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POLÍTICA

Roberto Santiago tentou atrapalhar investigações da 'Xeque-Mate' cooptando testemunhas, diz PF

Após a audiência de custódia, ele foi levado para 1º Batalhão de Polícia Militar, no Centro da capital.

Publicado em 22/03/2019 às 12:08 | Atualizado em 24/03/2019 às 11:38


                                        
                                            Roberto Santiago tentou atrapalhar investigações da 'Xeque-Mate' cooptando testemunhas, diz PF

				
					Roberto Santiago tentou atrapalhar investigações da 'Xeque-Mate' cooptando testemunhas, diz PF
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos também no escritório do empresário (Foto: Walter Paparazzo).

Preso na terceira etapa da Operação Xeque-Mate, na manhã desta sexta-feira (22), o empresário Roberto Santiago estava atuando para atrapalhar as investigações. A informação foi dada pela Polícia Federal (PF) em entrevista coletiva. Segundo o delegado Fabiano Emídio, responsável pela investigação, uma testemunha relatou uma tentativa de cooptação por parte de Santiago. A ação desta sexta teve como foco um esquema de fraudes em licitação na prefeitura de Cabedelo.

Segundo o delegado Fabiano Emídio, o depoimento de uma testemunha foi um dos pontos que embasaram a prisão de Santiago. “Prefiro não revelar nomes. Ele teria enviado emissários para uma determinada pessoa. Essa pessoa veio até nós para dizer que a intenção era de que eventuais delatores não delatassem o nome dele. Isso é um indício a mais que reforça essa medida importante, que é a prisão preventiva”, pontuou o delegado.

Santiago foi preso em casa no bairro do Bessa, levado para a sede da Polícia Federal, de onde foi levado para audiência de custódia no Fórum Criminal de João Pessoa no fim da manhã. Após a audiência, ele foi levado para o 1º Batalhão de Polícia Militar, no Centro da capital. “Mesmo não possuindo curso superior, foi acordado que, por uma questão de organização prisional e segurança, encaminhar o custodiado para um dos Batalhões da Polícia Militar”, explicou o juiz substituto da 2ª Vara da Comarca de Cabedelo, Henrique Jorge Jácome de Figueiredo, que conduziu a audiência.

O empresário não pode receber visitas de pessoas que não sejam familiares e advogados. A medida, segundo o Tribunal de Justiça, pretende evitar a ingerência de pessoas envolvidas no processo judicial.

Controle em licitações

O empresário é apontado pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, como membro da vertente financeira de uma organização criminosa que foi objeto de medidas judiciais na primeira e segunda fases da operação. Santiago foi apontado em depoimentos, durante as investigações, como o responsável pelos pagamentos que resultaram na compra do mandato do ex-prefeito Luceninha, ato que seria a o pontapé inicial do esquema, iniciado coma posse de Leto Viana (PRP) na prefeitura.

De acordo com a Polícia Federal, Santiago teria participação em fraudes em licitação, apontando as empresas vencedoras em troca de benefícios pessoais. Os contratos investigados, com duas empresas, superam a quantia de R$ 42 milhões. Os investigadores não falaram quais seriam especificamente os ganhos de Santiago.

“Nestas licitações, princípios primários, como impessoalidade e moralidade não existem. As licitações são direcionadas, essa foi a realidade de Cabedelo. A fraude era por meio de direcionamento, de participação de empresas que fazem parte de um mesmo grupo”, disse o promotor Rafael Lima Linhares na entrevista coletiva que detalhou a ação.


				
					Roberto Santiago tentou atrapalhar investigações da 'Xeque-Mate' cooptando testemunhas, diz PF
Empresário foi preso em sua casa, no Bessa (Foto: Polícia Federal/Divulgação).

Operação em dois estados

A operação desta sexta-feira contou com a participação de 65 Policiais Federais, sendo realizado o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados, nos Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte, além do mandado de prisão preventiva contra Santiago.

Foram sequestrados 20 imóveis dos investigados, avaliados em mais de R$ 6 milhões. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Criminal da Justiça Estadual de Cabedelo/PB.

Os investigados responderão pelos crimes de formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e fraude licitatória, cuja penas, somadas, poderão chegar a mais de 30 anos de reclusão.

Imagem

Jhonathan Oliveira

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