André Telis

Reinfecção por Covid pode aumentar chances de problemas de saúde

Foto: Divulgação

O Brasil e o mundo observam um aumento dos casos de COVID. Mas será que já podemos afirmar que  uma nova onda de covid-19 está por aí? Reinfecção por Covid é mais frequente.

Reinfecção por Covid é frequente no Brasil

Hoje é cada vez mais comum conhecer alguém que pegou covid-19 pela segunda e até mesmo pela terceira vez. Eu mesmo já positivei 2 vezes e a cada novo sintoma de doença gripal, lá vem outra vez a incômoda do teste no nariz.

Até o ano passado, acreditava-se que a vacina ou mesmo a infecção pelo novo coronavírus era capaz de deixar você imune para outras infecções. Em 2020, um IGG positivo era comemorado como um troféu. Para a OMS, era improvável uma nova contaminação em menos de 1 ano. Com o passar do tempo, esse período caiu para seis meses e depois, para três meses… Hoje já tem estudo mostrando reinfecção em 20 dias.  A OMS considera reinfecção uma nova infecção depois de 60 dias, mas essa definição já precisa ser revista.

Mutações aumentam chance de multiplicação

Diferente de outros vírus como o sarampo, por exemplo, o Sars-cov-2 tem experimentando tantas mutações genéticas, que a infecção, nem tão pouco a vacina, conferem imunidade duradoura. Antes a gente acreditava que pessoas que tivessem a doença estariam imunizadas.  Tanto que houve quem defendesse a imunidade de rebanho como estratégia para contenção da pandemia. Mas temos observado que pessoas tem contraído a doença mesmo após adoecerem ou terem se vacinado. Então, ao observar essas mudanças, não faz o menor sentido pensar em imunidade de rebanho.

Além disso, quando mais pessoas se infectam, mais o vírus sobre mutações e isso tem aumentado o seu poder de transmissibilidade.

Paraíba tem 25% dos testados positivos para covid

Apesar do grande número de infectados, inclusive, essa semana a gente viu que 25% dos testados na Paraíba tinham resultados positivos, não acompanhamos um aumento no número de pessoas hospitalizadas.

A infecção tende a ser menos grave?

Ainda não temos clareza para afirmar isso, porém e alguns estudos afirmam que esse imunidade mista, causada tanto pela infecção como pela própria vacina, estaria ensinando o nosso sistema imunológico a lidar melhor com as novas infecções.

De fato, a imensa maioria das pessoas internadas e com casos graves tem comorbidades importantes ou mesmo são bem idosos.

Existem trabalhos, inclusive brasileiros, que relacionam múltiplas infecções com a chamada covid prolongada, com sintomas bem mais prolongados, durante inclusive meses. Isso dificulta muitas vezes o diagnóstico de reinfecções. Você nem melhorou dos sintomas e já tá infectado novamente. Por isso é muito importante, qualquer sintoma de síndrome gripal, procurar testar.

Os auto-testes, esses que vendem em farmácia, apesar da praticidade, podem estar levando ao enviesamento das estatísticas. Quem garante que todos os resultados positivos tem sido comunicados às autoridades sanitárias para que sejam computados nas estatísticas oficiais da doença.

Pessoas com duas ou mais infecções registradas apresentaram mais que o dobro do risco de morrer e três vezes o risco de hospitalização, aponta pesquisa da Universidade de Washington nos Estados Unidos.

O estudo avaliou o histórico de mais de 5,6 milhões de pessoas atendidas com COVID-19 e apontou que, em comparação com aqueles com apenas uma infecção por Covid-19, quem teve duas ou mais infecções documentadas tinha mais que o dobro do risco de morrer e três vezes o risco de ser hospitalizado dentro de seis meses de sua última infecção

Entre as possíveis explicações para tais casos complicados estaria que nosso sistema imunológico passaria por um processo onde o próprio coronavírus levaria nossos anticorpos a ajudar o vírus ao invés de atacá-lo e algum grau de disfunção das células T de defesa do nosso corpo.

Enquanto não sabemos muito e todo dia as coisas mudam, é importante dizer que os casos graves tem sido evitados com vacinas. E  que as medidas de restrição, como uso de máscaras, álcool em gel e tudo isso, parece que voltaram a fazer sentido. Eu mesmo, já voltei a usar máscaras em lugares fechados e a evitar aglomerações.

E você, já tomou o seu reforço? Eu recomendo que o faça o quanto mais rápido possível.