e marcas de massa da região estariam blindadas de eventuais fiascos locais.
Em uma projeção prática com os dados de 2027, as vagas diretas dos campeões iriam para América-RN, Botafogo-PB, Sport, CRB, Fortaleza, Iape, Piauí, Sergipe e Bahia. Completariam o torneio, via ranking da CBF: Vitória, Ceará, Náutico, CSA, ABC, Retrô, Sampaio Corrêa, Floresta, Jacuipense, Maranhão e Ferroviário.
Embora a lista de 2027 ainda dependa do fechamento da temporada, o esboço já antecipa a queda de braço política que se desenha no futebol nordestino.
Com a mudança, três federações perderiam o direito de indicar um segundo representante direto: Paraíba, Piauí e Sergipe. A tendência é que essas entidades ofereçam forte resistência nos bastidores para evitar o enfraquecimento político junto aos seus filiados locais.
Por outro lado, o novo cenário traria poucas caras novas entre os beneficiados pelo ranking, limitando-se a Retrô, Sampaio Corrêa e Floresta — o que, na prática, não alteraria drasticamente o ecossistema atual do torneio, mas protegeria os gigantes.

Ainda assim, presidentes de grandes clubes pressionam por celeridade. Fábio Mota, mandatário do Vitória, argumenta que o Nordestão perde apelo comercial sem os clubes de massa: "Não dá para deixar Santa Cruz, Náutico e Sampaio Corrêa fora da Copa do Nordeste", disparou o dirigente, em tom de alerta.
Apesar da pressão, qualquer alteração só deve vigorar em 2028. Desgastado politicamente, o presidente da CBF, Samir Xaud, evita abrir frentes de atrito com as federações estaduais aliadas e prefere ganhar tempo para costurar um acordo que equilibre o ganho técnico e a governabilidade política.
O fato consensual nos bastidores é que a Copa do Nordeste precisa de uma chacoalhada urgente para recuperar o prestígio técnico e financeiro que a consagrou como a "Lampions League".

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