POLÍTICA
PT não aceita imposição de plano de trabalho do PSB na PMJP
PT e PSB não se entendem sobre ocupação de espaços na gestão de Luciano Cartaxo.
Publicado em 14/01/2015 às 7:08 | Atualizado em 29/02/2024 às 10:31
O presidente estadual do PT, Charliton Machado, disse que o partido não vai aceitar a imposição de nenhum plano de trabalho elaborado pelo PSB para a Prefeitura de João Pessoa. Os pessebistas se reuniram ontem para discutir a participação da legenda na gestão do prefeito Luciano Cartaxo (PT). Segundo o vereador Renato Martins (PSB), um documento com as propostas do PSB será homologado na reunião da executiva do próximo dia 28, o que foi negado pelo presidente do diretório municipal do PSB, Ronaldo Barbosa.
Há divergências também entre outros correligionários quanto à participação do partido no governo petista. Renato Martins disse que a primeira proposta aprovada seria a de climatização do transporte urbano de João Pessoa. A pauta, segundo o vereador, teria sido iniciada em reunião realizada na Granja Santana com o governador Ricardo Coutinho (PSB).
Segundo ele, o governo do Estado participaria reduzindo o Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “Já temos a proposta que a aliança viabilize a climatização dos ônibus. O governo diminui o ICMS e a prefeitura facilita para que os empresários possam implementar, sem passar o preço à população. Caso se concretize, será a primeira vitória da aliança”, disse.
A declaração alterou os ânimos do presidente do PSB/JP, Ronaldo Barbosa, que negou qualquer elaboração de documento com vistas a confecção de propostas de modificação do plano de governo de Cartaxo. “A reunião (de ontem) foi para avaliação da reforma administrativa. Se alguém falou em nome do PSB não falou correto, quem fala em nome do PSB é o presidente, que sou eu. Não temos intenção de apresentar nenhum plano de trabalho. A única coisa que tem clara no PSB é que vamos apoiar Cartaxo. Qualquer intromissão no projeto de governo do PT, eleito em 2010, seria até antiético”, justificou.
Ao saber da declaração de Ronaldo Barbosa, o vereador Renato Martins tachou o presidente de desmemoriado. “Acho que o presidente ou não tem memória ou talvez esteja muito envolvido em outras atividades. Existe, sim, um conjunto de proposta, que se conclui no dia 28 de janeiro, e uma dessas é a da climatização. É um plano de trabalho que servirá de base para a aliança, que não vai ter como base cargos, mas um plano de governo em comum, que pode ou não envolver troca de cargos”, disse.
Apesar das arestas, Martins acredita que não esteja havendo instabilidade no partido e defende que as negociações sejam feitas abertamente à sociedade. “Há muitas legendas. Nesse momento, com relação a indicação de nome, essa não foi a pauta que acabou sendo hegemônica, mas a nossa de apresentar propostas. Essa é a situação que é mais capaz de aglutinar os interesses. Se é para fazer esse teatro eu estou fora. Eu particularmente votei na chapa pela aliança e se ele está participando desse teatro, terá que responder à sociedade”, afirmou.
Independente das divergências internas, o presidente do PT/PB espera que a aliança entre as duas legendas seja mantida e disse aguardar as propostas para avaliar se serão aproveitadas pelo prefeito Luciano Cartaxo. “Sugestão todos os partidos aliados podem dar ao nosso governo, não é nada que traga prejuízo ao nosso governo. Agora, plano de governo quem executa é quem ganha eleição. Estamos em execução de um plano de governo que foi aprovado nas urnas em 2012, do mesmo modo que Ricardo Coutinho começa a executar um plano de governo que foi aprovado em 2014”, argumentou.
MULHERES DIVERGEM
Sandra Marrocos (PSB), atualmente presidente da Fundação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente “Alice de Almeida” (Fundac), defende que o PSB participe da gestão de Cartaxo ocupando cargos e secretarias de governo. “Tivemos uma aliança vitoriosa nas últimas eleições, na qual gerou a participação do PT em duas secretarias no governo de Ricardo Coutinho, então nada mais justo”, defendeu.
Já a deputada estadual eleita Estela Bezerra (PSB) entende que o PSB não deve participar nem com cargos nem com intervenção direta no plano de governo de Cartaxo. “Como não participamos da eleição de 2012, inclusive saímos com candidatura própria, eu não vejo uma obrigatoriedade de estar compondo a administração municipal, que já passa de mais de 50% da sua gestão, mas há uma obrigação política de fortalecer toda ação que produza bem-estar à população, através de uma ação conjunta”, afirmou Estela.

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