João Paulo Medeiros

A saída de Ana Cláudia do evento do Governo, em Campina, e um ‘novo 1998’

Veneziano e João Azevêdo. Foto: Ascom
Veneziano e João Azevêdo. Foto: Ascom

Ainda é cedo para afirmar, categoricamente, que sim. Mas os indícios de que o episódio de hoje, envolvendo a secretária Ana Cláudia Vital, marcará um ‘novo 1998’, em Campina Grande, são muitos. Isso porque, nos dois casos, os fatos surgem como um ‘estopim’ para mudanças que vinham sendo desenhadas há tempos, em relações estremecidas dentro de um mesmo agrupamento político.

No dia 21 de março de 1998, no Clube Campestre, os ex-governadores José Maranhão e Ronaldo Cunha Lima, ambos já falecidos, viveram um ‘racha’ público que ficou marcado na história política do Estado.

Os dois, na época, lutavam pelo comando do PMDB e, por consequência, pelo protagonismo político estadual.

Hoje, durante uma agenda alusiva ao aniversário de Campina Grande, a esposa do senador Veneziano Vital (MDB) abandonou a solenidade do governador João Azevêdo (Cidadania) depois de não ter sido convidada para compor a mesa de autoridades.

O fato parece simples.

Poderia, claro, ter sido motivado por uma falha no cerimonial ou algo dessa natureza. E, sozinho, não teria força para impulsionar um rompimento político entre o Veneziano e Azevêdo.

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Mas outras circunstâncias e desdobramentos dizem o contrário.

O episódio ocorre num momento em que o nome do senador é lembrado como alternativa para a disputa pelo Palácio da Redenção e as declarações dadas pelas partes, após o fato, acentuam que o ‘evento’ não foi por acaso.

Azevêdo, por exemplo, minimizou a situação e disse que outros secretários também estavam fora da mesa. Confirmando, por conseguinte, que não foi um lapso do cerimonial do Governo.

Veneziano reagiu duramente, sem qualquer intenção de amenizar os danos.

Some-se a isso as divergências entre os dois (Azevêdo e Veneziano) quanto à montagem da chapa majoritária de 2022.

O governador vem defendendo a postergação do processo. O senador antecipou o apoio ao deputado Efraim Morais (DEM); além dos acenos frequentes de membros do MDB defendendo o nome de Veneziano para a disputa – sem qualquer reconsideração feita pelo senador.

Como disse no início, a ‘mesa da amargura’ de hoje pode ter sido uma repetição, mais moderada, do racha entre Maranhão e Ronaldo em 1998.

Campina, às vésperas de seus 157 anos, contará essa história…