Hospital Padre Zé: depois de pedir para ser ouvido, padre vai ao Gaeco e fica em silêncio

Investigado na Operação Indignus, que apura desvios no âmbito do Hospital Padre Zé, o padre Egídio de Carvalho Neto compareceu hoje ao Gaeco. Ele, no entanto, permaneceu em silêncio durante o depoimento. A postura causa estranheza, já que semanas atrás ele compareceu ao Ministério Público pedindo, segundo a defesa, para ser ouvido e demonstrando interesse em colaborar com as investigações.

Na época ele compareceu ao Gaeco sem agendamento.

Na última segunda-feira o juiz da 4ª Vara Criminal de João Pessoa negou o pedido de prisão preventiva feito pelos investigadores contra o investigado e mais duas pessoas.

Ao Blog Conversa Política, a defesa do padre afirmou que foi surpreendida com o pedido de prisão preventiva e, agora, optou por manter-se em silêncio. A defesa diz que quer, primeiro, ter acesso aos fundamentos do pedido.

A decisão e o pedido

Os três foram alvos recentes de busca e apreensão durante a primeira fase da Operação Indignus.

Após a análise do material apreendido na primeira fase os investigadores identificaram mais indícios da prática de desvios e de confusão entre o patrimônio das entidades e de investigados. Há também suspeitas de pagamento de propina e de compra de bens por parte do Hospital, que teriam sido repassados a terceiros. 

A investigação descobriu, por exemplo, que o ex-diretor padre Egídio teria recebido mais de R$ 4,4 milhões em transferências de contas das instituições para suas contas pessoas, no período de 2021 a 2023; assim como cerca de R$ 3 milhões em pagamentos em espécie e outras transferências.

Há ainda o relato de que ele seria dono, de fato, de pelo menos 29 imóveis – e de utensílios caros que não seriam compatíveis com os seus rendimentos. Alguns dos imóveis foram visitados pelo Gaeco na primeira fase da Indignus.

Hospital Padre Zé: depois de pedir para ser ouvido, padre vai ao Gaeco e fica em silêncio

Apesar das suspeitas, na decisão o magistrado considerou não existirem fundamentos para decretação das prisões preventivas.

O juiz foi o mesmo que determinou a prisão de Samuel Segundo, ex-funcionário do hospital, no caso em que apura o furto de aparelhos celulares da instituição. Ele foi solto posteriormente após a decretação de medidas cautelares. 

Um levantamento feito pelo Blog Conversa Política, do Jornal da Paraíba, mostra que somente nos últimos 5 anos foram R$ 290 milhões em emendas e programas direcionados ao hospital e também ao trabalho de assistência social desenvolvido.