André Telis

Vacina contra Covid em crianças entre 5 e 11 anos. Quais as principais dúvidas? 

Vacina contra Covid em crianças entre 5 e 11 anos. Quais os riscos da vacinação nessa faixa etária, quais os principais efeitos adversos e a importância de vacinar?

Quem tenta se aventurar pela internet e universo das redes digitais verá que elas são uma seara de todo tipo de informação a cerca de pandemia e no atual momento, sobre a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos contra a Covid- 19.

A Anvisa autorizou vacinação dessa faixa etária desde dezembro passado. Apesar de países como Estados Unidos, China, Alemanha, França, Argentina, Cuba, Chile, Israel e outras pelo menos 28 nações aderirem ao modelo, aqui ainda tudo é motivo de confusão.

Cuba já tem vacinado crianças maiores que 2 anos com sua própria vacina – a Soberana 2, Chile partiu na frente e desde setembro faz o mesmo, lá usando coronavac.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano (CDC) divulgou na última semana de dezembro de 2021 dois estudos que destacam a importância da vacinação de crianças contra o coronavírus. Um estudo concluiu que problemas graves são extremamente raros entre crianças de 5 a 11 anos que receberam a vacina Pfizer-BioNTech. O outro, que analisou centenas de internações pediátricas em seis cidades dos Estados Unidos no último verão, revelou que quase todas as crianças que ficaram gravemente doentes não haviam sido totalmente vacinadas.

Estados Unidos já vacinaram 8 milhões de crianças

Mais de 8 milhões de doses aplicadas nessa população, os relatos são principalmente de dor de cabeça, fadiga e dor no local da injeção. Cerca de 13% das crianças relataram febre depois da segunda dose.

Já a tão temida miocardite (inflamação no músculo do coração) é um evento raro. Apesar de inúmeros relatos na rede, apenas 11 casos foram relatos por lá e nenhuma morte.

Para tentar responder às principais dúvidas dos pais e responsáveis sobre a vacinação de crianças contra a covid- 19.

 

Divulgação

Quais os impactos da variante ômicron no caso das crianças?

A ômicron já é considerada a cepa viral com maior potencial de se espalhar. Em todo mundo, os casos explodiram agora em janeiro.

É importante entender como nasce uma variante de um vírus.

Toda vez que um vírus se multiplica ele precisa multiplicar seu material genético, fazer cópias de si mesmo. Esse processo, chamado de replicação, está sujeito a erros e as cópias podem sair não exatamente iguais ao vírus original.  Quando essa diferença passa a se multiplicar e gerar alterações nas cópias virais, passa ser chamado de cepa (um subtipo do vírus original).

Portanto, ao se multiplicar, os vírus têm a chance de gerar novas variantes e nessa situação de disseminação da nova cepa, a vacinação das crianças é ainda mais necessária.

Segundo a Sociedade Brasileira de infectologia, a disseminação de novas cepas é mais intensa em populações não vacinadas, como as crianças na faixa etária de 5 a 11 anos.

Quais vacinas já foram aprovadas para crianças?

Atualmente, a única vacina aprovada pela Anvisa para uso em crianças de 5 a 11 anos é a Pfizer.

A Coronavac já está em processo para liberação no público infantil pela anvis.

A vacina contra covid em crianças é a mesma dos adultos?

A principal diferença é dosagem. Ela será administra um volume de 0,2 ml para os menores de 12 anos. O tempo de armazenamento também muda. Enquanto para os mais velhos, o imunizante pode ficar na geladeira entre 2ºC a 8ºC durante apenas um mês, para os pequenos permitem-se até 10 semanas.

Os frascos também são diferentes, com marcações em cores diferentes para que não aconteça a confusão na hora da aplicação.

Quais os riscos da vacinação dos menores?

O Risco de eventos relatado para o imunizante nessa população é descrito na ordem de 0,05%. Ou seja, 5 eventos adversos para cada 10 mil crianças vacinas, sendo os principais eventos febre, dor no local da injeção, fadiga e dor de cabeça.

Os eventos graves como miocardite são mais raros ainda. Em um estudo, o CDC americano avaliou relatórios recebidos de médicos e do público, assim como respostas a pesquisas com pais ou responsáveis por aproximadamente 43 mil crianças entre 5 e 11 anos. A maioria das crianças relataram somente dor no local da injeção, cansaço, dor de cabeça ou febre. Apenas se relataram 11 casos de miocardite (uma inflamação do músculo cardíaco). Desses, sete crianças haviam se recuperado e quatro estavam se recuperando no momento do relatório, afirmou o CDC.

Vacina contra Covid em crianças no Brasil.

Para janeiro, estão estimados 4,3 milhões de doses, segundo informações do Ministério da Saúde. Em João Pessoa a vacinação começa entre crianças com problemas de saúde e depois segue conforme orientação da secretaria municipal da saúde.

Qual intervalo entre as doses?

Recomenda-se  intervalo de 21 dias entra as duas doses pediátricas da Pfizer.

Haverá necessidade da terceira dose da vacina contra Covid em crianças?

As informações sobre aplicação de reforço em crianças ainda são pequenas. Segundo informações da Reuters, o FDA (Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos) autorizou, em 03 de janeiro deste ano, uma terceira dose para crianças de 5 a 11 anos que são imunossuprimidas.

No Brasil, está autorizado a dose de reforço somente para pessoas com mais de 18 anos e que tenham um intervalo mínimo de quatro meses a partir do esquema vacinal completo.  Não se anunciou ainda a aplicação em outras faixas etárias.

Em relação ao calendário de vacinal normal, o que muda?

A sociedade Brasileira de Pediatria em conjunto com a sociedade Brasileira de Imunizações fizeram uma publicação em conjunto na qual reforçam:

Que se mantenham as vacinas do plano nacional. Eles reforçam a importância de manter calendário vacina em dia.

Ainda de acordo com a nota, para reduzir a disseminação da doença, qualquer pessoa com sintomas respiratórios ou febre, deverá ser orientada a não comparecer aos centros de vacinação; e Casos suspeitos ou confirmados de COVID19 poderão ser vacinados após a resolução dos sintomas e passado o período de 14 dias do isolamento.

As sociedades ainda ressaltam que qualquer alteração na rotina de vacinação, como parte da estratégia de enfrentamento da pandemia de COVID19, deve ser comunicada aos profissionais da saúde e à população de maneira clara e oportuna, bem como seu caráter provisório.