Exames físicos geram polêmica

Rigor nos testes físicos é questionado por candidatos; educadores físicos e médicos alertam para que os limites de cada um seja respeitado.

Na semana passada, após a morte de um policial rodoviário federal durante um treinamento, a discussão sobre os possíveis abusos em treinamentos e etapas de concursos públicos voltou a ser polêmica. Apesar de não haver dados oficiais sobre mortes nessas situações, o alerta é reforçado por profissionais de educação física e médicos. Em nenhuma hipótese, os limites do corpo devem ser desrespeitados.

Porém, o que muitos candidatos reclamam é que há abuso por parte dos organizadores dos testes físicos. Um dos exemplos é o de Tatiana Farias, 26 anos, aluna do curso de formação de oficial do Corpo de Bombeiros. Desde criança, ela sempre sonhou em atuar salvando vidas. Cresceu admirando o trabalho dos bombeiros e decidiu que um dia faria parte da corporação. O que Tatiana não imaginava era que o seu grande objetivo ia trazer tanto sofrimento.

Quem contou o drama de Tatiana ao JORNAL DA PARAÍBA foi o marido dela, Alexandre Henrique, que acompanhou a situação bem de perto. Logo que iniciou o curso de formação em 2010, Tatiana se lesionou em uma das avaliações físicas e foi socorrida pela coordenação do curso para o Hospital de Emergência e Trauma, em João Pessoa. “Os médicos, então, fizeram uma avaliação e concluíram que ela teve uma crise pela exaustão do treinamento”, frisou.

Além dos medicamentos, os médicos recomendaram sete dias de repouso. “Mas quando Tatiana voltou ao centro, o atestado foi desprezado e o treinamento intensificado”, declarou Alexandre. O resultado do esforço foi uma lesão no nervo ciático e uma hérnia de disco, causados pelo esforço repetitivo. “Mesmo assim ela não foi dispensada dos treinos, o que agravou o problema”, disse o marido de Tatiana, que precisou fazer tratamento em São Paulo. Ela só recebeu autorização de se afastar após se internar várias vezes.

A família de Tatiana processou o Estado, mas nunca recebeu ajuda financeira. “Todo o tratamento é feito com recursos próprios, mas o problema é que temos limitações financeiras, o que acaba interferindo no tratamento”, disse. Tatiana passou meses sem andar. Atualmente, consegue dar alguns passos curtos sem ajuda de outras pessoas. “O sonho de Tatiana se transformou em pesadelo, cujas sequelas existem até hoje”, lamentou o marido. O processo ainda tramita na Justiça, sem previsão de julgamento.