MEIO AMBIENTE
Turismo sustentável: Pedra do Altar conta história dos povos indígenas da Paraíba
Área, localizada em Barra de Santana, tem quase 500 hectares de Caatinga e abriga também um complexo arqueológico.
Publicado em 29/11/2025 às 12:57

Localizada a aproximadamente 40 km de Campina Grande, a Pedra do Altar, em Barra de Santana, é um dos pontos mais procurados da Paraíba quando o assunto é turismo na natureza. A área de quase 500 hectares de Caatinga abriga também um complexo arqueológico, criado por um grupo de moradores das redondezas, que une preservação ambiental, turismo e história.
Rosevânia Veloso, coordenadora do grupo, relatou que, inicialmente, foi necessário retirar uma grande quantidade de lixo acumulada no local. “O que a gente primeiro precisava fazer era justamente fazer a limpeza do local, porque era muito lixo, a gente tirou aqui um caminhão de lixo”.
Depois da limpeza, o grupo iniciou um trabalho de conscientização sobre a preservação do local que carrega uma parte importante da história dos povos indígenas da Paraíba. Rosevânia conta que, há aproximadamente 50 anos, foram encontrados no local ossos humanos que a população acreditava ser de cangaceiros, pela área ser rota do cangaço, mas, na verdade, após estudos, foi descoberto que se tratava de vestígios dos povos indígenas.
“Com o passar do tempo, dos estudos, a gente percebeu que aqui era um cemitério indígena. Então essas ossadas eram justamente dos indígenas que viviam aqui na região”.

Além dessas ossadas, a Pedra do Altar tem muitas gravuras rupestres feitas pelos primeiros habitantes da Paraíba. O guia turístico Uellington explicou que essas imagens são representações do cotidiano desses povos. “As imagens rupestres têm relação com o que os indígenas faziam na época, o que eles praticavam. Vai ter coroas, pratos e outros símbolos do que eles viviam no dia a dia”.
A Pedra da Noiva, localizada no complexo arqueológico, abriga uma lenda envolvendo um amor impossível, como conta Rosevânia. “Dizem que uma indígena se apaixonou por um filho de um fazendeiro. O pai não queria esse relacionamento, né? E acabou que marcaram a data mesmo contra a vontade do pai dele e, no dia do casório, ele não apareceu. Então ela, inconformada, veio aqui nesse local e cometeu suicídio”.
Preservação e conscientização

Além do conhecimento histórico, o grupo oferece conscientização sobre a preservação ambiental. Antes da criação do complexo, o lixo tomava conta da área. “Até lá no rio a gente encontrava sacos, latinhas de cerveja, garrafas de vidro, garrafas de água, garrafas de refrigerante. Tudo que você imaginar você encontrava até lá no rio”.

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