Justiça determina prisão de Padre Egídio e mais duas ex-diretoras do Hospital Padre Zé, em João Pessoa

A suspeita é que o religioso tenha desviado milhões de reais de doações privadas e repasses de recursos públicos na compra de imóveis, propriedades e equipamentos de luxo.

O desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba, Ricardo Vital, mandou prender Padre Egídio, ex-diretor do Hospital Padre Zé, em João Pessoa, a ex-diretora administrativa, Jannyne Dantas, e a ex-tesoureira, Amanda Duarte. Os três suspeitos de envolvimento em esquema de desvio de recursos da unidade filantrópica.

Padre Egídio é o principal alvo das investigações, que estão sendo feitas por uma força-tarefa comandada pelo Gaeco, do MPPB. A suspeita é a de que o religioso tenha desviado milhões de reais de doações privadas e repasses de recursos públicos na compra de imóveis, propriedades e equipamentos de luxo.

A primeira Operação (Indignus) para investigar o caso foi deflagrada no dia 05 de outubro, quando foram cumpridos 11 mandados judiciais de busca e apreensão, em endereços dos três investigados, sendo oito em João Pessoa-PB, um no Conde-PB e dois na cidade de São Paulo-SP.

Segundo o MPPB, a investigação aponta para uma absoluta e completa confusão patrimonial entre os bens e valores de propriedade das  pessoas jurídicas com um dos investigados, com uma considerável relação de imóveis atribuídos, aparentemente sem forma lícita de custeio, quase todos de elevado padrão, adornados e reformados com produtos de excelentes marcas de valores agregados altos.

As condutas indicam a prática, em princípio, dos delitos de organização criminosa, lavagem de capitais, peculato e falsificação de documentos públicos e privados.

Rombo

O Conversa Política apurou que, nos últimos cinco anos, a entidade filantrópica recebeu mais de R$ 290 milhões de convênios firmados com o governo federal, estadual e o município de João Pessoa.

O atual diretor da unidade, Padre George, em entrevista recente, afirmou que a antiga direção fez um empréstimo de R$ 13 milhões em dois bancos, mas ninguém sabe onde o dinheiro foi usado. Por causa da operação financeira, R$ 250 mil são debitados todo mês na conta do hospital.

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