Mansão do prefeito de São Mamede teria sido ‘bancada’ com recursos da prefeitura, aponta PF

Conforme os investigadores, o prefeito de São Mamede teria aparentemente se utilizado de laranjas (familiares e parentes) para receber valores de “propina” e para ocultar seus bens

Umberto Jefferson, prefeito de São Mamede. Foto: Divulgação.

Uma mansão de propriedade do prefeito de São Mamede, Umberto Jefferson (União Brasil), em um condomínio de luxo em Patos (Condomínio Villas do Lago), no Sertão paraibano, teria sido construída com verbas desviadas dos cofres do município. É o que aponta as investigações da Polícia Federal que estão na decisão do desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, do Tribunal de Justiça, ao liberar a deflagração da Operação ‘Festa no Terreiro 2, nesta terça-feira (15).

Hoje (16), o magistrado derrubou o sigilo do processo e conforme o documento, a que o Conversa Política teve acesso, Umberto Jefferson seria o líder de uma organização criminosa que teria manipulação licitações em proveito pessoal.

Conforme os investigadores, o prefeito teria aparentemente se utilizado de laranjas (familiares e parentes) para receber valores de “propina” e para ocultar seus bens, “em técnica de lavagem que põe em risco a aplicação da lei penal, cujo aspecto reparatório há de ser assegurado”.

O esquema para a construção da mansão envolveria o empresário Josivan Gomes Marques, responsável pela obra; João Lopes Neto, presidente da Comissão Licitação; o irmão do prefeito, José Jailson, que acompanhava o dia a dia da obra; e a esposa, Micaela Mota, que tinha conhecido do processo.

“Em diálogos travados entre Umberto e Micaela Mota (sua esposa), há elementos indicativos de que Josivan seria responsável por custear determinadas partes do imóvel residencial em construção, representando indício de que se tratou de uma das vantagens obtidas pelo prefeito a partir do desvio de recursos da licitação que é objeto da presente investigação”, diz um trecho do pedido da PF, que está na decisão.

No relato da PF consta que “noutro diálogo, desta vez travado entre diretamente entre Umberto e Josivan (que teria sido apagado, e posteriormente recuperado pela perícia), há estipulação de uma porcentagem do valor total do orçamento de uma obra que seria iniciada no Município de São Mamede, onde Josivan informa que cobraria o mesmo valor do “Avança”, ou seja, cerca de R$ 100 mil, em um modus operandi similar ao detalhado na primeira fase investigativa”.

As provas apreendidas durante fases anteriores da investigação, apontam que o imóvel custou R$ 550 mil para uma uma área construída de 535m². O valor, abaixo do mercado, chamou atenção da Polícia Federal.

A defesa do prefeito nega o envolvimento de Umberto Jeferson em práticas delituosas.