CONVERSA POLÍTICA
Entrevista: direita da Paraíba não tem candidato "puro-sangue" ao governo, diz Wallber ao explicar apoio a Romero
Publicado em 25/07/2021 às 9:50 | Atualizado em 03/09/2021 às 15:00
Por LAERTE CERQUEIRA e ANGÉLICA NUNES
O deputado estadual Wallber Virgolino (Patriota), um dos expoentes da direita bolsonarista da Paraíba, admitiu que o grupo não tem um candidato "puro-sangue" para disputa ao governo do estado ano que vem.
Em entrevista ao Conversa Política, ele afirmou que, "a preço de hoje", o nome do grupo é o ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues.
"Nós sabíamos que Romero não é um candidato de direita, mas de 'centro' [..] Nós descuidamos um pouco e não trabalhamos, nos últimos 4 anos, um nome para defender a direita".
Na conversa, Virgolino afirmou que não vê problema em Romero 'atuar' para conseguir apoios de todos os lados, mas, para o parlamentar, isso não quer dizer que ele vai subir em palanque de Lula, do PSB, do Cidadania, ou de qualquer terceira via.
Focado nas alianças estaduais, o parlamentar lembrou que "ninguém é candidato de si mesmo, ninguém ganha campanha eleitoral sem alianças. Então se alguém da esquerda quiser apoiar Romero, eu não tenho nada contra [...] Se a gente quer vencer João Azevêdo. Se a gente quer derrotar o PT, a gente tem que trabalhar nesse sentido".
Virgulino defende que a oposição se reúna, ainda esta semana, para aparar as arestas que surgiram e discutir o tema. Ele acredita que as divergências são naturais.
"A Paraíba precisa compreender que temos um candidato de oposição e que esse candidato vem para disputar e para ganhar", afirmou, defendendo a tese de união, mesmo com as diferenças no grupo.
Críticas ao governo estadual e 'fake news'
O deputado estadual fez críticas duras ao governador João Azevêdo. Segundo ele, uma continuidade da gestão do ex-governador Ricardo Coutinho. Virgolino insinuou que o governador não tem poder de decisão. "Ele não consegue ser técnico nem político", afirmou.
"Quem manda no governo não é ele. Nós sabemos que existe um colegiado dentro do governo [...] O governador é o último a opinar. A opinião dele não vale de nada", criticou.
Wallber também rebateu as críticas de que ele é um produtor de fake news contra o governo. O parlamentar disse que, se fosse assim, estaria sendo processado. E nunca respondeu judicialmente por causa de publicações contra o governo.
O defeito e as 'qualidades' do governo Bolsonaro
Em outro trecho da entrevista, o deputado estadual defendeu o governo Bolsonaro, elencando as qualidades na gestão da pandemia e as ações dos últimos dois anos e meio. Segundo ele, no entanto, o problema está na comunicação institucional que é ruim.
"Ele investe muito, manda muitas coisas para o estado, mas infelizmente a sociedade só consegue compreender por falha nessa comunicação com o povo", explicou.
Ele criticou da postura dos ministros do governo federal que vem à Paraíba, mas saem tirando fotos e mostrando as ações ao lado de políticos que não são, de fato, da base de Bolsonaro.
"Esses ministros que se abraçam com deputados federais, prefeitos, com o governador, que não apoiam o presidente, lá na frente serão cobrados. E o presidente tem o prejuízo nessa relação amistosa, subserviente, de ministros com adversários, inimigos políticos", apontou.
Para Wallber, a demora do governo federal na compra das vacinas, o atraso, foi uma questão burocrática e não falta de ação do governo.
Vale lembrar que não é o que confirma a apuração da CPI da Covid-19. A comissão trouxe elementos: depoimentos, falas presidenciais e de auxiliares e documentos, que mostram que à União não adiantou a compra da vacina por uma questão ideológica. Por não entender que, naquele momento, ano passado, a efetivação da compra não era fundamental.
Voto impresso, impeachment e 'golpe'
Na entrevista, Wallber Virgolino também disse que não acredita que vai ter nem "impeachment" nem golpe no país. "As eleições vão ocorrer [...] As ameaças às eleições, segundo ele, são apenas retórica".
Virgolino minimizou a entrada do 'centrão' no governo. O deputado estadual diz que confia no presidente e que a decisão está sendo tomada porque é uma forma de governar. Veja mais argumentações sobre o tema no vídeo abaixo:
Atuação na AL e 'onda bolsonarista'
O deputado também falou sobre a produção dele no legislativo, projetos aprovados e que já estão em prática.
Em outro trecho também falou sobre a "onda bolsonarista" que elegeu muitas pessoas desconhecidas em 2018 e que nem tinham "serviços prestados" à população.
Para o ano que vem, Virgolino entende que a situação será bem diferente. O "tamanho da onda" vai diminuir e se elegerá quem tem ações em benefício das pessoas.
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