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Modelo SAF perde ritmo no futebol brasileiro em 2026; veja times que aderiram
Com 117 clubes registrados com SAF até o fim de 2025, adesão ao modelo perde ritmo em 2026.
Publicado em 16/05/2026 às 7:00
Quatro anos depois da criação da Lei da SAF, o futebol brasileiro vive um momento de transição. Se entre 2022 e 2025 o modelo virou febre entre clubes endividados, o ano de 2026 já mostra uma abordagem mais cautelosa das equipes tradicionais das séries A, B e C.
Até o fim de 2025, o Brasil contabilizava 117 clubes registrados oficialmente como Sociedade Anônima do Futebol (SAF), segundo levantamento divulgado pelo portal Migalhas e elaborado por Rodrigo Monteiro de Castro, um dos autores da Lei 14.193/21.

Se nos primeiros anos houve uma corrida de investidores estrangeiros e dos clubes, o cenário indica uma postura mais moderada dos times. Por isso, em 2026, poucos negócios realmente avançaram.
SAF é solução? Modelo perde força em 2026
Alguns exemplos são o Americano, do Rio de Janeiro, que virou SAF em fevereiro, com o futebol passando ao Grupo Boston City e ao ex-atleta Felipe Melo. O Villa Nova, de Minas Gerais, também vendeu 90% da SAF ao Boston City Group.

Outra grande novidade deste ano é o Feira Futebol Clube, que nasceu diretamente como SAF. O clube tem boa presença nas redes sociais e estreou no futebol baiano em 2026.
Já o Joinville ainda negocia a entrada da SAF e simboliza esse novo momento do mercado. O clube iniciou estudos para venda da SAF em março, avaliando uma proposta de investimento de R$ 150 milhões em dez anos.
Quantos times não aderiram ao modelo?
O levantamento realizado pelo Migalhas diz que 38 clubes das três primeiras divisões nacionais ainda não aderiram ao modelo empresarial. Dos 20 clubes da Série A de 2026, 14 ainda permanecem associações civis. Entre eles estão gigantes como Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Grêmio.
São Paulo lidera entre os estados com clubes que ainda não viraram SAF: são 11 equipes. Rio Grande do Sul aparece com cinco, enquanto Santa Catarina tem quatro. No Nordeste, nove clubes seguem fora do modelo, incluindo Sport, Náutico e Vitória.
Resultados esportivos
Se o objetivo principal da SAF era acelerar competitividade e recuperação financeira, os resultados esportivos ainda mostram resultados mistos.

Desde a implementação da lei, os clubes SAF conquistaram apenas um título internacional e três títulos nacionais relevantes:
- Botafogo de Futebol e Regatas: campeão da Série A e da Conmebol Libertadores em 2024;
- Cruzeiro Esporte Clube: campeão da Série B em 2022;
- Coritiba Foot Ball Club: campeão da Série B em 2025.
Ao mesmo tempo, as SAFs também acumularam rebaixamentos importantes. Foram cinco quedas da Série A para a Série B no período:
- América Futebol Clube (2023);
- Coritiba Foot Ball Club (2023);
- Atlético Clube Goianiense (2024);
- Cuiabá Esporte Clube (2024);
- Fortaleza Esporte Clube (2025).
Além disso, apenas três SAFs terminaram a Série A no G-4 desde a criação do modelo:
- Clube Atlético Mineiro em 2023;
- Fortaleza Esporte Clube em 2024;
- Cruzeiro Esporte Clube em 2025.
Na prática, o futebol brasileiro parece entrar em uma segunda fase da era SAF. Se antes o modelo era tratado como solução inevitável para clubes endividados, hoje ja existem questionamentos sobre transparência e dependência de investidores.

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