MEIO AMBIENTE
O que é astroturismo, modalidade que tem lei e atrai pessoas em cidade no Sertão da Paraíba
Maturéia, no Sertão, promulgou lei considerada pioneira para a observação de planetas e astros no céu.
Publicado em 18/01/2026 às 16:01

A fascinação pelas estrelas, planetas e o céu de maneira geral não é algo novo. No decorrer da história da humanidade, o ser humano teve o costume de olhar para o alto e imaginar o que existe no espaço, como uma forma de preencher as lacunas do que não é conhecido e do que não consegue alcançar.
Um dos exemplos dessa fascinação do ser humano é a cidade de Maturéia, no Sertão da Paraíba, que é pioneira na regulamentação de uma lei que dispõe sobre o combate à poluição luminosa para que os amantes da observação do espaço possam observar o céu sem interferências.
O Jornal da Paraíba listou as principais informações para explicar o que é o astroturismo, a categoria que os amantes da observação espacial costumam praticar, e como a lei pioneira impacta na visitação de pessoas no interior do estado.
Um dos pontos em defesa da lei, além da observação espacial, é também a manutenção da fauna de animais próximos aos locais de observação astronômica, que especialistas apontam que com a mudança também ajuda nos animais.
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O que é Astroturismo

Astroturismo, também conhecido como turismo astronômico, é uma modalidade de viagem que tem como foco a observação e apreciação do céu noturno e fenômenos astronômicos, como estrelas, constelações, planetas, chuvas de meteoros e eclipses.
Essas viagens acontecem para regiões onde é mais fácil observar o céu norturno, como o caso de Maturéia.
O presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA) e um dos fundadores do Encontro Paraibano de Astrofotografia (EPA), que teve edição do evento realizada na cidade de Maturéia, Marcelo Zurita, destacou o grau de pioneirismo de uma legislação como essa no Brasil, voltada para uma área pouco conhecida do turismo.
“Essa medida vai proteger o meio ambiente e garantir um ambiente saudável para animais, plantas e também para a população, é um passo pioneiro no Brasil”, disse.
Um dos integrantes da APA, o astronômo Felipe Sérvulo, disse que a medida é importante e tende a influenciar outros municípios a seguirem o mesmo caminho, com objetivo de aumentar a incidência de pessoas que fazem esse tipo de turismo no Brasil.
"É uma lei inédita no Brasil, que incentiva outras cidades, outros municípios, que precisam estar (ligadas) em práticas de iluminação, digamos uma iluminação mais sustentável e que possa ser adequada à saúde, ao turismo e que incentive a prática da astrofotografia", opinou.
A Lei

Uma lei aprovada em 2025 na cidade de Maturéia, no Sertão da Paraíba, para combater a poluição luminosa e fomentar o astroturismo chamou atenção pelo pioneirismo. A medida foi aprovada pela Câmara Municipal e está em vigor desde então.
A poluição luminosa é o excesso ou uso inadequado da luz artificial em ambientes noturnos, que afeta negativamente o meio ambiente, a saúde humana e a observação do céu.
Em Maturéia e também na cidade de Teixeira, onde está localizado o Pico do Jabre, uma das áreas mais propícias para a observação astronômica devido à baixa poluição luminosa da região, é realizado anualmente o Encontro Paraibano de Astrofotografia (EPA), que tem como objetivo capturar imagens do céu com alta qualidade.
Antes da promulgação da lei, a Associação Paraibana de Astronomia (APA) registrou uma série de reclamações sobre o aumento da iluminação artificial no entorno da região do Pico do Jabre. Diante da situação, foram realizadas reuniões entre representantes da entidade e autoridades de Maturéia, incluindo vereadores, presidentes de associações, proprietários rurais, secretários municipais, o prefeito e um representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), para discutir medidas de enfrentamento ao problema.
Ao Jornal da Paraíba, o secretário de turismo de Maturéia, Gustavo Wanderley, disse que apesar da legislação aprovada para fomentar o turismo na cidade, os encontros e o deslocamento de pessoas por conta dessas observações acontecem de maneira mais esporádicas. Ele disse que desde a aprovação da lei considera que essa procura vem crescendo e que um exemplo disso foi uma reunião para colocar Maturéia na rota do turismo.
"Inclusive, tivemos empresas de turismo de Pernambuco e também de João Pessoa, operadoras de turismo, que vieram para cá para vender o nosso destino turístico. E nessa visita eles também vieram com o intuito de conhecer melhor a questão do astroturismo, da astrofotografia, das pessoas tirarem foto, visualizar através de imagem. E vez por outra tem eventos aqui e eles querem explorar mais essa área", explicou o secretário sobre o desenvolvimento do turismo na cidade.
A legislação tem diretrizes para a instalação de luminárias direcionadas, substituição de lâmpadas de LED branco por modelos âmbar e o controle do uso de refletores em áreas sensíveis. A discussão sobre a lei aconteceu em março de 2025.
O secretário informou que a ideia da legislação é realmente atrair os visitantes, criando uma "cadeia turística" no local, mas que isso deve acontecer de maneira sustentada e gradual, e não vai atrair uma quantidade alta de turistas inicialmente, como vem sendo observado desde a promulgação da lei no ano passado.
"A ideia é fazer com que as pessoas venham visitar Maturéia, aproveitando, além do Turismo de aventura, nós também passarmos a ter esse atrativo. A ideia é fomentar o turismo, com pousadas, restaurantes, a partir do momento que conseguirmos atrair os turistas para cá", explicou.
Benefícios para os animais
Outro ponto que a lei passa a interferir é também no bem-estar dos animais na região de Maturéia, no Sertão. Isso porque não somente o astroturismo passa a ser beneficiado, mas também os animais.
Segundo o ICMBio, o excesso de iluminação artificial tem alterado o comportamento de diversas espécies do Parque Nacional da Serra do Teixeira, que abriga o Pico do Jabre. Animais noturnos têm tido seus ciclos de atividade modificados por refletores instalados em áreas rurais e trilhas, gerando desequilíbrios no ecossistema.

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