Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Mais etanol na gasolina: Paraíba pode se beneficiar com nova política de combustível da Índia

Sindalcool-PB participa de diálogos com a Índia para avanço do etanol e mobilidade sustentável. As indústrias sucroenergéticas paraibanas serão beneficiadas de forma indireta, assim como todo o setor brasileiro.

Foto: Reinaldo Canato/Agência Brasil
Prefeituras (Foto: Reinaldo Canato/Agência Brasil)
Foto: Reinaldo Canato/Agência Brasil

O Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool na Paraíba (Sindalcool-PB) está estimulado com a nova política de combustíveis de etanol da Índia, que prevê a adição de 20% do biocombustível à gasolina a partir de 2023.

De acordo com o presidente-executivo do Sindalcool-PB, Edmundo Barbosa, o Brasil e o país asiático têm mantido relações amigáveis e construtivas, que colaboram para o impulsionamento do setor sucroenergético, dos veículos flex e da redução das emissões poluentes.

Barbosa integraria, neste mês de janeiro,  uma comitiva empresarial que visitaria a Índia para aprofundar as conversações sobre a cooperação entre os dois países na área de mobilidade sustentável, com ênfase nos biocombustíveis e nos veículos flex fuel.

Por causa da pandemia, a viagem, que teria a participação do ministro Bento Albuquerque, de Minas e Energia, foi suspensa.

Presidente-executivo do Sindalcool-PB, Edmundo Barbosa. Foto: Divulgação

Para Edmundo, a indústria paraibana e brasileira seria uma das mais beneficiadas indiretamente se o etanol da cana-de-açúcar se firmar cada vez mais como uma alternativa limpa e renovável para a mobilidade sustentável. O combustível verde é capaz de reduzir em 90% das emissões quando comparado com a gasolina.

“As relações entre as indústrias automotivas brasileiras e as indústrias indianas, que devem implementar a tecnologia flex, se tornam bastante maduras. Nós pudemos ver isso no último evento que aconteceu de forma online em substituição à missão que seria realizada na Índia. Existe um interesse muito determinado em substituir o combustível fóssil, ou seja, 20% da gasolina passará a ter etanol adicionado, isso já possui prazos definidos na legislação indiana. Até 2025, vamos ter a Índia utilizando 20% de etanol na gasolina, aproveitando dessa forma sua melhor possibilidade de produção de cana-de-açúcar e também de etanol”, ressaltou Barbosa.

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Produção

A Índia e o Brasil são os maiores produtores de açúcar no mundo. Com maior produção local de etanol, o país terá menores estoques de açúcar para a exportação evitando assim excessos de oferta no mercado mundial.

Ainda não há previsão para um novo encontro presencial entre lideranças e representantes dos dois países. Entretanto, Brasil e Índia continuam com uma atividade de relacionamento intensa por meio virtual, afirma Edmundo.

Contexto indiano

O Sindicato lembra que a Índia tem cerca de 1,38 bilhão de habitantes (2020), abriga 22 das 30 cidades mais poluídas do mundo e o ar mata mais de 1 milhão de pessoas a cada ano no país. A entidade destaca que a determinação do governo indiano de uso crescente do etanol entre as montadoras e empresas de biocombustíveis segue acelerada.

“Segundo relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE), o país asiático deverá se tornar o terceiro mercado mundial de etanol, atrás apenas dos Estados Unidos e do Brasil até 2026. A crescente adoção do etanol na Índia cria um leque de oportunidade de negócios para o Brasil com o país asiático”, ressalta direção do Sindicato.