VAMOS TRABALHAR
Foco e dedicação para começar o ano empregado
Setor de serviços, na área de hotelaria e restaurantes, é o que tem apresentado a maior oferta de vagas de emprego em João Pessoa.
Publicado em 12/01/2014 às 6:00 | Atualizado em 20/06/2023 às 11:41
Uma das metas que muita gente estabelece a cada ano novo é conseguir um emprego. Alguns aproveitam oportunidades que surgem nos meses que antecedem as festas de final de ano e outros continuam a busca por uma colocação para iniciar o ano trabalhando. Mas, para entrar no mercado de trabalho é preciso ter foco e ficar atento às áreas que estão com vagas disponíveis.
Aos 18 anos, Carolayne Chaves saiu recentemente de um programa de estágio e já está a procura de uma nova chance no mercado para começar o ano empregada. A garota trabalhou como assistente de Departamento Pessoal em uma indústria da capital durante nove meses. Na semana passada, participou de uma seleção para operador de telemarketing, realizada no Sistema Nacional de Empregos de João Pessoa (Sine-JP).
“Consegui esse primeiro emprego através de um curso que eu fazia no Senai, que tem muitos cursos direcionados à indústria.
Mas, já fiz cursos de informática, inglês, desenho e na área de publicidade. Você tendo experiência e cursos já é uma boa chance de conseguir outro emprego. Com a experiência que tive, se eu conseguir trabalhar de novo na mesma área já sei como será a função”, disse a jovem.
Na capital, o setor de serviços, na área de hotelaria e restaurantes, é o que tem apresentado a maior oferta de vagas.
Há oportunidades para garçom, garçonete, recepcionista, cozinheiros e auxiliares. Muitas até não exigem experiência dos candidatos. “A carência de trabalhadores nesse setor é tão grande que há empresas que não pedem experiência e elas mesmas capacitam os candidatos”, informou uma das responsáveis pelo setor de Captação de Vagas do Sine Estadual, Jocelma Ferreira.
De acordo com a representante do Sine, o período de novembro até janeiro é o mais aquecido para vagas de emprego no setor de serviços, incluindo área de comércio. Entre fevereiro e março, as oportunidades são maiores na área de educação, para os cargos de professor e atividades administrativas. Ainda durante esse período, os Recursos Humanos das fábricas e indústrias instaladas na cidade começam o recrutamento de novos trabalhadores. A Construção Civil no Estado acompanha o desenvolvimento do restante do país e oferece oportunidades o ano inteiro, desde o nível fundamental até o ensino superior, segundo informou Jocelma Ferreira.
“Sempre tem vagas para todos os níveis de escolaridade, basta o candidato escolher a área de acordo com o seu perfil. Assim que o candidato passa pelo nosso atendimento, a gente já monta o currículo e orienta a pessoa”, disse a representante do Sine, acrescentando ainda que há chances também para quem procura o primeiro emprego, por meio do programa “Jovem Aprendiz”, principalmente para áreas administrativas das empresas e também no transporte público.
BARES E RESTAURANTES AINDA OFERECEM OPORTUNIDADES
A falta de mão de obra no setor de serviços apontada pela representante do Sine estadual é confirmada pelos empresários que mantém negócios na área, sobretudo restaurantes. Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Paraíba (Abrasel-PB), Marcos Mozinni, a escassez de trabalhadores nesse setor registrada no Estado é o mesmo quadro que ocorre na maioria dos estados brasileiros.
“Os restaurantes precisam reforçar suas equipes para a alta estação, mas têm dificuldades em encontrar mão de obra.
Estamos vivendo um verdadeiro 'apagão' de trabalhadores. A gente está sufocado e sofrendo muito com essa carência, que, até certo ponto, pode deixar carente o atendimento”, lamentou Mozinni.
O representante da Abrasel-PB informou ainda que nem sempre os candidatos que se propõem aos cargos possuem qualificação e defende ainda uma mudança na legislação trabalhista. Durante o verão o fluxo de turistas no Estado, sobretudo na região litorânea, é maior e aumenta a demanda nos bares, restaurantes e cadeia hoteleira. Para Marcos Mozinni, a contratação de trabalhadores em regime intermitente amenizaria o problema da falta de mão de obra no setor.
“As leis trabalhistas do nosso país estão muito antigas e baseadas na necessidade da indústria e não no setor de serviços. Por isso, a gente não tem como contratar um funcionário para trabalhar aos sábados e domingos ou em alguns dias da semana. Temos que contratar por mês. Essa legislação precisa evoluir e o governo precisa oferecer mais condições para que as pessoas se qualifiquem”, disse.
É PRECISO ESTAR ADEQUADO À VAGA
Para aproveitar as chances disponíveis no mercado é necessário qualificação e procurar vagas conforme a preparação e atuação profissional do candidato. Essas são as principais orientações da coordenadora do Sistema Nacional de Empregos (Sine) municipal de João Pessoa, Ludmila Carvalho.
Segundo ela, ao procurar o Sine para fazer seleção e recrutamento de trabalhadores, as empresas já adiantam qual o perfil dos candidatos que elas querem para preencher a vaga.
Mas, muitas pessoas pleiteiam o cargo sem obedecer os pré-requisitos exigidos pelos empregadores. “Ao fazer o cadastro no Sine ou procurar vagas, o candidato tem que saber o que ele quer. Às vezes, o candidato tem experiência em mais de uma função, em diferentes áreas, mas ele deve ser objetivo na escolha, considerando também o tempo da experiência e qualificação para o cargo”, alertou.
Jarbas da Rocha tem 22 anos e está trabalhando como vendedor em uma das lojas da Casa Pio, na capital. Assim como ele, outras 15 pessoas estão no mesmo estabelecimento em trabalho temporário. Com experiência na área, o rapaz está confiante e espera ser um dos efetivados na empresa. “Meu contrato era de um mês e já foi renovado. Espero que eu continue e como efetivo. Como eu já tinha trabalhado com vendas e também em uma loja de calçados, minha experiência ajudou bastante no desempenho aqui”, disse.
Ter experiência na função é mesmo meio caminho andado para a conquista da vaga no mercado. Mas, investir em qualificação e manter-se atualizado na área escolhida também conta pontos a mais na escolha do candidato, conforme explica Ludmila Carvalho.
“Tem muita gente que procura vagas e só tem o ensino fundamental. Nesse caso, a gente orienta o candidato a continuar os estudos ou fazer cursos profissionalizantes. A gente ainda dá dicas para eles preparem um bom currículo e colocar somente cursos de maior carga horária, como os realizados a partir de 40 horas”, lembra.

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