O primeiro debate entre os candidatos ao governo da Paraíba nas Eleições 2026 foi realizado nesta terça-feira (29), com transmissão pelas TVs Cabo Branco e Paraíba. Participaram Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL) e Lucas Ribeiro (PP).
Durante o encontro, os candidatos apresentaram propostas e fizeram declarações sobre diferentes áreas da administração pública, além de citarem números, ações e resultados atribuídos às próprias gestões e aos adversários.
O Jornal da Paraíba e o Núcleo de Dados da Rede Paraíba analisaram algumas das declarações feitas pelos candidatos e consultaram documentos, dados oficiais e outras fontes públicas para verificar as informações apresentadas. A checagem reúne falas dos três candidatos que participaram do debate.
A apuração identificou informações corretas, incorretas e outras que exigiam contextualização. As declarações foram classificadas com base nos dados e documentos encontrados pela reportagem durante o processo de checagem.
VEJA OUTRAS CHECAGENS:
Confira abaixo as declarações dos candidatos que foram checadas pelo Jornal da Paraíba:
Declarações de Cícero Lucena (MDB)

"O imposto deve ser um instrumento de crescimento e de desenvolvimento do nosso estado. Fiz isso na prefeitura de João Pessoa, quando reduzimos o ISS para a recuperação do centro histórico da nossa capital..."
A INFORMAÇÃO É VERDADEIRA
Durante a gestão de Cícero Lucena, a Prefeitura de João Pessoa criou, por meio da Lei Complementar nº 160/2023, incentivos fiscais destinados à Zona Prioritária do Centro Histórico da capital - que está presente na página 138 e o parágrafo terceiro explica que: No âmbito do ISS, o incentivo fiscal consistirá em redução da alíquota para 2%, com início de gozo no mês imediatamente seguinte ao da concessão.
Entre os benefícios previstos está a redução do Imposto Sobre Serviços (ISS). A legislação estabelece que, para os contribuintes contemplados pelo incentivo, a alíquota do imposto é reduzida para 2%. Como a alíquota geral do ISS prevista no Código Tributário Municipal é de 5%, na prática, os beneficiários podem passar a pagar uma alíquota de 2% em vez dos 5% previstos como regra geral.
Essa redução, no entanto, não vale automaticamente para todas as empresas localizadas no Centro Histórico. O benefício é destinado aos contribuintes que se enquadram nas regras estabelecidas para a Zona Prioritária e depende da concessão do incentivo nos termos previstos pela legislação.
“Retiramos o ITBI para o Programa Minha Casa, Minha Vida como entrada dos imóveis, que muita gente não tinha condição de adquirir o imóvel por conta dessa despesa.”
A INFORMAÇÃO É VERDADEIRA
A Prefeitura de João Pessoa concede isenção de ITBI para imóveis construídos ou financiados por programas habitacionais destinados à população de baixa renda. A regra foi alterada durante a gestão de Cícero Lucena pela Lei Complementar nº 135/2021, que passou a prever expressamente a isenção na primeira transmissão de imóvel construído ou financiado por programa habitacional para população de baixa renda.
A Prefeitura posteriormente aplicou o benefício a famílias do Minha Casa, Minha Vida e informou que a isenção pode representar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, valor que ajuda a compor a entrada do imóvel.
Ressalva: a isenção não foi criada originalmente por Cícero: já havia previsão semelhante no Código Tributário Municipal desde 2009. A gestão dele modificou a regra em 2021, ampliando sua redação para imóveis construídos ou financiados por programas habitacionais para população de baixa renda.
“O Hospital da Mulher, prometido em Campina em eleições passadas, simplesmente não foi entregue ainda, já venceu o prazo de entrega."
A INFORMAÇÃO NÃO É BEM ASSIM
É fato que o hospital foi prometido na campanha de 2022 e ainda não foi entregue. O prazo contratual, porém, não chegou a vencer: um aditivo assinado em 27 de agosto de 2026, ainda dentro do contrato vigente, estendeu a obra até agosto de 2027. Ou seja, antes de vencer o prazo original do contrato, com argumentos legais, a renovação foi feita.
Em 13 de outubro de 2022, durante a campanha do segundo turno, o governador João Azevêdo (PSB) prometeu à rádio CBN "implantar o novo Hospital de Clínicas de Campina Grande" se fosse reeleito (g1). É a mesma obra que hoje se chama Hospital da Mulher. A mudança de nome e de perfil foi anunciada em 2024, mas no contrato, ela só entrou com o 3º Termo Aditivo, de agosto de 2026, que cita a Lei Estadual 13.678/2025 e trata a troca como "mera adequação nominal", sem mudar o objeto.
A obra deveria ter sido concluída em abril de 2026. Com duas prorrogações, em contratos vigentes, o prazo de execução passou de 27 para 43 meses. O contrato fixa o prazo em dias corridos: 810 para a execução, contados da Ordem de Serviço, e 840 para a vigência, contados da assinatura, somamos os dias de cada aditivo. Para validar o método, comparamos as datas de vigência calculadas com as que o Portal da Transparência registra. As três coincidem (20/05/2026, 17/09/2026 e 12/10/2027).
O mesmo cálculo aplicado à execução se deu em agosto de 2026 depois do 1º aditivo, o mesmo mês informado pelo TCE-PB.
Pelo cálculo da equipe de checagem, o prazo de execução prorrogado terminou por volta de 19 de agosto de 2026. O 3º aditivo só foi assinado oito dias depois, em 27 de agosto. O contrato continuava válido nesse intervalo, porque a vigência ia até 17 de setembro. O valor da obra também aumentou. Começou em R$ 113,8 milhões e atualmente é de R$ 133,9 milhões, um acréscimo acumulado de 24,92% segundo o 3º aditivo.
Em resposta ao Núcleo de Checagem, através de aplicativo de mensagens, o Secretário de Saúde da Paraíba, Ari Reis, informou que “o prazo para a conclusão do Hospital da Mulher de Campina Grande é agosto de 2027, pelo contrato com a empresa”.
O QUE DIZ A ASSESSORIA DO CANDIDATO
A assessoria de Cícero Lucena também foi procurada pelo Núcleo de Checagem e informou que “a ordem de serviço do Hospital das Clínicas de Campina Grande, atualmente Hospital da Mulher, foi assinada em 1º de fevereiro de 2024, sendo que o prazo dado para a conclusão da obra originalmente seria de 15 meses, em maio de 2025”.
Embora a conclusão do hospital tenha sido sucessivamente adiada, o prazo contratual atualmente vigente não venceu em nenhum momento. Por isso, a informação recebe a tarja NÃO É BEM ASSIM.
“É tanto que João Pessoa hoje é a queridinha do Brasil, é o destino mais procurado do Brasil…”
A INFORMAÇÃO É INCORRETA
A capital paraibana aparece, de fato, entre os destinos mais buscados em levantamentos feitos por empresas e plataformas do setor de turismo. Esses estudos, no entanto, analisam períodos específicos, como feriados e temporadas de alta busca, e utilizam metodologias próprias. Nenhum dos levantamentos analisados pela equipe de checagem confirma João Pessoa, de forma geral, como o destino mais procurado do país.
Também não existe um ranking oficial do Ministério do Turismo que coloque João Pessoa nesta posição. Da mesma forma, os levantamentos de plataformas privadas consultados não apresentam dados que sustentem a existência de um ranking nacional amplo no qual a capital paraibana ocupe o primeiro lugar, como sugere a declaração do candidato.
No feriado da Páscoa de 2026, por exemplo, João Pessoa apareceu em terceiro lugar entre os destinos nacionais mais buscados pelos brasileiros, segundo levantamento da Booking.com. Em outros períodos, ficou em 13º e 14º lugares em rankings divulgados pela Decolar.
Uma pesquisa nacional divulgada pelo Airbnb em 2026 também não sustenta a afirmação. O levantamento ouviu mil pessoas sobre intenções de viagem nos feriados e apresentou os destinos por regiões e estados, sem apontar João Pessoa como o destino mais desejado do país. No Nordeste, Bahia, Ceará e Pernambuco aparecem entre os estados destacados. Além disso, o levantamento mede intenção de viagem e não o número efetivo de turistas recebidos pelos destinos.
Outra pesquisa, da MindMiners, enviada pela assessoria de imprensa da empresa e publicada no g1, também não afirma que João Pessoa é o destino mais procurado do Brasil. O dado que coloca a capital paraibana entre os dez destinos em alta é do Airbnb e se baseia nas buscas realizadas na própria plataforma para o feriado de 7 de setembro.
Os dados oficiais disponíveis do Ministério do Turismo e analisados pela equipe de checagem também não apontam João Pessoa como “o destino mais procurado do Brasil”.
O levantamento “Tendências e percepções do Turismo no Brasil”, feito pela Nexus para o Ministério do Turismo, ouviu 2.503 pessoas em agosto de 2025 e avaliou o interesse dos brasileiros em visitar diferentes destinos turísticos. No ranking apresentado na pesquisa, João Pessoa não aparece entre os destinos avaliados. Além disso, o estudo mede o “grau de interesse em visitar”, em uma escala de 0 a 10, e não o número de buscas, reservas ou visitantes. Portanto, a pesquisa não sustenta a afirmação de que João Pessoa é o destino mais procurado do Brasil.
O Ministério do Turismo começou em setembro de 2026 a primeira Pesquisa Nacional de Demanda Turística (PNDT). O levantamento vai entrevistar cerca de 22,5 mil turistas em 50 municípios, incluindo João Pessoa e Cabedelo, e vai investigar aspectos como motivação da viagem, planejamento, fontes utilizadas para escolher o destino e experiência do turista. Isso indica que o Ministério ainda está construindo uma base nacional mais abrangente para medir a demanda por destino.
Dados do Ministério de Portos e Aeroportos também colocaram a cidade em sétimo lugar entre os destinos apenas no programa Voa Brasil, e não de forma geral.
Os dados de movimentação aérea mostram, por outro lado, que houve crescimento na Paraíba. A partir da planilha da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o comparativo dos voos domésticos de janeiro a agosto mostra que o estado passou de 1.293.912 passageiros, entre janeiro e agosto de 2025, para 1.414.080 no mesmo período de 2026, uma alta de 9,3%. Apesar do crescimento, a Paraíba aparece com o 19º maior volume de passageiros entre os estados brasileiros nos dois períodos.
O ranking de voos domésticos por estado está ordenado pela quantidade de passageiros/voos em 2026, comparando a evolução com 2025:

O QUE DIZ A ASSESSORIA DO CANDIDATO
Em nota, a assessoria do candidato Cícero Lucena informou que relatórios de tendências de viagens baseados em dados da Booking.com e da Expedia colocaram João Pessoa como a 3ª cidade mais procurada do mundo entre destinos internacionais.
Segundo a assessoria, estudos de plataformas de viagem, como o Kayak, indicaram que a capital paraibana ficou entre os destinos mais buscados por turistas do mundo para 2025, com grande aumento nas pesquisas por hospedagem.
Porém, a fala “João Pessoa é o destino mais procurado do Brasil” não é sustentada pelos estudos citados pela assessoria.
- Booking.com: João Pessoa está entre destinos em uma lista global de “destinos tendência” para 2025; isso não significa o mais procurado;
- Booking.com: 3º destino nacional mais buscado para o feriado de 7 de Setembro de 2026;
- KAYAK: 8º destino nacional mais buscado para voos entre setembro e novembro de 2026;
- KAYAK: 7º entre os destinos mais buscados para hospedagem entre setembro e novembro de 2026;
- Booking.com: 5º na baixa temporada de 2026.
Nenhuma dessas fontes estabelece João Pessoa como o destino mais procurado do Brasil. Elas mostram que a cidade aparece em diferentes listas de destaque e de buscas, mas com metodologia, período, público e posição diferentes.
Portanto, há evidências de crescimento do turismo e de forte procura por João Pessoa, que aparece com destaque em diferentes levantamentos. Esses dados, porém, são referentes a períodos, plataformas ou programas específicos e não demonstram que a capital paraibana seja, de forma geral, o destino mais procurado do Brasil. Por isso, a afirmação recebe a tarja incorreta.
Declarações de Efraim Filho (PL)

"Você que à noite precisar, foi assaltado, roubaram o seu carro, seu celular, você em João Pessoa só tem uma delegacia aberta que é lá no Geisel. Seja no Valentina, em Mangabeira, Cabo Branco, Manaíra… Onde você foi assaltado, tem que ir no Geisel fazer um Boletim de Ocorrência."
A INFORMAÇÃO É VERDADEIRA
A afirmação do candidato é verdadeira. Em João Pessoa, das 15 unidades com funcionamento 24 horas, a maioria funciona na Cidade da Polícia, no Geisel, na Zona Sul da capital paraibana. Uma exceção, por exemplo, é a 12ª Delegacia Distrital, em Manaíra, que atende o público em casos de crimes contra a vida.
De fato, caso a pessoa sofra algum roubo ou furto durante o período da noite em João Pessoa e queira fazer o Boletim de Ocorrência de forma presencial, é necessário se deslocar até a Cidade da Polícia.
Dessa forma, a declaração do candidato dizendo que em João Pessoa só tem o Geisel como opção para B.O no período da noite, caso de roubos e furtos, é verdadeira.

“Nós vamos convocar, por exemplo, os concursados da PB Saúde, que até hoje estão esperando.”
A INFORMAÇÃO É VERDADEIRA
A declaração do candidato encontra respaldo nos dados da Fundação PB Saúde. Desde a homologação do último concurso público da instituição, em abril de 2025, 859 aprovados foram convocados. O número corresponde a 60,9% das 1.410 vagas previstas no concurso.
Isso significa que ainda há aprovados aguardando convocação. Considerando o total de vagas previsto, 551, o equivalente a 39,1%, ainda não foram alcançadas pelas convocações informadas pela Fundação.
A fala de Efraim Filho não afirma que nenhum concursado foi chamado. O candidato diz que há concursados da PB Saúde que “até hoje estão esperando”. Nesse ponto, a declaração está correta: embora mais da metade das vagas já tenha sido objeto de convocação, parte dos aprovados continua à espera.
O concurso foi homologado em 9 de abril de 2025 e segue dentro do prazo de validade. Portanto, a PB Saúde ainda pode realizar novas convocações. Essa informação é importante para contextualizar a espera, mas não contradiz a declaração do candidato. O fato de o prazo ainda estar em vigor não muda a constatação de que há aprovados que ainda aguardam ser chamados.
"(...) vocês vêem, por exemplo, as mentiras que ele falou a respeito da Ponte do Futuro... Ela tá embargada!"
A INFORMAÇÃO NÃO É BEM ASSIM
A declaração precisa de contexto. Depois do acidente que vitimou um operário na segunda-feira, 21 de setembro, um inquérito do Ministério Público do Trabalho (MPT) foi aberto para investigar a situação. Posteriormente, um documento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) foi concluído na quarta-feira, 23 de setembro. Esse documento embargou um trecho da obra, especificamente onde aconteceu o acidente.
O trecho em questão que foi embargado foi em Cabedelo, nas imediações da praia do Jacaré e que segue até a Ilha Stuart. De acordo o MPT, foi o Ministério do Trabalho e Emprego que emitiu o laudo de cumprimento de embargo da obra e apontou várias irregularidades relacionadas ao trabalho em altura, como a falta de proteção da periferia em praticamente todos os lugares da obra; a ausência da chamada “linha de vida” (proteção para o trabalhador que está laborando em altura), andaimes irregulares, ferros amontoados e enferrujados ao longo da obra, com risco de quedas e acidente, podendo perfurar trabalhadores, além de várias outras irregularidades graves, com risco iminente de acidente.
Procurado pela equipe do Núcleo de Checagem, o Ministério Público do Trabalho na Paraíba confirmou que o embargo foi apenas no trecho onde aconteceu o acidente que, por ora, não há informações sobre novos embargos em trechos distintos.
De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER-PB), o embargo determinado restringe-se, exclusivamente, ao trecho referente à Praia do Jacaré (em Intermares) até a Ilha Stuart. As demais frentes de serviço, incluindo o canteiro de Cabedelo, a própria Ilha Stuart, o trecho de Livramento, os serviços de terraplanagem do Trecho 01 e a execução da Ponte da Guia, seguem com suas atividades funcionando normalmente.
Dessa forma, a declaração contém um elemento verdadeiro, que é a questão do embargo ter acontecido de fato, mas, a forma como foi falada pelo candidato, dá a entender que toda a obra da Ponte do Futuro, que acontece em diversas frentes nas cidades contempladas, estaria embargada, o que não é verdade. Por isso, a equipe de checagem classifica a afirmação como não é bem assim.
O QUE DIZ A ASSESSORIA DO CANDIDATO
Em resposta à equipe de checagem, a assessoria do candidato afirmou que “as informações sobre o embargo foram divulgadas pelo g1 em reportagem publicada em 24 de setembro de 2026, com base nos dados e documentos relacionados à fiscalização”.
Porém, a matéria referida do g1 Paraíba deixa claro que o embargo se limita ao trecho da obra onde aconteceu o acidente, inclusive, explicando a localização e extensão do trecho em questão. Como colocado acima, outras frentes de trabalho seguem em funcionamento.
"Reabrir delegacias 24h. É um absurdo que as delegacias na Paraíba fechem às 18h. Você que tá me escutando. Você tá ouvindo, escureceu, fecha delegacia na Paraíba. 95% das delegacias são fechadas na Paraíba, à noite, na hora que você e sua família mais precisam".
A INFORMAÇÃO É INCORRETA
A afirmação do candidato é falsa pois leva em consideração estatística desconhecida e os números não batem com os da Polícia Civil (PC). De acordo com a corporação, a Paraíba conta com 314 unidades da PC. Desse total, também de acordo com levantamento interno, 44 delegacias funcionam 24 horas. Dessas, 26 unidades são de atendimento público em geral e 18 são especializadas, como por exemplo as delegacias de atendimento à mulher.
Analisando os dados, chegamos à seguinte conclusão: 86% das delegacias do estado, de fato, só funcionam no horário comercial, ou seja, de 8h às 18h, de segunda a sexta. Apenas 14% das delegacias funcionam 24 horas na Paraíba.
Dessa forma, a declaração do candidato é falsa pois ele afirma que 95% das delegacias da Paraíba não funcionam a noite, o que não é verdade, como destacado acima. Por isso, a equipe de checagem classifica a afirmação como falsa.

O QUE DIZ A ASSESSORIA DO CANDIDATO
Em resposta à equipe de checagem, a assessoria do candidato afirmou que “a referência aos 95% traduz a dimensão apontada pelo candidato para a concentração do atendimento noturno. Essa realidade também pode ser observada diariamente nos registros e vídeos publicados nas redes sociais, que mostram delegacias fechadas durante a noite e a dificuldade de acesso presencial em diferentes localidades. Além disso, há registro jornalístico desse problema. O próprio Jornal da Paraíba já noticiou o fechamento noturno de 33 delegacias no estado, com a concentração dos plantões em outras unidades”, disse a assessoria do candidato.
Declarações de Lucas Ribeiro (PP)

“Nesse mês de agosto, tivemos mais um resultado positivo do Caged, inclusive um dos maiores do país”.
A INFORMAÇÃO É VERDADEIRA
Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, a Paraíba registrou saldo positivo de 8.852 empregos em agosto. Foram 29.463 admissões e 20.612 desligamentos no período.
Ainda segundo o Caged, a Paraíba teve o sétimo maior saldo de empregos entre os 26 estados e o Distrito Federal no mês citado. Os empregos do Caged são de cinco setores da economia: serviços, comércio, construção, indústria e agropecuária. Os empregos públicos não estão incluídos neste levantamento.
O resultado de agosto mantém uma sequência de saldos positivos na Paraíba. Segundo o Caged, o estado também registrou saldo positivo de cerca de 2 mil empregos em junho e de 2,3 mil em julho.
Confira abaixo o ranking completo do Caged para o mês de agosto de 2026:
- São Paulo: 721.578 admissões / 679.045 desligamentos = saldo: 45.533
- Rio de Janeiro: 160.788 admissões / 139.902 desligamentos = saldo: 20.886
- Pernambuco: 67.513 admissões / 54.085 desligamentos = saldo: 13.428
- Bahia: 94.195 admissões / 82.548 desligamentos = saldo: 11.647
- Minas Gerais: 242.639 admissões / 232.604 desligamentos = saldo: 10.035
- Ceará: 64.008 admissões / 54.713 desligamentos = saldo: 9.295
- Paraíba: 29.463 admissões / 20.612 desligamentos = saldo: 8.852
- Paraná: 173.438 admissões / 165.429 desligamentos = saldo: 8.009
- Pará: 46.711 admissões / 39.508 desligamentos = saldo: 7.203
- Rio Grande do Norte: 23.106 admissões / 18.216 desligamentos = saldo: 4.890
- Santa Catarina: 137.222 admissões / 132.770 desligamentos = saldo: 4.452
- Amazonas: 30.117 admissões / 26.223 desligamentos = saldo: 3.954
- Distrito Federal: 42.405 admissões / 79.636 desligamentos = saldo: 3.830
- Alagoas: 19.202 admissões / 15.411 desligamentos = saldo: 3.791
- Goiás: 83.132 admissões / 79.636 desligamentos = saldo: 3.496
- Maranhão: 25.201 admissões / 22.013 desligamentos = saldo: 3.188
- Sergipe: 14.457 admissões / 12.075 desligamentos = saldo: 2.382
- Piauí: 14.970 admissões / 13.087 desligamentos = saldo: 1.883
- Amapá: 5.773 admissões / 4.274 desligamentos = saldo: 1.499
- Tocantins: 12.417 admissões / 11.193 desligamentos = saldo: 1.224
- Mato Grosso do Sul: 35.084 admissões / 33.876 desligamentos = saldo: 1.208
- Acre: 4.936 admissões / 4.536 desligamentos = saldo: 400
- Roraima: 4.642 admissões / 4.396 desligamentos = saldo: 246
- Mato Grosso: 53.568 admissões / 33.876 desligamentos = saldo: 165
- Espírito Santo: 49.238 admissões / 49.525 desligamentos = saldo: -287
- Rondônia: 10.022 admissões / 14.945 desligamentos = saldo: -923
- Rio Grande do Sul: 123.928 admissões / 125.539 desligamentos = saldo: -1.611
De acordo com a equipe de assessoria de Lucas Ribeiro, o recorte que utilizaram para embasar a fala do candidato é de que a Paraíba aparece em primeiro lugar no ranking de maior crescimento do país no saldo de vagas sobre o estoque. O estado cresceu 1,59% entre julho e agosto de 2026 no índice analisado, superando estados como Amapá (1,38%) e Rio Grande do Norte (0,92%). O índice considera o crescimento proporcional do número de empregos em relação ao estoque de vagas. Já o saldo absoluto leva em conta apenas a diferença entre admissões e desligamentos.
“É o nosso governo que tirou do papel o projeto do Polo Turístico Cabo Branco. 40 anos que se falava nesse projeto, que se criaram esse projeto, mas nunca saiu do papel”.
A INFORMAÇÃO É VERDADEIRA
O primeiro governador a citar a construção do Polo Turístico de Cabo Branco foi Milton Bezerra Cabral em 1986. Na época, o político sancionou a Lei nº 4.895, que autorizou o uso da área prevista para a construção do polo na região. Veja o trecho da lei abaixo:

A obra, porém, só foi concretizada durante o primeiro governo de João Azevêdo, em 2019. Os editais foram divulgados no Diário Oficial do Estado (DOE-PB), no qual a Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (CINEP) realizou o chamamento de empresas para a implantação de hotéis e resorts no polo.

Em 2026, Lucas Ribeiro assinou o decreto para a instalação do 13º e mais recente empreendimento do Polo Turístico Cabo Branco. Veja o decreto assinado acima.
“Enquanto prefeito de João Pessoa [Cícero Lucena], você deixou muitas obras abandonadas, Parque da Cidade, Parque do Róger, são nove creches paradas”.
A INFORMAÇÃO NÃO É BEM ASSIM
A afirmação mistura obras e situações diferentes. O Parque do Róger teve uma determinação formal de paralisação, enquanto o Parque da Cidade também passou por períodos de suspensão judicial, mas teve a continuidade da obra autorizada posteriormente. Não houve abandono, como ressaltou o candidato. Já entre as nove creches citadas, oito constam como em andamento no sistema do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e apenas uma aparece como paralisada. Uma obra é considerada abandonada quando as atividades de construção são interrompidas por um longo período, sem manutenção, segurança e conservação.
Para verificar a declaração, foram consultados documentos oficiais da Prefeitura de João Pessoa, decisões do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) e informações do Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (SIMEC), do FNDE.
Parque do Róger
No caso do Parque do Róger, a Prefeitura de João Pessoa publicou, em 3 de julho de 2026, uma determinação de paralisação da execução física das frentes de trabalho vinculadas ao contrato administrativo nº 02.026/2023/UEP/SEGGOV.
O documento determinava a paralisação imediata das atividades de campo, com exceção de ações emergenciais de segurança. A medida estava relacionada ao contrato para as obras da 1ª etapa de recuperação e implantação do Parque Ambiental do Antigo Lixão do Róger.
“A UEP/SEGGOV [...] determina a PARALISAÇÃO IMEDIATA da execução física de todas as frentes de trabalho vinculadas ao Contrato Administrativo nº 02.026/2023/UEP/SEGGOV. O Consórcio Contratado deverá cessar imediatamente as atividades de campo, resguardando-se estritamente as ações emergenciais de segurança. [...] o contratado deverá paralisar as obras imediatamente, tornando o local da obra seguro e liberando-o tão logo seja possível”, diz trecho do documento.
Questionada pelo Núcleo de Checagem, a Secretaria de Meio Ambiente (Seman) informou que a obra do parque é acompanhada pela Unidade Executora do Programa João Pessoa Sustentável e que o projeto é dividido em dois eixos. Segundo a secretaria, um dos contratos foi cancelado por descumprimento do cronograma pela empresa responsável, enquanto o outro segue em andamento. A Seman, no entanto, não informou quando a parte da obra que teve o contrato cancelado deve ser retomada.
Parque da Cidade
O Parque da Cidade, no antigo Aeroclube, também passou por períodos de paralisação. Em setembro de 2024, o TJPB manteve uma decisão de primeira instância que havia determinado a suspensão da obra para a realização de estudos ambientais.
Em dezembro de 2024, o TJPB suspendeu uma decisão que havia autorizado a continuidade da construção. Em janeiro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão que determinava a paralisação.
A situação mudou em 23 de maio de 2025, quando o desembargador José Ricardo Porto, do TJPB, decidiu manter a continuidade das obras. A decisão restabeleceu os efeitos de uma decisão anterior de primeira instância que autorizava o prosseguimento do projeto.
De acordo com a Secretaria de Infraestrutura de João Pessoa (Seinfra), em resposta ao Núcleo de Checagem nesta quarta-feira (30), mesmo após a liberação judicial, a obra não foi retomada e permanece paralisada. Segundo a secretaria, a empresa responsável foi notificada por não cumprir o cronograma previsto e atualmente responde a um processo administrativo. Caso os serviços não sejam retomados, será necessária a realização de uma nova licitação para dar continuidade à obra. Apesar da paralisação, ainda não é considerada uma obra abandonada.
Creches
Para verificar a afirmação sobre as nove creches, foi consultado o SIMEC, sistema oficial do FNDE que permite acompanhar obras de educação financiadas pelo governo federal.
Na consulta às obras de creches do município de João Pessoa, oito das nove unidades citadas constam como em andamento e dentro do prazo, enquanto apenas uma aparece como paralisada.
As unidades em andamento são:
- Mangabeira VI — Creche Pré-Escola Tipo 2;
- Parque do Sol — Creche Pré-Escola Tipo 2;
- Bessa — Creche Pré-Escola Tipo 1;
- Cristo — Creche Pré-Escola Tipo 1;
- Gramame — Creche Pré-Escola Tipo 1;
- Paratibe III — Creche Pré-Escola Tipo 1;
- Jardim Cidade Universitária — Creche Pré-Escola Tipo 1;
- Gramame I/Vista Alegre — Creche Pré-Escola Tipo 1;
- Paratibe I — unidade também localizada na base do SIMEC.
A unidade que consta como paralisada é a Funcionários IV.
O próprio SIMEC, por exemplo, registra a obra de Gramame I/Vista Alegre como contratação vigente, com prazo de vigência até hoje, 30 de setembro de 2026.
A Seinfra de João Pessoa ainda informou ao Núcleo de Checagem nesta quarta (30) que a empresa abandonou a obra, houve a notificação por parte da pasta, que posteriormente abriu processo administrativo e houve a rescisão unilateral do contrato e punição. Foi realizado um novo certame que já foi homologado, assinado contrato e emitida as ordens de serviço. As obras das nove creches já estão em execução, informou a Seinfra.
O QUE DIZ A ASSESSORIA DO CANDIDATO
Segundo a assessoria do candidato, foi informado que as nove creches citadas foram incluídas na Ordem de Serviço nº 11.075/2023, assinada em dezembro de 2023, com prazo previsto para conclusão em junho de 2025. Segundo a assessoria, as nove unidades foram visitadas em setembro de 2026.
Segundo a assessoria, a ordem de serviço integra o Contrato nº 11.089/2023, da Concorrência Pública nº 11.022/2023, no valor de R$ 60.106.394,47. O contrato também prevê a construção de três escolas, nos bairros de Gramame I, Geisel e Cidade Verde. De acordo com a assessoria, duas dessas obras estão com os terrenos vazios.
Sobre o Parque da Cidade, a assessoria informou que o secretário executivo de Infraestrutura, Luciano Pereira, confirmou, em entrevista à rádio CBN realizada em 17 de setembro de 2026, que as obras estão paradas.
Já em relação ao Parque do Róger, a assessoria afirmou que realizou uma visita ao local em setembro e não encontrou trabalhadores nem sinais de atividades recentes.
“70% do nosso PIB está fora da grande João Pessoa. Está fora de João Pessoa porque nós temos espalhado o desenvolvimento”.
A INFORMAÇÃO É INCORRETA
Durante o debate entre os candidatos ao governo da Paraíba, o candidato Lucas Ribeiro afirmou que “70% do nosso PIB está fora da Grande João Pessoa” e atribuiu esse resultado à distribuição do desenvolvimento pelo estado.
Para verificar a afirmação, foram utilizados dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2023. O indicador adequado para essa comparação é o PIB a preços correntes, que corresponde ao valor total de bens e serviços finais produzidos em determinado período.
Considerando como “Grande João Pessoa” os 12 municípios utilizados nesta checagem, João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Conde, Cruz do Espírito Santo, Lucena, Mamanguape, Rio Tinto, Santa Rita, Alhandra, Caaporã e Pitimbu, a soma dos PIBs chega a R$ 45.431.194.295. O valor corresponde a aproximadamente 46,9% do PIB da Paraíba em 2023. O estado registrou PIB de R$ 96.963.174.000 no mesmo ano. Dessa forma, os demais municípios paraibanos responderam por aproximadamente 53,1% do PIB estadual. O levantamento foi analisado em conjunto com o Conselho Regional de Economia da Paraíba (Corecon-PB).
- João Pessoa - R$ 28.442.130,794
- Bayeux - R$ 1.899.000,35
- Cabedelo - R$ 4.092.777,006
- Conde - R$ 1.648.300,158
- Cruz do Espírito Santo - R$ 253.013,254
- Lucena - R$ 279.943,95
- Mamanguape - R$ 1.086.800,044
- Rio Tinto - R$ 393.103,959
- Santa Rita - R$ 3.163.543,763
- Alhandra - R$ 3.148.252,077
- Caaporã - R$ 545.157,242
- Pitimbu - R$ 479.171,698
- PIB Paraíba - R$ 96.963.174
Ou seja, considerando esse recorte, o percentual de 70% citado pelo candidato não é confirmado pelos dados do IBGE. Para chegar aos 70% mencionados no debate, seria necessário utilizar outro recorte territorial ou outra metodologia de cálculo.
O QUE DIZ A ASSESSORIA DO CANDIDATO
A assessoria do candidato informou que João Pessoa responde por 29,33% do Produto Interno Bruto (PIB) da Paraíba, enquanto os demais municípios do estado representam os outros 70,67%. A assessoria informou ainda que o percentual foi calculado a partir dos dados municipais divulgados pelo IBGE, considerando a relação entre o PIB de João Pessoa e o PIB total da Paraíba.
Na declaração, o candidato não se referiu especificamente ao PIB de João Pessoa, que, de fato, representa cerca de 30% do PIB estadual. A fala foi sobre a “Grande João Pessoa”. Nesse caso, tanto considerando os 12 municípios que integram a Região Metropolitana quanto apenas as cidades que fazem limite geográfico com a capital, a participação no PIB da Paraíba é significativamente maior do que a indicada pelo candidato.
Como foi feita a checagem?
Para classificar as declarações, o Jornal da Paraíba utilizou três etiquetas:
- “A INFORMAÇÃO É VERDADEIRA”: usada quando os dados e informações apresentados pelo candidato são confirmados pela apuração;
- “A INFORMAÇÃO É INCORRETA”: aplicada quando a declaração é contrariada por dados, documentos ou informações verificadas pela reportagem;
- “A INFORMAÇÃO NÃO É BEM ASSIM”: utilizada quando a fala apresenta informações corretas, mas fora de contexto, incompletas ou que precisam de esclarecimentos adicionais para uma compreensão mais precisa do tema.
As assessorias dos candidatos foram procuradas pelo Jornal da Paraíba e receberam as informações levantadas pela reportagem, com espaço para apresentar esclarecimentos ou contestar as conclusões da checagem. As respostas enviadas pelas assessorias estão apresentadas nos respectivos tópicos de cada fala checada.
*Participaram da checagem os jornalistas Erickson Nogueira, Mayara Medeiros, Alisson Correia, Gabriella Loiola, Guilherme Bezerra, além da estudante Caren Braga, sob supervisão do jornalista Laerte Cerqueira.


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