CONVERSA POLÍTICA
Senado na Paraíba: agregador aponta disputa acirrada entre Veneziano e Nabor pelo segundo voto
Levantamento realizado por pesquisadores da UFCG reúne 26 pesquisas registradas no TSE.
Publicado em 01/10/2026 às 17:55

A corrida pelas duas vagas ao Senado na Paraíba entra na reta final com um cenário definido na liderança e uma disputa acirrada pela segunda vaga. É o que indica o agregador de pesquisas desenvolvido por cientistas políticos da Universidade Federal de Pernambuco, que compilou e analisou 26 pesquisas estaduais registradas no TSE entre janeiro e setembro de 2026.
O trabalho foi realizado pelos cientistas políticos Luiz Felipe Bezerra Lopes (UFCG/UFPE) e Felipe Rodrigues Braga (UFCG/UFPE).
O levantamento reúne pesquisas feitas entre janeiro e setembro e considera apenas aquelas que mediram os dois votos para o Senado. Ao todo, foram 42.173 entrevistas analisadas. Segundo a metodologia, os resultados foram convertidos para votos válidos e ajustados para diferenças entre os institutos.
Liderança isolada e favoritismo
Na liderança consolidada, o governador João Azevêdo (PSB) aparece com 39,9% dos votos válidos na projeção final de 30 de setembro. O desempenho garante ao socialista uma probabilidade de 99,9% de eleição, praticamente sacramentando sua ocupação de uma das duas cadeiras em disputa no Congresso Nacional.
Duelo pela segunda vaga
A principal disputa da eleição paraibana está concentrada na segunda vaga. O senador Veneziano aparece na segunda colocação, com 23,9% dos votos válidos, seguido por Nabor Wanderley, que soma 18,1%.
Embora Veneziano mantenha uma vantagem de 5,8 pontos percentuais no agregador, a margem de incerteza e a trajetória dos dois candidatos mantêm a disputa aberta:
- Veneziano Vital: Registra 84,9% de chance de reeleição. Após uma queda entre maio e agosto, estabilizou sua curva no eleitorado.
- Nabor Wanderley: Aparece com 15,2% de chance (cerca de 1 em cada 7 simulações). O candidato do Republicanos vem em trajetória contínua de alta desde junho, subindo a uma taxa média de 2,5 pontos por mês.
Correndo por fora, Marcelo Queiroga (PL) tem 8,8% dos votos válidos, seguido por Major Fábio (Novo), com 4,2%, e André Gadelha (MDB), com 1,7%.

Queda da distância e o papel dos institutos
O movimento mais importante aparece na evolução da diferença entre Veneziano e Nabor. No início do ano, o senador tinha uma vantagem de aproximadamente 25 pontos. Essa distância caiu para 21 pontos no fim de maio, chegou a 11 pontos no início de agosto e estava em 5,8 pontos na última pesquisa analisada.
A pesquisa mais recente do instituto TDL, divulgada em 30 de setembro (com 2 mil eleitores em 68 municípios e margem de erro de 2,2%), mostrou os dois empatados com 30% na soma dos dois votos. O agregador, no entanto, absorve esse dado dentro de um contexto mais amplo: nenhuma das 26 pesquisas colocou Nabor à frente. Além disso, o modelo aplica correções estatísticas para suavizar distorções de institutos que tendem a pontuar determinados candidatos acima do consenso. É o caso do instituto SETA em relação a Nabor.

Peso do apoio dos prefeitos
O levantamento também acompanhou o apoio declarado dos prefeitos paraibanos. Nabor foi quem mais cresceu no interior, saltando de 84 prefeituras em outubro de 2025 para 174 em setembro. João Azevêdo manteve estabilidade com 163 apoios, enquanto Veneziano fechou com 107.
Pelo critério do peso eleitoral (votos obtidos pelos prefeitos em 2024), a dinâmica se reconfigura:
- Nabor Wanderley lidera com 1,26 milhão de votos, impulsionado pelo segundo voto do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.
- Veneziano Vital soma 910 mil votos, mantendo o trunfo de ser a primeira opção dos gestores da capital e de Campina Grande.
- João Azevêdo registra 839 mil votos.
O relatório pondera, contudo, que 57 das 91 novas prefeituras que aderiram a Nabor são de pequeno porte (menos de 5 mil votos), o que exige cautela na leitura dessa força política.

Projeção tem ressalvas
O estudo também produziu uma simulação para o resultado de 4 de outubro, mas ressalta que ela não deve ser interpretada como garantia do resultado das urnas. O modelo utiliza as pesquisas disponíveis até 30 de setembro e incorpora diferentes fontes de incerteza, inclusive um componente de erro sistemático das pesquisas eleitorais.
O próprio relatório destaca que o método não foi testado contra eleições anteriores na Paraíba e que pesquisas podem errar simultaneamente na mesma direção. Também não foi modelado o eventual efeito do voto casado entre candidatos das mesmas coligações.
Na eleição deste domingo (4), cada eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes para o Senado. As duas vagas serão preenchidas pelos candidatos mais votados no estado.
Assim, a principal mudança registrada pelo conjunto das pesquisas na reta final é o estreitamento da distância entre Veneziano e Nabor. O dado mais recente coloca os dois empatados na TDL, enquanto o conjunto dos levantamentos ainda registra vantagem de Veneziano, mas com a menor diferença observada ao longo da série.

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