Equivocada, decisão por exonerações coletivas numa sexta à noite provoca pânico em servidores de Campina

Prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima. Foto: Angélica Nunes

A decisão de adotar uma exoneração coletiva e dispensar servidores contratados por excepcional interesse público, adotada pelo prefeito Bruno Cunha Lima (PSD), pode ser justificável. Diante da crise financeira propagada pelos municípios e, também, do cenário político que vem se desenhando hoje na cidade, ela é plenamente possível.

O prefeito tem poder discricionário sobre a ocupação de espaços dentro da gestão. Isso é indiscutível.

Mas a forma como o processo foi feito é equivocada.

As medidas começaram a ser publicizadas pela gestão em uma noite de sexta-feira. Aliás, não em sua totalidade.

A informação sobre a exoneração coletiva, atingindo a quase totalidade dos cargos em comissão, além dos prestadores de serviço, só ficou clara na manhã de hoje – com a publicação do Semanário Oficial.

Como consequência do método escolhido, centenas de servidores e prestadores de serviço entraram em pânico.

E não é para menos. Ser acordado com uma informação dessa é enlouquecedor para muitos que dependem do trabalho – como única forma de sustento.

Na prefeitura, apenas vinculados por contratos de excepcional interesse público, são mais de 9 mil. Além de 400 cargos em comissão.

A repercussão negativa foi tamanha que, no início da tarde, a Secretaria de Administração do município precisou divulgar uma nota tranquilizando os servidores.

Uma entrevista coletiva foi marcada com o prefeito para a próxima segunda-feira.

Estrategicamente, essa coletiva deveria ter precedido as exonerações coletivas. E não o contrário. Poderia, talvez, ter evitado o ‘tsunami’ de críticas.

Surfando na onda do equívoco, a oposição divulgou uma nota dura, classificando de “cruel” as dispensas.

E fato é que independente dos motivos que levaram à necessidade de adoção das medidas – e isso deverá ser objeto da coletiva de segunda – a gestão pisou na bola. Errou feio. Criou um desgaste desnecessário a um ano do processo eleitoral de 2024.

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Prefeitura de Campina Grande – Foto: Divulgação