Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Brasil sem vacina, milhares morrendo e Anvisa quer “tempo” para decidir sobre a Sputnik V comprada pelo NE

Por LAERTE CERQUEIRA e ANGÉLICA NUNES

Foto: Reprodução/Facebook/Embaixada da Rússia no Brasil

O Brasil está sem vacina, milhares de pessoas morrem todos os dias-muitas poderiam ser salvas se imunizadas rapidamente – mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pediu mais tempo para decidir sobre importação da vacina Sputnik V.

No último dia 13, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), estipulou prazo até o fim deste mês para que a Anvisa decida sobre a “importação excepcional e temporária” de doses.

Se a Agência não decidir, estados do Nordeste estão autorizados a importar para incluir as doses no Plano Nacional de Vacinação. O Consórcio NE já garantiu mais 37 milhões de doses. Mas falta a Anvisa, pelo menos, demonstrar mais agilidade.

A ação no STF foi protocolada pelo governo do Maranhão, que diz ter negociado 4,5 milhões de doses da vacina produzida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia.

As perguntas são: por que a análise não pode ser mais rápida? Em situação emergencial que estamos vivendo, não era preciso adaptar protocolos para agilizar a aprovação do imunizante? Difícil entender.

Não estamos falando de uma vacina  qualquer. Ela já é aplicada na Argentina, na Rússia, Índia, Bolívia e Paraguai e não apresentou nenhum tipo de problema. As agências reguladoras desses países deram o aval emergencial e, por aqui, há mais justificativas do que soluções.

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A eficácia é de mais de 90%, e chega a 100% em casos mais graves e moderados. Com resultados melhores que a do Butantan, a Coronavac.

Anvisa

A justificativa da Anvisa é que dados sobre qualidade, eficácia e segurança precisam ser juntados ao processo de pedido de compra para decidir sobre “importação excepcional e temporária” de doses da vacina desenvolvida pela Rússia.

Afirmou no pedido, ontem, que o prazo precisa ser suspenso para que as áreas técnicas da agência reguladora tomem uma decisão de forma segura e “voltada ao melhor interesse público”.

A agência afirma ter recebido informações somente da autoridade sanitária da Argentina e que o conteúdo do informe enviado pelo órgão argentino está sendo avaliado pelas áreas técnicas da Anvisa.

Ingrediente político

Difícil não pensar que há um ingrediente político na demora. Afinal, são governadores de oposição que estão à frente de uma compra que o governo federal não conseguiu. Preferimos não acreditar porque a própria direção do órgão negou ingerência política.

Mas, mesmo não aceitando essa insinuação, a impressão é que falta pró-atividade, vontade. Como se os responsáveis pela aprovação estivessem em suas salas exigindo e esperando documentos para salvar a vida das pessoas.

Mas, como são vidas em jogo, o que se quer de um órgão como esse, de Estado, é muito mais que esperar. Espera-se busca ativa pela solução. Quem está vendo isso? Parece que só vai sair se for na pressão.