Padre George corta supersalários no Hospital Padre Zé, promove demissões e anuncia portal da transparência

Padre George disse que a nova administração trabalha para resgatar a imagem e a saúde financeira da instituição, abaladas pelo escândalo envolvendo o antigo diretor do local, Padre Egídio.

Padre George em entrevista à CBN João Pessoa / Foto: Angélica Nunes

O atual diretor do Hospital Padre Zé disse, nesta sexta-feira (24), em entrevista à CBN João Pessoa, que algumas medidas estão sendo implementadas para melhorar a transparência dos recursos públicos e das doações repassadas à unidade. Uma das medidas é implantação de portal da transparência, que deve ser inaugurado até o fim deste ano.

Segundo Padre George, a nova administração trabalha para resgatar a imagem do hospital e, ao mesmo tempo, a saúde financeira da instituição, que foi abalada pelo escândalo envolvendo o antigo diretor do local, Padre Egídio, que segue preso preventivamente no âmbito da Operação “Indignus”, deflagrada pelo Ministério Público.

Aos jornalistas Felipe Nunes e Carla Visani, ele disse que as providências estão baseadas na economicidade, com a contenção de despesas, incluindo a corte de supersalários para funcionários do hospital e de gratificações e a implantação de um programa de demissões. “Determinadas pessoas ganhavam de R$ 25 a R$ 30 mil, o que é incompatível com um hospital filantrópico”, explicou.

Transparência

Ainda segundo Padre George, “no hospital não havia gestão, mas sim uma bagunça generalizada”, que funcionava como estratégia para “disfarçar” a corrupção e os desvios de recursos públicos que chegavam ao hospital.

Para mudar esse paradigma, o padre informou que deve implantar um portal da transparência que aponte de forma “clara e objetiva” como são feitos os gastos de recursos dentro do hospital.

Vamos disponibilizar um Portal da Transparência, numa linguagem popular e eficiente, para que o paraibano entenda a utilização dos recursos.

O próximo desafio é regularizar o Cebas (Certificado de Entidade Beneficente), documento que classifica a natureza filantrópica da unidade e que permite o recebimento de emendas parlamentares.  “Sem esse documento o hospital fecha”, informou.

Estamos colocando à frente da administração do hospital pessoas capacitadas e estou feliz com a equipe que temos.

Situação preocupante

Padre George classificou como delicada a situação financeira da unidade. Na entrevista à CBN, ele disse que o cenário foi agravado pela contratação de dois empréstimos, que totalizam R$ 13 milhões, feitos pelo Padre Egídio, e que a atual direção tenta uma negociação com os bancos.

Por causa desses empréstimos, os recursos arrecadados mensalmente pelo hospital, oriundos de ajuda financeira da Prefeitura de João Pessoa e do Governo do Estado, em torno de R$ 1,1 milhão, não são suficientes para bancar os empréstimos e os custos do hospital.

De acordo com a nova direção, o déficit mensal gira em torno de R$ 500 mil.

Doações espontâneas

O escândalo provocado pela antiga direção da unidade levou a uma queda brusca em doações mensais da população. Antes, os recursos doados de forma espontânea chegavam a R$ 30 mil, e agora os recursos não passam de R$ 15 mil. Padre George contou que essa aferição foi feita pelo setor de telemarketing do hospital.

Apesar da queda, a unidade tem sido beneficiada por campanhas de religiosos, pessoas da sociedade civil e empresários, que de forma anônima, têm contribuído com a gestão do local.

Nós precisamos de ajuda e graças a Deus com essa ajuda pagamos o salários dos médicos em agosto. Com a venda de um carro, pagamos setembro, mas  folha de outubro está atrasada. Por favor, nos ajude, nós precisamos.

Na entrevista, Padre George também falou sobre o encontro com a ministra Nísia Trindade, ocorrido nesta quinta-feira (23), em João Pessoa, e revelou que terá uma reunião pessoal com a auxiliar do Governo Federal, em Brasília, para discutir a obtenção de recursos.