CONVERSA POLÍTICA
Opinião: desistência de Frei Anastácio representa baixa para o PT na disputa pela Câmara Federal
Ex-deputado anunciou nesta segunda-feira (28) que não vai mais disputar a vaga na Câmara Federal por questões de saúde.
Publicado em 28/07/2026 às 16:42

A desistência de Frei Anastácio (PT) da disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados representa uma baixa importante para a federação formada por PT, PCdoB e PV nas Eleições 2026. Aos 82 anos, o ex-deputado federal anunciou nesta segunda-feira (28) que não será candidato em razão das sequelas provocadas por um acidente sofrido após deixar a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido.
A decisão retira da nominata um dos nomes mais conhecidos e tradicionais do PT paraibano. Frei Anastácio é um patrimônio político construído em mais de cinco décadas de atuação junto aos trabalhadores rurais, movimentos sociais e à agricultura familiar.
Segundo nota divulgada pelo ex-parlamentar, a recuperação de uma cirurgia para tratamento de varizes transcorria normalmente quando ele sofreu uma queda durante uma viagem, bateu a cabeça e precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Durante o tratamento, foi identificado um coágulo na cabeça. Embora tenha apresentado evolução clínica, o acidente deixou sequelas que comprometeram a memória e a condição física.
Além do impacto humano, a desistência tem reflexos políticos. Frei Anastácio era considerado um dos principais nomes da federação para a disputa proporcional. Mesmo sem repetir o desempenho de 2018, quando foi eleito com mais de 91 mil votos, permanecia como um dos nomes mais conhecidos do partido, especialmente no interior do Estado, onde consolidou sua atuação ao lado de agricultores familiares, assentados e comunidades rurais.
Com uma trajetória iniciada na Comissão Pastoral da Terra (CPT), da qual foi um dos fundadores na Paraíba, Frei Anastácio construiu sua atuação política em defesa da reforma agrária, da agricultura familiar e dos trabalhadores rurais. Foi deputado estadual por quatro mandatos, superintendente regional do Incra, deputado federal e secretário de Estado entre 2023 e 2026.
Sua saída da disputa obriga o PT a reorganizar a estratégia para a eleição proporcional e buscar outros nomes capazes de compensar a ausência de uma de suas principais lideranças históricas no estado.

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