Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Especialista paraibano diz que barril de petróleo vai ultrapassar US$ 100

O consultor Gustavo Oliveira de Sá e Benevides defende o alinhamento de preços dos combustíveis no mercado doméstico em relação ao internacional. Segundo ele, só a concorrência levar o preço para baixo.

Em entrevista ao jornal O Globo, Gustavo de Sá e Benevides defendeu o alinhamento de preços dos combustíveis no mercado doméstico em relação ao internacional. Foto: Divulgação

Para quem espera (ou sonha com) uma queda no preço do barril de petróleo, na expectativa de ver a redução no preço dos combustíveis no Brasil, não deve criar muita expectativa, pelo menos se as projeções do especialista Gustavo Oliveira de Sá e Benevides estiverem certas. E parece que está.

O paraibano, fundador da GSB Consulting, afirmou que a Opep (cartel que reúne os maiores produtores do mundo) está segurando a produção, mesmo com a demanda aumentando e com economias, como a da China, recuperando-se. Ou seja, é a velha lei da oferta e da procura entrando em cena.

Em resumo, o momento mais grave da pandemia passou, os mercados estão voltando a ficar aquecidos, exigindo mais combustível, mas o “cartel” tem segurando a produção, o que encarece o produto porque a disputa por ele, em países dependentes, é maior. O Brasil está nessa lista.

O barril ultrapassou os US$ 80 e, segundo ele, deve ultrapassar os US$ 100. “A tendência é de alta”, cravou.

A análise foi feita em em entrevista ao jornal O Globo, no fim de semana.

Para completar, como nossa moeda continua fraca, quanto mas o dólar se valoriza, mais impacto o consumidor brasileiro sofrerá.

Preço maquiado

Na entrevista, Gustavo afirmou que Petrobras diz que segue a paridade internacional, mas na prática segue um preço menor que o valor internacional. Isto é, o valor do nosso combustível poderia ser maior, mas não haveria “maquiagem”.

“Hoje, o preço do diesel no Brasil está R$ 0,19 menor que no exterior e R$ 0,13 a menos na gasolina. Você pode pensar que em um primeiro momento isso é bom porque ela está subsidiando os preços, mas a longo prazo isso é uma catástrofe, pois inviabiliza a concorrência” argumentou.

Ele lembrou que é a concorrência que faz o setor se desenvolver e, sem isso, ninguém se sente estimulado a investir em áreas como a de refino.

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O consultor defende que a Petrobras siga, de fato, a paridade. Com isso, haveria uma pressão de preços para baixo, pois mais empresas do exterior iriam investir aqui.

“E com mais dólares circulando no país iria reduzir o preço do câmbio. Grande parte da pressão no câmbio é reflexo da falta de confiança. E o investidor estrangeiro vendo que a estatal segue de fato a paridade iria aportar mais recursos aqui”, disse.

Podcast da CBN

O assunto preço dos combustíveis no Brasil, política de preço da Petrobras e a tendência de alta foram assuntos discutidos no penúltimo podcast da CBN, Papo Político. No episódio, o cenário foi analisado pelo advogado tributarista Jurandi Eufrazino e pelo economista Cássio Besarria. Ouça abaixo: