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CONVERSA POLÍTICA

Opinião: Flávio ativa modo "golpista" e cria discurso para bolsonarismo justificar derrota

Não há o que se falar em anular a eleição por causa da extensão do horário. A medida extemporânea beneficou eleitores dos dois grupos.

Publicado em 26/10/2026 às 15:24


					Opinião: Flávio ativa modo "golpista" e cria discurso para bolsonarismo justificar derrota
Foto: Reprodução. Gustavo Demétrio

O candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) ativou o modo golpista. Após perder por uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos, foi à imprensa apresentar o discurso que pretende alimentar o bolsonarismo na tentativa de justificar o tombo eleitoral. Na prática, caiu o modo estadista.

A queda foi ainda maior porque havia uma empáfia, um clima de “já ganhou”, que incomodava até os mais serenos do próprio grupo.

Não há fundamento para falar em anulação da eleição por causa da extensão do horário de votação. A medida excepcional adotada pelo ministro do STF Cristiano Zanin, escolhido por sorteio para relatar o caso, beneficiou eleitores dos dois grupos.

Aliás, como se sabe, a decisão foi tomada com base em pedidos das duas campanhas, diante da omissão do presidente do TSE, Nunes Marques. O próprio Nunes declarou que não houve irregularidades e, em acordo com Zanin, avalizou a decisão.

Dados do TSE mostram que 35 mil votos foram registrados após as 17h. A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, no resultado nacional, foi de 4,4 milhões de votos. Os números são incontestáveis quando se avalia a possibilidade de essa questão ter interferido no resultado eleitoral.

Vale lembrar, ainda, que, no decorrer da apuração, por volta das 20h, Flávio e seu grupo chegaram a comemorar efusivamente a virada contra Lula. Ou seja, naquele momento, não havia problema algum.

Não reconhecer a derrota é uma atitude vergonhosa, típica de mau perdedor e marcada por um espírito golpista.

A declaração reforça um dos motivos que impulsionaram o levante de jovens contra ele no segundo turno: o medo do retorno de alguém da família Bolsonaro ao poder.

É hora de a direita democrática, engolida pelos interesses de uma família, recuperar seu protagonismo. As declarações e outras atitudes do candidato derrotado revelam claramente que ele não tem condições de representar um campo conservador que respeite e valorize a alternância de poder.

Foto: Reprodução

Angélica Nunes Laerte Cerqueira

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