Saúde Alerta

André Telis

Variante Delta na Paraíba: o que muda com a chegada da nova mutação?

Foto: divulgação/pmcg

Apesar da vacinação ter avançado a passos largos na Paraíba, o que muda com a chegada da delta por aqui?

A Paraíba já vacinou 80% da população adulta com pelo menos uma dose ou dose única, o equivalente a 59,24%  da população total do estado.

A princípio, isso parece ótimo. Mas não é o suficiente!

>> Variante Delta já tem circulação comunitária na Paraíba, e estado registra primeira morte

O nosso alerta nesse momento é prudência

A circulação da variante Delta já é considerada comunitária aqui no Estado. De acordo com a secretaria da Saúde do Estado, o vírus já contaminou pessoas de pelo menos 12 cidades.

O que muda com a chegada da Delta é que aquele sentimento que a pandemia acabou fica um pouco de lado.

Ainda mais agora, as medidas de distanciamento devem ser retomadas e mais que nunca é importante lembrar da importância da vacinação completa.

Para entender melhor:

Transmissão local – todos os casos são de pessoas que se infectaram com Covid-19 e não estiveram em nenhum local com a doença, mas mantiveram contato com infectado.

Resumindo: Nesse caso, ainda é possível mapear a contaminação e tentar bloqueios de circulação do vírus.

Transmissão comunitária – os casos de transmissão do vírus ocorre de forma exponencial na população.

Aqui, um paciente infectado que não esteve nos locais  com registro da doença transmite a doença para outra pessoa, que também não viajou.

Provavelmente, agora não é mais possível mapear a rota de contaminação. Então, tentar bloquear a disseminação fica mais difícil.

Contaminados com Variante Delta podem ter carga viral 300 vezes maior nos primeiros dias

Inclusive um estudo sul coreano divulgado essa semana alertou:  a carga viral de uma pessoa contaminada com a variante delta é cerca de 300 vezes maior do que alguém infectada pelo vírus nativo. Portanto, isso poderia explicar porque a variante de espalha muito mais facilmente, com uma taxa de transmissibilidade até 60% maior.

Apesar da disseminação mais fácil, não podemos afirmar se essa variante é mais letal e causa casos mais graves que a variante tradicional.

Vacinas são a principal estratégia: o que muda com a chegada da delta

A princípio,  as vacinas são a principal estratégia. No entanto, é importante lembrar que nenhum tipo de imunizante teve eficácia de 100% contra nenhuma variante.

Alguns estudos inclusive mostram resultados inferiores em relação à cepa original.

Pfizer: 1 dose: 33%; 2 doses: 88%

AstraZeneca: 1 dose: 33%; 2 doses: 67%

Janssen: 67%

CoronaVac: ainda não possui estudos definitivos de eficácia contra a variante delta.

Ministério da Saúde já recomenda antecipação da segunda dose e fala também em terceira dose. A princípio para pessoas com comprometimento da imunidade e idosos, mas é muito provável que a dose de reforço seja indicada pra toda população.

A tendência é termos vacinação periódica, assim como já acontece para gripe.

Seja como for, o que se sabe é que atualmente, as pessoas que não se vacinaram tem duas vezes mais chances de se internar do que aquelas já com esquema completo.

Além disso, é preciso pelo menos 15 dias após a ultima dose da vacina para que ela tenha o máximo poder de proteção.