João Paulo Medeiros

Operação Bleeder: grupo no WhatsApp discutia ‘rateio’ de obras hídricas na Paraíba

Obras fiscalizadas ultrapassam o montante de R$ 79 milhões

Foto: Ascom
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A Operação Bleeder, desencadeada hoje pela Polícia Federal, MPF e CGU na Paraíba, teve início a partir de uma colaboração premiada e da descoberta de um grupo, no WhatsApp, em que os integrantes discutiam o ‘rateio’ e os detalhes de licitações de obras hídricas a serem executadas no Estado. O grupo era denominado de ‘Os 3’, conforme o MPF.

Foi a partir da análise das mensagens, do depoimento do colaborador e de outros indícios que os investigadores aprofundaram a investigação. A ação é um desdobramento da Operação Recidiva.

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De acordo com o MPF, as supostas fraudes licitatórias investigadas eram capitaneadas, em grande parte, pelo engenheiro João Feitosa Leite, falecido vítima de complicações da covid-19 em abril deste ano. Mas o suposto ‘esquema’ teria tido continuidade.

Ele atuaria em algumas obras como engenheiro responsável pela elaboração do projeto, fiscal (contratado pelo município) e executor da obra pública, utilizando-se de empresas de fachada.

Para isso, conforme a representação do MPF, o grupo contaria com a ajuda do servidor do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), em Brasília, Celso Mamede Lima.

Agentes da Polícia Federal monitoraram viagens dele à Paraíba, encontros com o engenheiro João Feitosa e emails trocados entre os dois.

“Celso Mamede Lima realizou cinco viagens a serviço para a Paraíba, sendo a última delas realizada entre 06/12/2020 e 17/12/2020, aos municípios paraibanos de Parari, São José dos Cordeiros, São Bento, Brejo do Cruz e São José de Caiana, justamente locais que estavam acontecendo obras chefiadas por João Feitosa. Ele também fez viagem entre 08/03/2020 a 14/03/2020, na qual visitou os municípios de Riachão do Bacamarte, Gado Bravo, Brejo do Cruz, São Bento e São José de Caiana, cuja viagem foi acompanhada pela Polícia Federal e gerou o Relatório de Informação IT nº 02/2020, tendo sido recepcionado no Aeroporto de João Pessoa por João Feitosa no dia 08.03.2020 e viajaram juntos para a suposta vistoria no açude de Gado Bravo, em 09.03.2020, onde permaneceram apenas 20 minutos; e, no dia 12.03.2020, eles foram localizados em Ibiara/PB, onde João Feitosa possui uma fazenda e ele pernoitou entre 12 e 13 de março de 2020, o que evidencia elevado grau de intimidade entre ambos, conforme relatório da Polícia Federal”, relata a decisão que determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

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O blog ainda não conseguiu contato com os advogados da família do engenheiro João Feitosa Leite, nem com a defesa do servidor Celso Mamede.

A Operação Bleeder

A investigação cumpriu 34 mandados de busca e apreensão nas cidades de João Pessoa, Campina Grande, Patos, Paulista, Pombal e Juazeiro do Norte/CE, expedidos pela 14a Vara Federal de Patos.

Conforme levantamento feito pela CGU, as obras investigadas totalizam, aproximadamente, 79 milhões de reais, tendo sido constatados indícios de sobrepreço e superfaturamento nos montantes de 13,3 e 8,2 milhões de reais, respectivamente.

Foram realizadas fiscalizações pela CGU em relação às obras de açudes e barragens nos Municípios de Aguiar, Brejo do Cruz, Emas, Gado Bravo, Ingá, Itaporanga, Pedra Branca, Riachão do Bacamarte, Santana de Mangueira, São Bento e São José de Caiana, todos na Paraíba, assim como realizados levantamentos de dados em relação a obras dos municípios paraibanos de Aguiar, Alcantil, Bananeiras, Monteiro, Parari e Serra Grande.