João Paulo Medeiros

TJPB prorroga afastamento de prefeito e poderemos ter um ‘segundo Dinaldinho’ na Paraíba

Prefeito deve continuar afastado por mais 6 meses

Foto: Ascom

O prefeito da cidade de Camalaú, Alecsandro Bezerra dos Santos (PSDB), continuará por mais 180 dias afastado da prefeitura. A decisão é do desembargador Arnóbio Alves Teodósio, do Tribunal de Justiça da Paraíba. O gestor, que foi reeleito nas urnas ano passado, enfrenta pelo menos duas denúncias graves na Justiça.

Em uma delas é acusado de fraudes no aluguel de veículos para a prefeitura. Na outra é denunciado por, supostamente, ter pedido propina na hora de contratar uma banda. 

As duas acusações são gravíssimas e o afastamento é, por demais, pertinente e necessário.

Mas uma outra questão precisa começar a ser discutida. É necessário que o processo seja julgado pela Justiça, assim como outras ações penais – de outras grandes operações por corrupção e desvios – que tramitam no Judiciário paraibano há anos, sem um desfecho.

Os processos precisam ter início, meio e fim. Caso contrário deixam na população a sensação de que nada foi resolvido, ao mesmo tempo em que colocam uma ‘espada’ sob a cabeça dos investigados por anos.

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No caso de Camalaú, o prefeito está afastado do cargo desde agosto de 2020. A situação faz lembrar o ex-prefeito de Patos, Dinaldinho Wanderley, que permaneceu praticamente durante todo o mandato longe da prefeitura por uma decisão judicial.

O processo de Dinaldinho, contudo, ainda tramita na Justiça. Foi enviado para primeira instância, ao fim do mandato.

É justo que lembremos que, nesse tipo de ação penal, as circunstâncias e os fatos são complexos. Via de regra as investigações chegam a dezenas de investigados, o que torna a tramitação dos processos mais demorada.

Mas há casos que ultrapassam esse limite. A Operação Pão e Circo, por exemplo, foi deflagrada em 2012. Até hoje as ações permanecem sem desfecho. O risco de prescrição é alto…

Em Camalaú, Alecsandro Bezerra já poderia ser chamado de o ‘segundo Dinaldinho’. Até agora não conseguiu sentar na cadeira no segundo mandato. Que o afastamento seja cumprido. As denúncias são graves, como já disse. Mas que os processos dele e de outros sejam julgados. É isso que a sociedade espera.