André Telis

As máscaras vão cair?

foto: Freepik

As máscaras vão cair? Prefeituras querem a liberação, já governo do Estado e justiça acham que não é hora.

Prefeituras x Justiça

Nessa semana, em que governos estadual e municipais aqui na Paraíba discutiam sobre a obrigatoriedade de máscara em locais abertos, com direito até a participação do STF (Ministra Carmen negou recurso da Prefeitura de João Pessoa contra decisão da desembargadora Maria das Graças Moraes, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) que acolheu recurso de reconsideração do MPPB para manter a exigência do equipamento na capital), a gente pergunta será que o Brasil, que passa por um momento de queda nas estatísticas da pandemia, pode observar uma piora daqui a algumas semanas?

Subvariante BA.2 faz novo pico de casos em Europa e Ásia

Europa e Ásia experimentam  ascensão dos casos, e uma das explicações seria o alto potencial de infectar que a subvariante BA.2, parente muito próximo da ômicron tem. Além disso, com exceção da China, todos os países que vêm os números subirem, tem em comum, liberação das restrições impostas para controle da pandemia.

Em alguns países, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório em lugares abertos e fechados, não há mais políticas de testagem, nem a recomendação de que pacientes infectados com o coronavírus fiquem em isolamento. Eles inclusive consideram o coronavírus como vírus endêmico e não tem utilizado mais a político do covid zero, ou seja, eles acreditam que a população vai conviver com o novo coronavírus, assim como já faz com outros vírus antes considerados letais.

China volta a ter lockdown

A China é o único país que ainda tem assumido a político do Covid zero e ainda aposta no lockdown como medida para conter surtos locais, que inclusive colocou a cidade de Shenyang em quarentena depois do surgimento de 47 casos numa cidade de 9 milhões habitantes na última terça-feira (22).

Claro que hoje vivemos num cenário muito mais ameno, o desconhecimento dos efeitos do vírus vai perdendo espaço e cedendo lugar a uma certa permissividade em relação à pandemia que parece que vem enfraquecendo. Mas será possível pensar justamente agora na liberação total?

Libera geral

Se por um lado, alguns especialistas temem que aja nesse momento uma liberação total, eu penso que pior que retirar todas as medidas de restrição nesse momento é observar taxas de vacinação estagnadas em alguns lugares do país, acompanhadas por um sentimento que a covid não é mais uma doença grave.
É muito importante fazer com que todo mundo entenda que mais importante que restrições impostas pela lei, deve ser a consciência de proteção que cada cidadão precisa ter, independente de obrigações impostas pelo governo.

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Cenário nacional x internacional

Neste momento, o Brasil se encontra numa situação oposta da de muitos países: as médias móveis de casos e mortes por covid seguem em queda desde janeiro. E ainda não dá pra dizer que esse mesmo cenário de agravamento que se observa no exterior também se repetirá aqui. Em outros momentos da pandemia, coisas que impactaram profundamente o brasil, como a variante gama, não tiveram o mesmo efeito no cenário internacional. Também, vimos o inverso ocorrer. A delta, que fez estragos nos Estados Unidos e Índia não trouxe grandes mudanças aqui no Brasil.

A gente precisa discutir agora a intensidade das medidas de restrição. Parece que a situação tá bem tranquila e mesmo depois do carnaval, quando se tinha receio que houvesse  uma explosão de casos, as coisas não têm piorado, parece que estamos caminhando realmente para um horizonte de paz.
É importante lembrar que muita coisa já tá funcionado normalmente há muito tempo. Shows, restaurantes, shoppings, praias.

Medidas individualizadas

Mas é preciso incentivar uma cultura de cada uma pessoa avaliar seu próprio risco e do local onde está. É preciso individualizar as medidas de contenção de risco para cada situação.

Enquanto grandes estados com São paulo e Rio de janeiro já suspenderam uso de máscaras, inclusive em locais fechados, aqui na Paraíba ainda há queda de braço entre governos e justiça para decidir sobre o uso do acessório mesmo em locais abertos.
Tudo isso parece contraditório. Só é ver que em restaurantes e bares que funcionam à pleno vapor há algum tempo, as máscaras não tem sido utilizadas como reza a cartilha da saúde pública.

São Paulo e Rio de Janeiro

Diante da abertura das restrições em São Paulo e Rio de Janeiro, em pouco tempo teremos uma real noção do impacto da liberação das medidas em termos de pandemia.
Entre o fim da pandemia e o relaxamento das medidas de prevenção, o caminho mais adequado e seguro em qualquer país do mundo continua bem parecido: acompanhar o que está acontecendo e adequar os cuidados à situação de momento.