O que é compulsão alimentar, transtorno relatado por Yasmin Brunet no BBB 24

Especialistas explicam o que é compulsão alimentar, que pode estar ligada a fatores genéticos e desconfortos emocionais.

Foto: rawpixel.com/Freepik

A participante do Big Brother Brasil 24, Yasmin Brunet, relatou no programa que sofre com “questões alimentares” e vem descontando sua ansiedade na alimentação. Com esse comportamento, o Jornal da Paraíba conversou com especialistas para explicar o que é compulsão alimentar, quais são os sintomas desse transtorno alimentar e como buscar ajuda.

Yasmin Brunet, ex-mulher de Gabriel Medina, é a quarta participante do BBB 24.
Yasmin Brunet comenta sobre compulsão alimentar no BBB 2024. Foto: reprodução/Instagram.

O que é compulsão alimentar

Segundo a nutricionista e personal trainer Pollyanna Freire, a compulsão alimentar é um distúrbio alimentar que se caracteriza por episódios de descontrole exagerado na ingestão de alimentos (geralmente calóricos como doces, fast foods etc.), seguidos de episódios de restrição alimentar como um comportamento compensatório.

As pessoas com compulsão alimentar comem grandes quantidades de alimentos em pouco tempo. E, durante o episódio da compulsão, a pessoa sente perda de controle, ela come sem prazer e vontade e tem dificuldade em parar de comer, mesmo que já esteja saciada.

O que pode desenvolver uma compulsão alimentar

As causas que levam ao desenvolvimento da compulsão alimentar podem ser diversas, dentre elas estão:

  • Dietas muito restritivas;
  • Desconfortos emocionais, onde a pessoa não sabe lidar ou quer fugir de sentimentos negativos;
  • Stress; e
  • Distorção da imagem corporal.

Além disso, a psicóloga especialista em comportamento e transtornos alimentares Ingrid Carvalho lembra que os transtornos alimentares são de natureza multifatorial, sejam esses fatores:

  • Genética;
  • Estrutura parental/familiar;
  • Experiências adversas ou traumáticas e;
  • Pressões socioculturais.

Outros sintomas de compulsão alimentar, descritos por Pollyana, são:

  • Comer muito mais rápido que o normal;
  • Comer grandes quantidades de comida quando mesmo quando não estiver com fome;
  • Comer até passar mal;
  • Ter dificuldade em parar de comer;
  • Sentir culpa depois de comer excessivamente;
  • Comer em segredo;
  • Comer sozinho por vergonha.

Ingrid explica que em episódios de compulsão alimentar, a pessoa come de forma muito rápida. Não consegue acessar seus sinais de fome e saciedade e dessa forma comem até se sentir desconfortavelmente cheios.

É comum que isso aconteça especialmente quando o indivíduo está sozinho, pois por vergonha e culpa da quantidade que está comendo acaba gera muito sofrimento”, falou Ingrid.

Como é feito o tratamento de compulsão alimentar

Pollyanna Freire explica que, para diagnóstico, o episódio de compulsão deve acontecer pelo menos 1x/semana por 3 meses ou mais. Além disso, deve estar presente 3 ou mais desses sintomas citados acima.

O tratamento dessa comorbidade deve ser feito com uma equipe multidisciplinar com profissionais como:

  • Psicólogos;
  • Nutricionistas;
  • Educadores físicos; e
  • Psiquiatras.

Devemos olhar para tudo o que envolve este comportamento alimentar. É importante trabalhar as questões emocionais e as crenças. Mas também devemos trabalhar a parte comportamental ajudando com técnicas que vão permitir uma maior consciência e conexão com seus sinais internos e com seus sentimentos”, explicou Ingrid.

Como identificar se uma pessoa tem compulsão alimentar?

Para os profissionais, Ingrid explica que não há sinais claros se uma pessoa tem compulsão alimentar ou não. No entanto, é importante sempre questionar sobre como é a alimentação dessa pessoa e tentar explanar bem esse tema para poder captar o maior número de informações possíveis, na tentativa de entender e detectar.

Ressalto algo que vejo como importante para todos, mas em especial para os profissionais de saúde. Estar atento é importante, mas transtornos alimentares não têm forma física (nem raça, gênero, condição social). Assim, não podemos julgar sem conhecer de fato o comportamento alimentar da pessoa”, Ingrid disse ao Jornal da Paraíba.

Já para as pessoas comuns, Ingrid comenta que se essa pessoa pensa muito em comida, se percebe que come muito e rápido e sente que não consegue parar, já é possível termos um alerta onde pode estar acontecendo a compulsão alimentar. Quanto antes buscar ajuda, menor a chance de desenvolver um transtorno alimentar.

Qual a diferença entre comer emocional e compulsão alimentar?

É comum comer por razões emocionais, acontece quando comemos aquela pizza quando chegamos em casa cansados do trabalho ou quando comemos aquele sorvete quando estamos tristes, porém a comer de forma compulsiva envolve uma frequência maior nesse tipo de comportamento isso é a maior diferença entre o comer emocional e a
compulsão alimentar”, explicou Pollyana.

O comer emocional é quando o alimento é consumido para tentar lidar com as emoções desafiadoras. Nessa situação a comida tem o papel de aliviar, mesmo que temporariamente, as sensações e sentimentos mais desconfortáveis.

Dietas podem levar uma pessoa a desenvolver compulsão alimentar?

“As dietas podem sim levar ao desenvolvimento da compulsão alimentar”, explica Ingrid. De forma geral as dietas são restritivas e propõem regras que desconsideram a nossa individualidade e os nossos sinais internos (de fome e saciedade). Assim, essa dieta alimenta o ciclo restritivo-compulsivo, onde a restrição faz com que o corpo peça por aquele alimento que está proibido.

Com isso, em um determinado momento, quando se tem acesso a esse alimento, é possível que aconteça um episódio de compulsão ou um exagero alimentar. Ingrid ressalta que toda a cultura da dieta é prejudicial para quem sofre com qualquer questão alimentar.

Pollyana ressalta que quando há um acompanhamento profissional, essa dieta deverá não só ajudar o paciente na melhora da composição corporal, mas também corrigir deficiências nutricionais e educar o paciente para que se aprenda que o equilíbrio alimentar.

A especialista também complementa que a prática de uma atividade física e uma boa noite de sono são suficientes para mantermos um peso adequado e saudável.

Onde buscar tratamento?

De acordo com Pollyana, o transtorno alimentar acomete em torno de 3,5% das mulheres e 2% dos homens da população mundial, para tratamento, o paciente deve buscar ajuda junto ao psicólogo e/ou psiquiatra, bem como um profissional da nutrição.

Além disso, segundo Ingrid, há a possibilidade de tratamento com profissionais especialistas no tratamento dos transtornos alimentares, de forma online ou presencial e, que algumas clínicas são voltadas para o tratamento dessa demanda.