Vital concede prisão domiciliar a ex-funcionária do Hospital Padre Zé alvo da Operação Indignus

O pedido foi apresentado à Justiça antes de Amanda se apresentar à Justiça devido ao fato dela estar com um filho de apenas 4 meses, em fase de amamentação exclusiva.

O desembargador Ricardo Vital de Almeida, do Tribunal de Justiça da Paraíba, atendeu pedido da defesa e converteu a decretação da prisão preventiva em domiciliar de Amanda Duarte Silva Dantas. Ex-funcionária do Hospital Padre Zé, ela é suspeita de integrar com o Padre Egídio um esquema que teria desviado R$ 140 milhões da instituição filantrópicas, entre 2013 a setembro deste ano.

O pedido foi apresentado à Justiça antes de Amanda se apresentar à Justiça devido ao fato dela estar com um filho de apenas 4 meses, ainda em fase de amamentação exclusiva.

O Gaeco, nos autos do pedido, deu parecer favorável à substituição da prisão preventiva pela modalidade domiciliar, mas impondo algumas cautelares, que foram determinadas pelo desembargador, tais como:

  • monitoramento eletrônico;
  • proibição de se ausentar da Comarca que reside sem autorização judicial;
  • obrigação de manter atualizados os endereços, contatos, telefones, e-mails e demais meios de comunicação;
  • obrigação de comparecer espontaneamente a todos os atos processuais;
  • proibição de manter contrato, tanto pessoal como virtualmente, inclusive por meio de terceiras pessoas, com os demais investigados e testemunhas já existentes nos autos da investigação e outras porventura a serem inseridas no contexto.

De acordo com o Gaeco do Ministério Público da Paraíba, o Padre Egídio e Amanda Duarte, ex-tesoureira do Hospital Padre Zé, eram quem, na maioria das vezes assinavam o cheques para que fossem sacados em dinheiro, na boca do caixa. Os valores giravam em torno de R$ 50 mil a R$ 200 mil, conforme consta na decisão, no âmbito da segunda fase da Operação Indignus, nesta sexta-feira (17), e a que o Conversa Política.

Padre Egídio foi preso nesta sexta-feira, passar por exame de corpo delito no IML e após passar alguns minutos na Central de Polícia foi encaminhado para audiência de custódia no Fórum Criminal da capital.

Danos aos mais vulneráveis

Os atos ilícitos investigados, segundo o Gaeco, tiveram um impacto devastador em diversos programas sociais essenciais. Entre eles, a distribuição de refeições a moradores de rua, o amparo a famílias refugiadas da Venezuela, apoio a pacientes em pós-alta hospitalar, realização de cursos profissionalizantes, preparação de alunos para o ENEM, cuidados de pacientes com HIV/AIDS, entre outros.

Além disso, as operações ilícitas afetaram gravemente o Hospital Padre Zé, comprometendo o atendimento a populações carentes e necessitadas”, afirmou Otávio Paulo Neto, coordenador do Gaeco.

Rombo

O Conversa Política apurou que, nos últimos cinco anos, a entidade filantrópica recebeu mais de R$ 290 milhões de convênios firmados com o governo federal, estadual e o município de João Pessoa.

O atual diretor da unidade, Padre George, em entrevista recente, afirmou que a antiga direção fez um empréstimo de R$ 13 milhões em dois bancos, mas ninguém sabe onde o dinheiro foi usado. Por causa da operação financeira, R$ 250 mil são debitados todo mês na conta do hospital.

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