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'Analfabetismo' emocional pode atrapalhar o desempenho do concurseiro

Instrutora emocional ensina como enfrentar a insegurança, ansiedade, euforia, medo e nervosismo durante as provas e seleções

Publicado em 28/02/2016 às 12:00

Tentar um concurso público para conquistar a tão sonhada estabilidade profissional exige as mais variadas habilidades. Além do domínio teórico, é preciso aprender a lidar com situações estressantes e angustiantes. A habilidade no controle emocional tem reflexo direto no desempenho do candidato em um certame e, inclusive, pode ser aperfeiçoada e melhorada.

“Não adianta ser um gênio na inteligência cognitiva (capacidade teórica) e ser um analfabeto na inteligência emocional”. É assim que a neuropsicóloga e instrutora emocional pré-concursos, Morgana Andrade, defende a importância da inteligência emocional para turbinar o desempenho dos concurseiros nas provas. Uma definição mais exata de inteligência emocional diz que é a habilidade que uma pessoa tem de perceber, entender, avaliar e administrar suas próprias emoções.

Insegurança, ansiedade, medo, euforia, angústia, nervosismo, bloqueio de memória e desconfiança são as queixas mais relatadas por concurseiros, diz Morgana. Ela ressalta que para enfrentar estas emoções que podem interferir no resultado das provas o concurseiro precisa se preparar. O primeiro passo começa com uma autoanálise em relação às crenças.

“Se você não acredita em si, em sua capacidade, em seu merecimento, você não estará sendo um inteligente emocional, e isso atrapalhará seu rendimento. Seja positivo e confiante no dia a dia”, afirma Morgana. Situação semelhante aconteceu com Sandrine Eufrásio, de 27 anos, que vem fazendo concursos sem aprovações desde o ano de 2007, e revela que já pensou em desistir diversas vezes. “Já pensei em deixar de fazer concurso muitas vezes. Dei uma parada, fui fazer faculdade (de Ciências Contábeis). Voltei ano passado e tranquei a faculdade para me dedicar exclusivamente aos concursos”, conta Sandrine.

Estudar muitas horas por dia visando a um maior aprendizado e em curto prazo, traz, por exemplo, cansaço e estresse, que afetam diretamente seu lado emocional, segundo Morgana. A concurseira Daniele Aguiar, de 32 anos, que faz concursos há dois anos, é um exemplo de concurseiro que realiza uma forma de estudo que a instrutora emocional Morgana desmistifica. “Estudo oito horas por dia, de segunda a domingo. E frequento cursinhos pré-concursos, além de treinar em questões de provas antigas”, conta Daniele. Segundo a instrutora emocional, estudar por pouco tempo pode trazer o mesmo resultado de quem estuda por muitas horas. Ela diz ainda que o correto é estudar com foco total. E que estudar por muito tempo não é certeza de maior aprendizado e pode afetar sua inteligência emocional por decorrência de outras reações corporais - como estresse, cansaço, nervosismo, ansiedade.

Trabalhar a inteligência emocional é necessário antes, durante e depois do concurso. Antes, por ajudar na preparação e garantir uma aprendizagem de qualidade. Durante, por proporcionar tranquilidade, controle e equilíbrio no dia da prova. E depois, porque o concursado iniciará uma nova etapa e necessitará progredir no novo ambiente de trabalho e se sentir realizado. (Especial para o Jornal da Paraíba)

Coach atua para melhorar habilidade

De acordo com a psicóloga e instrutora emocional Morgana Andrade, a inteligência emocional é formada desde que o indivíduo nasce, através de crenças e influências dos meios em que vive - casa, escola, trabalho, amizades -, e essa vai sendo moldada ao longo da vida. Contudo, para aperfeiçoar a habilidade, existem treinamentos e técnicas e até profissionais e empresas especializados no acompanhamento direcionado para concurseiros, os chamados coach e coaching pré-concursos, respectivamente.

“O concurseiro precisa querer se preparar e tem que acreditar que o emocional vai influenciar no resultado final”. É com essa premissa que os alunos chegam para a preparação emocional para os concursos, relata Morgana Andrade. A instrutora emocional ainda acrescenta que a aprovação “depende de uma dose de inteligência cognitiva e duas de inteligência emocional”.

Ela acredita que a fómula do sucesso em um concurso alia atividade física, inteligências emocional e cognitiva. Segundo Morgana Andrade, o processo de coaching emocional ajuda a identificar falhas emocionais do concurseiro e a trabalhar estratégias para alcançar metas e objetivos. Atividades para controle de ansiedade, estresse e nervosismo são os destaques do processo de aperfeiçoar a inteligência das emoções.

O processo de coaching emocional para concurseiros, segundo a especialista, se estende por três meses, com um encontro semanal, que dura entre duas e três horas.

O coach e os concurseiros podem interagir diariamente por telefone ou aplicativos de mensagem. Nos contatos, os profissionais dão dicas e incentivos para trabalhar o emocional do concurseiro. Cada encontro possui um tema central. Após a sessão, os alunos levam atividades e retornam no próximo encontro com o resultado.

Cinco dicas para trabalhar sua inteligência emocional para concursos

Atividades físicas regulares: Tudo deve estar em harmonia. Seu corpo é uma combinação entre racional, emocional e físico;

Treinar em provas antigas: Faça isso no mesmo horário da prova que irá realizar. Pois seu cérebro se adaptará ao horário e ativará neurotransmissores ligados à memória devido aos exercícios anteriores;

Não beba depois de um dia de estudo: O cérebro precisa de repouso, recomenda-se dormir, para reter as informações aprendidas. A bebida “apaga” o que você aprendeu ao longo do dia;

Evite estimulantes químicos: A longo prazo eles dificultam a retenção de informações na memória;

Seja otimista: Você precisa ter autoconfiança, autocontrole e metas concretas. Isso ajudará no seu emocional durante a preparação e na prova.

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Jornal da Paraíba

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