PLENO PODER
Quebra do sigilo de Flávio Bolsonaro: entenda as 19 exigências feitas
Condições impostas pela campanha do senador deve inviabilizar a abertura do sigilo antes do domingo de eleição.
Publicado em 22/10/2026 às 13:32

As campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se voltaram em torno de um tema em comum: a quebra dos sigilos telefônico e bancário dos dois candidatos. A medida foi proposta pelo atual presidente em tom de desafio para o senador.
Depois do compromisso de Lula, que protocolou ao TSE um ofício permitindo a quebra do seu sigilo desde que seu adversário fizesse o mesmo, Flávio Bolsonaro decidiu colocar 19 condições para autorizar a quebra dos seus sigilos bancário e telefônico.
Entre as condições impostas por Flávio Bolsonaro estão a apresentação de informações sobre empresas ligadas a Lula e seus aliados, dados sobre uma possível relação entre o Governo e o banqueiro Daniel Vorcaro e o relatório dos gastos com o cartão coorporativo feitos pela Presidência da República.
A campanha de Lula disse que não se opõe às condições impostas por Flávio. No entanto, o atual presidente insiste que o senador inclua, na sua quebra de sigilo, os dados da empresa Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira e de propriedade do advogado Willer Tomaz, apontado como amigo próximo do filho de Jair Bolsonaro.
A petição de Lula diz que a Polícia Federal encontrou registros indicando que Flávio figurava como "usuário master" da conta da Alcazar em um banco privado, vínculo que teria sido desfeito apenas em maio de 2025, após o início da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS.
Flávio aguarda análise dos dados de Lula e indica Dallagnol como analista
A advogada da campanha de Flávio Bolsonaro, Maria Claudia Bucchianeri, afirmou, nesta quinta-feira (22), que o senador só pretende apresentar os seus dados bancários e telefônicos após uma analise dos documentos apresentados por Lula.
A mera sinalização de espera já indica que dificilmente haverá a quebra do sigilo de Flávio, pelo menos com uma análise detalhada, antes do domingo de eleição. Além disso, a campanha do senador espera que os dados de Lula sejam apresentados com o recorte desde o seu primeiro mandato, iniciado em 2003.
"Nós pedimos que o sigilo não seja de 8 anos. Precisamos dar um passo além, Lula está no poder há 20 anos. Precisamos saber o padrão de vida do casal presidencial. A gente precisa verdadeiramente de uma transparência. Queremos os telefones que eram usados", afirmou Bucchianeri
Para analisar os dados apresentados por Lula, Flávio Bolsonaro indiciou o senador eleito Deltan Dallagnol, que era procurador da República e coordenou a força-tarefa da Operação Lava Jato.
Veja todas as 19 exigências feitas pela campanha de Flávio
Empresas e pessoas ligadas à família de Lula
- Empresas nacionais e sociedades offshore de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - o senador pede a quebra dos sigilos bancário, desde 2003, do filho do presidente, de sua mulher, Renata de Abreu Moreira, e de empresas nacionais ligadas a ele;
- Empresas de Sandro Luís e Marcos Cláudio Lula da Silva, também filhos de Lula
- Empresas de Fernando Bittar, sócio de Lulinha;
- Empresas dos demais filhos de Lula como Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Cláudio Lula da Silva;
- Quebra de sigilo do Instituto Lula e de Paulo Okamotto que foi presidente do instituido por anos.
Relações do governo com Daniel Vorcaro
- Registros de visitas a Vorcaro durante sua custódia na Polícia Federal
- Planos de voo e passageiros de aeronave atribuída a Vorcaro na semana de sua prisão, em novembro de 2025;
- Relação de participantes e todos os registros do encontro entre o presidente e o banqueiro, realizado em 4 de dezembro de 2024;
- Entradas de Vorcaro e seu intermediários nos palácios do Planalto e Alvorada;
- Registros de entrada de Guido Mantega e Augusto Lima no Planalto;
- Sigilos de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.
Roberta Luchsinger e o caso do INSS
- Visitas de Roberta Luchsinger ao Planalto e ao Alvorada;
- Voos da FAB com Roberta Luchsinger
- Reuniões da lobista em órgãos federais;
- Sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula;
- Sigilos de Frei Chico, irmão de Lula, e do Sindnapi, sindicato supostamente envolvido no escândalo do INSS;
Despesas custeadas com dinheiro público
- Gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023;
- Agenda de Janja, visitas dos filhos de Lula, helicópteros e gastos do Alvorada.
A 'guerra dos sigilos' embala a reta final da campanha e marca as vésperas dos últimos grandes eventos que podem ser decisivos nas últimas horas da corrida eleitoral: o último debate entre Lula e Flávio, promovido pela Globo; e a divulgação das últimas pesquisas Quaest e Datafolha de intenção de voto.
Texto: Gabriel Abdon

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