Janeiro branco: especialistas falam sobre como cuidar de saúde mental de crianças

Janeiro Branco é considerado o marco dos cuidados com a saúde mental. Psiquiatra fala sobre formas de diminuir ansiedade nos pequenos.

A saúde mental exige cuidado em todas as idades, no entanto, a atenção sobre esse aspecto em crianças tem que ser redobrada, isso porque o que acontece com os pequenos na infância pode marcar toda uma vida posteriormente. O médico psiquiatra Thiago Nunes falou sobre como cuidar da saúde mental das crianças e explicou o que pode aumentar a ansiedade. No primeiro mês do ano é desenvolvida a campanha Janeiro Branco, que tem como foco alertar sobre a importância da saúde mental.

O médico explica que se tornou comum o aparecimento mais corriqueiro de crianças com ansiedade nos últimos anos, afetando a saúde mental delas. Segundo ele, vários fatores podem explicar o fenômeno, mas a disponibilidade afetiva desponta como o principal fator. 

“A disponibilidade afetiva está em falta. Os pais saem para trabalhar e as crianças costumam ser ‘criadas’ por outras pessoas que não exatamente vão exercer um papel de figura parental, que é importante para o desenvolvimento da segurança de uma criança”, contou. 

Como isso é algo difícil de resolver, por questões dos afazeres financeiros que os pais tem que cumprir, Thiago Nunes indica que não necessariamente as figuras paternas e maternas precisam ser cumpridas pelos genitores, mas podem ser ocupadas por quem está próximo e perceba a necessidade daquela criança.

“Todos têm afazeres, responsabilidades, sobretudo financeiras, mas quando falamos da figura materna e paterna, falamos da figura que vai fazer aquele papel, não exatamente o pai e a mãe, podendo ser aquela figura que vai trazer segurança, dar contigência a criança. Ou seja, alguém que vai mostrar para a criança como modular aquele sentimento, para impedir que acabe ficando ansiosa. No entanto, se notar que a criança vem tendo algum tipo de problema com isso, procurar terapia é o melhor caminho”, disse.

Além disso, outro aspecto que vem influenciando são as telas de smartphones, tablets e computadores, nas quais, devido aos inúmeros afazeres do dia a dia que os pais encontram, surgem como alternativa para manter as crianças “tranquilas”. 

“O uso de telas vai levar as crianças a ficarem ansiosas para usarem ainda mais, causando um vício mesmo, como também a velocidade que a informação chega para elas. Na minha época, tínhamos que esperar que o desenho animado passasse em um dia e, só no outro, saberia o que aconteceria no próximo episódio. Hoje todos querem maratonar”, explicou. 

Segundo o médico, esse contato com as telas que gera uma grande quantidade de informação em um curto espaço de tempo, faz com que não exista temperamento para as crianças simplesmente não fazerem nada, algo que também é importante no desenvolvimento delas, como uma forma de blindar da ansiedade, por exemplo. 

“É extremamente importante o ócio, o tédio. Elas saberem se entendiarem e lidarem com o tédio é extremamente importante. Brincadeiras com coisas que ela tenha que criar, ou até mesmo passar um tempo observando para saber como é que funciona. Nas telas, as crianças não precisam criar nada, a informação vem completa”, disse. 

Terapias integrativas como uma opção

Uma das várias saídas para procurar ajuda a combater ansiesdade em crianças são as chamadas terapias integrativas. Outra especialista, dessa vez nesse assunto, Aline Storm, explicou que durante o tempo livre dos pequenos o recomendado é tirá-las e colocar como opção para eles afazeres conectados com a natureza.

“Uma das dicas mais valiosas é justamente diminuir, colocar limites, nessas telas. Hoje em dia temos muitos recursos, não é só o celular que as crianças gostam, como os recursos da natureza, do brincar, utilizando brinquedos, interação entre crianças e a própria família se conectar mais com elas. Isso é uma dica para a vida”, contou.

Além disso, a especialista em terapias integrativas, conta que cenários da natureza, como praias, parques, bosques e outros locais são importantes para que as pessoas mais velhas se conectem com os pequenos, para se sentirem seguras e conectadas com os próprios pais.

“Existem muitas atividades que a gente pode fazer com as crianças, que explore mais o nível corporal dela, para gastar energia, pra se mexer, se movimentar e entender o próprio corpo. O Yoga, brincadeiras integrativas, populares, isso tudo trabalha muito colocar para fora o que está na mente para o corpo”, disse.

Janeiro branco

Janeiro branco visa alertar para os cuidados com a saúde mental e emocional da população, a partir da prevenção das doenças decorrentes do estresse, como ansiedade, depressão e pânico. As doenças mentais podem ser causadas por uma série de fatores, como genética, estresse, abuso de substâncias e traumas. Nesse rol entram também os transtornos de humor, esquizofrenia e o transtorno bipolar.