icon search
icon search
home icon Home > qual a boa?
compartilhar no whatsapp compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin copiar link deste artigo
Compartilhe o artigo
compartilhar no whatsapp compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin copiar link deste artigo
compartilhar artigo

QUAL A BOA?

Muriçocas do Miramar celebra 40 carnavais: a história do bloco que transformou João Pessoa

Em 2026, o bloco terá como grande homenageado Zé Katimba, compositor paraibano de 93 anos.

Publicado em 11/02/2026 às 5:58


				
					Muriçocas do Miramar celebra 40 carnavais: a história do bloco que transformou João Pessoa
Reprodução/Prefeitura de João Pessoa

O bloco Muriçocas do Miramar completa 40 anos de história em 2026, consolidado como o principal símbolo do pré-carnaval de João Pessoa e um movimento cultural que alterou a identidade da capital paraibana. Criado em um período onde a cidade "se orgulhava" de não ter carnaval de rua, o bloco hoje é referência nacional por unir grandes trios elétricos à preservação de tradições populares.

A celebração das quatro décadas traz um componente emocional: a homenagem aos fundadores, o professor Antônio Gualberto e a escritora, jornalista e poetisa Vitória Lima. O estandarte deste ano, um dos maiores símbolos da agremiação, é assinado pela filha do casal, a artista e produtora Thaïs Gualberto, e foi inspirado na trajetória da família e do bloco.

A "faísca" em 1986


				
					Muriçocas do Miramar celebra 40 carnavais: a história do bloco que transformou João Pessoa
Foto: Kleide Teixeira/Secom-JP

A origem do Muriçocas remonta a um episódio poético narrado pelo Mestre Fuba, um dos fundadores. Em 1986, o carnaval coincidiu com o aniversário de Thiago Gualberto, filho da professora e jornalista Vitória Lima. Naquela terça-feira, João Pessoa estava deserta, pois os moradores costumavam viajar para Recife ou Salvador.

“Ela fez um poema dizendo que apenas ficavam as muriçocas. Essa foi a inspiração para fundar o bloco no ano seguinte”, relembra Fuba.

Desde então, o bloco passou a ocupar a Quarta-feira de Fogo, servindo como o "pé inicial" para que o pessoense permanecesse na cidade antes de viajar. Para Fuba, o Muriçocas "fez acordar o folião para carnavalizar o extremo oriental".

Patrimônio artístico e vitrine Cultural


				
					Muriçocas do Miramar celebra 40 carnavais: a história do bloco que transformou João Pessoa
Primeiro estandarte do bloco, criado em 1987 por José Altino. Divulgação/Muriçocas do Miramar

Ao longo de 40 carnavais, o bloco se tornou uma das maiores exposições itinerantes do Brasil. Isso porque, anualmente, um artista plástico paraibano é convidado para criar o estandarte. No desfile de abertura, todas as peças históricas ganham a avenida.

O compromisso com a "cultura da terra" é refletido em números e diretrizes: 70% das bandas contratadas são de artistas locais, grupos de Maracatu, Ala Ursas, Tribos Indígenas, Clubes de Orquestra e Bois recebem o mesmo valor simbólico que artistas nacionais; O bloco proíbe músicas com apelo sexual ou que induzam à violência.

Homenagear a Paraíba é regra. Temas como Cinema, Teatro e Circo já foram destaques, assim como personalidades do calibre de Sivuca, Ariano Suassuna, Elba Ramalho, Jackson do Pandeiro e Cátia de França.

Em 2026, o bloco terá como grande homenageado Zé Katimba, compositor paraibano de 93 anos, natural de Guarabira e um dos fundadores da Imperatriz Leopoldinense. Entre suas obras mais conhecidas estão “Aquarela Brasileira”, “Martim Cererê” e “Cansado de Tanto Sofrer”. O desfile contará ainda com a participação de Alceu Valença, atração nacional destacada pela capacidade de dialogar com diferentes gerações.

"Maternidade" e adaptação


				
					Muriçocas do Miramar celebra 40 carnavais: a história do bloco que transformou João Pessoa
70% das bandas contratadas são de artistas locais, grupos de Maracatu, Ala Ursas, Tribos Indígenas, Clubes de Orquestra e Bois. Divulgação/Muriçocas do Miramar

Para Thaïs Gualberto, integrante da organização, o bloco é uma "grande maternidade", pois serviu de base para o surgimento de diversos outros blocos na capital. Ela destaca que o foco nunca foi a competição. "Se nossa preocupação fosse apenas competir, seguiríamos fórmulas de grandes blocos comerciais. Nossa preocupação é trazer a riqueza da cultura paraibana", afirma.

Mesmo com a redução do número de trios nos últimos anos, devido à legislação municipal que limita o horário das festas até as 2h da manhã, o bloco fortaleceu sua presença no chão, onde o contato do folião com a cultura popular é mais direto.

Responsabilidade social e sustentabilidade

O bloco ultrapassa os limites da folia com uma atuação cidadã ativa. Mestre Fuba destaca a participação em campanhas contra o racismo, feminicídio e preconceito, além de ações ambientais como o cuidado com o Rio Jaguaribe e mutirões de limpeza nas praias. Durante o desfile, a campanha “NÃO É NÃO” atua contra o assédio, e a distribuição de preservativos e o foco na reciclagem tornam o evento sustentável.

Além das tradições imutáveis — como o Acorda Miramar às 23h59 da terça-feira — novas experiências surgem. O sucesso de um arrasto recente no Centro Histórico, o chamado "esquenta" deve transformar o local em uma nova parada oficial para as prévias de 2027.

“O que espero para o futuro é que continuem com esse exercício de autoestima, fazendo com que as Muriçocas tenham essa genuína diferença que faz da quarta-feira de fogo a verdadeira celebração da alegria”, conclui Fuba.

Imagem

Gabriela Lins

Tags

Comentários

Leia Também

  • compartilhar no whatsapp
  • compartilhar no whatsapp
    compartilhar no whatsapp
  • compartilhar no whatsapp
  • compartilhar no whatsapp
  • compartilhar no whatsapp