Jovens estão deixando o Facebook? Sim, mas nem tanto

Há uma tendência de que adultos e idosos utilizem mais o Facebook, mas especialista diz que é natural e tem mais a ver com a funcionalidade da plataforma do que com faixa etária.

App do Facebook. Foto: ijeab/Freepik

Em fevereiro deste ano, pela primeira vez na história, o Facebook teve uma queda na quantidade de usuários diários da rede social. Os dados são relativos ao quarto trimestre de 2021, compilados pela Forbes, e essa redução estaria atribuída à baixa popularidade da rede social entre os jovens. 

Só que a realidade é um pouco mais complexa, uma vez que a migração de redes sociais por faixa etária envolve diversas variáveis. O site Data Reportal, que publica relatórios demográficos periódicos sobre as redes sociais, mostrou no levantamento mais recente que a maioria dos usuários do Facebook está na faixa etária dos 25-34 anos, assim como no Twitter e no Instagram, por exemplo.

 

Segundo os dados de janeiro de 2022, 30,9% dos 2,9 bilhões de usuários do Facebook em todo o mundo estão nesta faixa etária, que é a segunda com mais usuários no TikTok, a única rede social em que o público de 18 a 24 anos é maioria, com 43,7%.

Para Felipe Fernandes, que é publicitário e especialista em mídias digitais, a variação na faixa etária dos públicos das redes sociais é natural.

 

“Há uma tendência à migração dos jovens para redes sociais mais novas, mas sempre foi assim na humanidade. Os jovens têm facilidade em aderir às novas tecnologias de uma forma mais célere, enquanto que os adultos e idosos tendem a permanecer naquilo que eles já têm um controle, que eles já detêm algum grau de experiência”, diz.

 

Cada um no seu quadrado

 

Felipe explica que muito além da tendência natural de aderência às novas tecnologias pelo público mais jovem, a migração também tem relação com a natureza de cada uma das redes sociais, que têm propostas diferentes. 

 

Um levantamento feito pela GWI e publicado no Data Reportal mostrou quais eram as tendências dos usuários das redes sociais, no último trimestre de 2021, em relação à preferência. 

 

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O Instagram era a rede social preferida das pessoas que buscavam postar fotos ou vídeos, e também para pesquisar marcas e produtos. Quem estava procurando algo engraçado ou relativo a entretenimento, procurou o TikTok. Já o Facebook era procurado por quem queria conversar com amigos e família, e por quem buscava se atualizar com as notícias e acontecimentos, assim como quem procurava o Twitter. 

 

"É natural que o Facebook e o Twitter sejam mais procurados por pessoas que querem se atualizar com notícias e acontecimentos, uma vez que o Instagram e o TikTok são ruins de se trabalhar com links. Além disso, a possibilidade de se criar grupos ou comunidades facilita quem quer interagir com pessoas que têm aquele mesmo interesse em comum", diz o especialista.

 

E esta tendência parece refletir o que pensa o público das redes sociais, pelo menos os de idade mais avançada e no Brasil. Uma pesquisa feita pela Câmara Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em 2021 mostrou que houve um aumento do percentual de idosos com presença na internet, saindo de 68% em 2018 para 97% no ano passado. E a maioria destas pessoas buscam se informar sobre economia, política, esportes e outros assuntos (64%), além de manter o contato com outras pessoas (61%).

 

Só que apesar da presença brasileira ser muito grande em todas as redes sociais, sendo o terceiro país com mais usuários do TikTok e do Instagram e o quarto no Facebook e Twitter, não é possível determinar que o que acontece aqui é padrão para todo o mundo.

 

"A gente não pode importar o cenário daqui para outros lugares. Algumas redes tem maior presença aqui mas não são fortes em outros países, como no caso de Portugal. Fora que há lugares em que redes como o Snapchat, que não emplacou no Brasil, é mais forte no público mais jovem. Existem aspectos culturais e regionais que modificam o cenário para cada local", diz Felipe.