Cooperativa transforma vida de mulheres em Campina Grande

Projeto trabalha com a produção de alimentos à base de insumos naturais que são vendidos em feirinha.    

De encontros semanais entre um grupo de mulheres para discutir assuntos relacionados à participação feminina na vida em sociedade surgiu a cooperativa “Mulheres em Ação”, que há 16 anos atua no bairro do Catolé, em Campina Grande. Formada por 25 mulheres, a cooperativa trabalha com a produção de alimentos à base de insumos naturais, o que tem ajudado as cooperadas a conquistarem mais independência financeira por meio do empreendedorismo social.

A presidente da cooperativa, Marlene Gomes, de 65 anos, é uma das mais antigas no grupo. Ela se divide entre cuidar da casa e a comercialização da mercadoria produzida. São 15 anos se dedicando ao trabalho para que o empreendimento social cresça cada vez mais. “Nosso projeto é colocar os produtos para serem comercializados nas cidades vizinhas e até fora do Estado, expandir o negócio. A mão de obra não vai faltar, a gente sempre se compromete em produzir tudo”, pontuou.

Além de ajudar as mulheres a aumentarem a renda, o projeto “Mulheres em Ação Cooperativa de Trabalho de Produção de Alimentos Naturais” transforma a vida de quem participa das atividades. As cooperadas se revesam no trabalho de produção e comercialização da mercadoria. Muitas delas vivem em vulnerabilidade social e dependem unicamente de incentivos do Governo Federal como o Bolsa Família.

Atualmente, a mercadoria é produzida em uma pequena cozinha improvisada aos fundos de uma capela no Catolé e comercializada em um box de uma feirinha do bairro. Entre os itens produzidos e vendidos pelas mulheres estão a granola, as cocadas de gergelim e ainda os medicamentos fitoterápicos – feitos com produtos naturais.

Para conseguir tocar o negócio, as mulheres passaram por momentos de muitas dificuldades e conquistas. Em 2012 elas conseguiram um terreno localizado no bairro do Catolé que foi doado pela Prefeitura Municipal de Campina Grande (PMCG). Já em 2013 a cooperativa começou a ser construída, após um incentivo de um programa de apoio da Petrobras. Mas os problemas ainda são muitos. Na obra tem mato crescendo, isso porque ela teve que ser interrompida diversas vezes por falta de recursos.


União por direitos iguais

O projeto de fabricação de alimentos naturais é apenas uma forma concreta de mostrar o trabalho do grupo. A realidade é que o principal sonho de cada uma das mulheres que fazem parte do projeto é garantir direitos básicos que muitas vezes são distanciados de suas vidas. Invés de estarem em casa, apenas cuidando da família, as mulheres buscam algo a mais.

Parte das cooperadas desempenham duplo papel – o de mãe e pai. São as chefes das residências e precisam garantir renda para alimentar seus filhos, situação que as coloca em extrema vulnerabilidade social. Mas essa condição não as fazem desistir dos sonhos. A principal característica do grupo, além da capacidade de articulação, é que todas as conquistas são compartilhadas entre elas. São realizadas reuniões uma vez por mês, nessas ocasiões as cooperadas se divertem, conversam e articulam todos os projetos futuros que estão em mente.

O Centro de Ação Cultural (Centrac) acompanha o trabalho das cooperadas orientando sobre o consumo sustentável e direito das mulheres. Segundo a coordenadora do Programa de Controle Social de Gestão Pública do Centrac, Sônia Marinho, a iniciativa ajuda as mulheres a conquistarem direitos. “contribui para que elas tenham cidadania plena, conheçam e busquem essa cidadania, um direito que as pessoas têm. Essas atividades vão de encontro com a nossa proposta, que é lutar pelos direitos das mulheres”, pontuou.