Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões é um “assalto” aos cofres públicos; veja como os paraibanos votaram

Por LAERTE CERQUEIRA 

Nesta quinta-feira (15), encontrei um conhecido no supermercado. Falei do preço da carne. Ele me disse que há quase dois meses só come ovo. Não tem condições de comprar carne. Houve silêncio por um instante e o papo tomou outro rumo. Mudamos o assunto.

O que não muda são algumas decisões nada razoáveis de parte da classe política brasileira. Chega a ser uma maldade.  Nesta mesma quinta-feira, deputados e senadores aprovaram uma previsão de fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões. Um assalto aos cofres públicos.

Dinheiro para financiar a campanha do ano que vem. Três vezes mais que a do ano passado. Três vezes mais que o dinheiro previsto para o Censo do IBGE que não aconteceu, por causa da pandemia e dos cortes nos recursos.

Não cabe um valor desse, R$ 5,7 bi, nem agora nem no futuro próximo.

Estamos “atolados num poço”, o país está à deriva, com comida cara, combustível caro, vida caríssima, milhares passando fome, outros tantos desempregados, sem perspectivas. De quebra, os parlamentares decidem que usar uma fatia desse dinheiro público para campanha eleitoral é algo natural.

Sem financiamento empresarial, que já é proibido na lei (mas ativo no submundo) não há problema em destinar dinheiro público para “bancar” a democracia. Faz parte e até acho que é um caminho, quando no horizonte estão campanhas mais econômicas.

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Não há problema, se os valores não estivessem aumentando cada vez mais. Se houvesse razoabilidade e consideração com o momento em que o povo brasileiro está vivendo. Não há empatia (para usar um termo da moda). Seria preciso mais espírito público.  Eram R$ 2 bilhões e essa nova proposta é uma vergonha.

O valor está previsto na LDO. Esperamos que haja bom senso até o fim do ano quando será votado o Orçamento (LOA) e quando será possível diminuir esse recurso, pelo menos, pela metade. Os paraibanos que votaram a favor, cada um com seu motivo e argumentação, terão oportunidade de votar a favor de um montante menor. Assim esperamos.

Votos da Paraíba 

As duas senadoras, Nilda Gondim (MDB) e Daniella Ribeiro (PP) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB) votaram a favor da LDO, com o aumento do fundo eleitoral embutido. O senador Veneziano destacou, no entanto, que não foi dada oportunidade ao Senado de votar destaques, separando o fundo eleitoral, de toda a Lei.

Dos 12 deputados federais paraibanos, dois votaram contra: Gervásio Maia (PSB) e Frei Anastácio (PT). Votaram a favor da Lei, com esse “jabuti”, os deputados federais Aguinaldo Ribeiro(PP), Rafafá (PSDB), Efraim Filho (DEM), Leonardo Gadelha (PSC) Wilson Santigo (PTB), Julian Lemos (PSL) e Hugo Motta (Republicanos).  Edna Henrique (PSDB), Wellington Roberto (PL) e Damião Feliciano (PDT) não participaram.

Atualizado às 11h49 com destaque do senador Veneziano