POLÍTICA
Caiado chama taxa de juros de “agiotagem” e atribui endividamento a gastos do Governo Federal
Pré-candidato à Presidência critica política econômica do governo federal e culpa governo Lula por dívidas das famílias.
Publicado em 23/06/2026 às 18:40 | Atualizado em 23/06/2026 às 19:59

O pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta terça-feira (23), em entrevista coletiva no Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, que o país vive um cenário de forte endividamento das famílias e fez críticas à política econômica do Governo Federal.
Segundo ele, diferentes segmentos da economia e a população em geral estariam “quebrados” diante do peso das dívidas em modalidades como cartão de crédito e crédito consignado.
“Todos os segmentos, prestadores de serviços, comerciantes, indústrias, produtores rurais e cidadão comum estão endividados no cartão de crédito, no crédito consignado. Estão quebrados”, disse.
Caiado criticou o programa "Desenrola", lançado pelo Governo Federal para renegociação de dívidas e questionou a política de juros no país, que classificou como “agiotagem”.
“Aí vem dizer que tem o Desenrola. Mas quem foi que enrolou? Quem promoveu essa taxa de juros? Isso não é obra de cima, é obra de quem gastou demais, irresponsavelmente. Foi o governo Lula que aumentou a dívida do país”, afirmou, ao citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O governador também criticou o impacto dos juros sobre o consumo e o uso de recursos como o FGTS para pagamento das dívidas. “Você tem uma taxa de agiotagem de taxa de juros real. Aí tira o FGTS para pagar o agiota. O governo faz cortesia com o chapéu alheio, a taxa de juros sobe, e você vai tirar sua poupança para pagar o agiota”, disse.
Ao longo da entrevista, Caiado reforçou que, em sua avaliação, o endividamento decorre de decisões do governo federal. “Quem gastou demais foi o governo Lula”, concluiu.
Na ocasião, ele também falou sobre a situação dos palanques estaduais e respondeu sobre os desafios políticos na Paraíba. Leia aqui.
Pesquisa aponta causas do endididamento
Dados oficiais e recentes, de pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em maio de 2026, revelam que o endividamento no Brasil atingiu o recorde histórico de 81,6% das famílias.
O levantamento aponta que não há apenas uma causa para este cenário. O levantamento cita fatores estruturais e comportamentais para o avanço, como a forte predominância de linhas de financiamento de curto prazo no orçamento doméstico. O cartão de crédito, por exemplo, é utilizado por 84,6% dos endividados.
A pesquisa também mostra que a persistência de taxas de juros médias elevadas para pessoas físicas é uma das principais causas.
Além disso, a pesquisa destaca que a necessidade de consumo básico força as famílias de menor renda (até três salários mínimos) a recorrerem massivamente ao crédito, sendo este o grupo mais vulnerável ao crescimento da inadimplência.

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