CONVERSA POLÍTICA
OPINIÃO: André Coutinho, a ruptura e o preço do enfrentamento em Cabedelo
Prefeito cassado teria rompido contratos relacionados à facção criminosa e o custo disso foi o mandato.
Publicado em 15/04/2026 às 18:47

A investigação da Operação Cítrico trouxe à tona um enredo que mistura política, contratos milionários e suspeitas de infiltração do crime organizado na máquina pública de Cabedelo.
Trouxe também um detalhe que chamou a atenção na decisão que autorizou a operação, um movimento do ex-prefeito André Coutinho com peso e desdobramento no jogo político.
O depoimento de uma ex-integrante da facção 'Tropa do Amigão', braço do Comando Vermelho em Cabedelo, revelou que André teria, logo após a deflagração da operação En Passant, em dezembro de 2024, demitido indicados supostamente ligados ao grupo criminoso.
A motivação, ao que tudo indica, foi pragmática, para evitar ser atingido pelas investigações da Polícia Federal. Ainda assim, o gesto não pode ser tratado como trivial, pois houve represália.
Conforme o relato, o líder da facção cobrou o ex-prefeito Vitor Hugo, até então padrinho político de André, que sinalizou que a ruptura seria temporária pois a pessoa que assumiria a prefeitura seria "alguém dele".
Com a chegada de Edvaldo Neto ao comando da gestão, as investigações apontaram que, de fato, o fluxo foi restabelecido.
É inconteste que a decisão administrativa mexeu com interesses de empresários, agentes públicos e uma estrutura criminosa com forte capilaridade; e teve consequência direta. André perdeu o mandato. E o que veio depois reforça o peso dessa escolha.

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