João Paulo Medeiros

Empresas de ônibus de Campina Grande adotam política suicida e prefeitura estuda intervenção no sistema

Moradores de Distritos estão sem ônibus desde o fim da semana passada

Terminal de Integração de Passageiros em Campina Grande -Foto: Artur Lira/TV Paraíba
Terminal de Integração de Passageiros em Campina Grande -Foto: Artur Lira/TV Paraíba

Desde o fim da semana passada os moradores de alguns dos distritos de Campina Grande estão em pânico. De uma hora para outra, eles descobriram que não teriam mais ônibus do sistema de transporte público da cidade circulando pelas comunidades. O serviço foi suspenso, inicialmente sem nenhuma explicação, pelas empresas do setor. Uma política completamente suicida.

E digo isso porque, nos tempos atuais, não é razoável suspender um serviço essencial – como é o transporte público – sem diálogo; ou pelo menos um aviso prévio.

Sobretudo quando esse serviço é oriundo de um contrato de concessão, como é o caso.

Fazer isso é abandonar a população. É desconsiderar aqueles que mantêm a atividade em funcionamento. A prática apenas aprofunda a crise do setor e afasta, ainda mais, a possibilidade de retorno do usuário.

Outros desdobramentos

Ainda no sábado a Justiça determinou, a pedido da STTP, o restabelecimento da circulação dos veículos nas localidades. O serviço, contudo, até hoje não foi restabelecido.

Somente ontem, domingo, o Sindicato das Empresas resolveu explicar as razões da decisão de suspender o serviço. Em linhas gerais, a entidade acusou a prefeitura de não repassar integralmente os R$ 0,55 por passageiro – pagos através de subsídio.

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Hoje o prefeito Bruno Cunha Lima rebateu. Ele disse que o valor que deve ser custeado pelo município não é fixo. Varia de acordo com a necessidade de manter o “equilíbrio financeiro” do sistema.

Como o número de passageiros cresceu, após a retomada das universidades e de outras atividades, ampliando o faturamento das empresas, o poder público diminuiu os repasses.

Em fevereiro, por exemplo, repassou mais de R$ 300 mil em subsídio. No mês seguinte, com a melhoria do quadro, reduziu para pouco mais de R$ 100 mil – conforme os dados da STTP.

“Se você tem crescimento de receita, porque mais pessoas voltaram para o Sistema, e a manutenção do custo, necessariamente precisa de menos dinheiro público injetado”, argumentou o prefeito. A tese é por demais óbvia e lógica.

A prefeitura estuda decretar intervenção no setor. Ou seja: assumir temporariamente o funcionamento do sistema até que uma nova licitação seja feita. É tudo o que, no fim das contas, as empresas não desejam.

Cenário atual

A fotografia do momento é desoladora. E não é de agora. O Sitrans adota uma política de comunicação da idade da pedra. Falta diálogo com a população campinense. Uma estratégia insana. Uma política que afasta, dia após dia, aqueles que ainda utilizam o sistema.