COTIDIANO
MP oferece nova denúncia contra delegado e agentes da polícia presos, em João Pessoa
Delegado Braz Morroni e agentes da Polícia Civil, Everton Aires e Eduardo Jorge, já haviam sido denunciados pelo MP por esquema de desvio de drogas.
Publicado em 03/08/2026 às 17:09 | Atualizado em 03/08/2026 às 18:25

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ofereceu uma nova denúncia contra o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil, Everton Aires e Eduardo Jorge, presos por um esquema de desvio de drogas, por crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. A denúncia é desta segunda-feira (3).
De acordo com o MPPB, essa é a terceira denúncia pelas condutas dos suspeitos investigados. Conforme o órgão, as denúncias anteriores foram por desvios de drogas e estão atreladas à invasão de residências, separadamente.
No novo procedimento, o Ministério Público denunciou outros suspeitos de fazerem parte do esquema. Veja abaixo.
- José Alexandrino de Lira Júnior (vulgo “Júnior Lira”, “JL” ou “Professor”);
- João WIcttor Alves de Lima (vulgo “Vitor”);
- Brendo Roberth Fernandes Sobral (vulgo "Breno");
- Paulo Ricardo Barbosa de Souza (vulgo “Galinha”).
A Rede Paraíba entrou em contato com as defesas de Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Os demais citados não foram localizados.
Na nova denúncia, o MP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado da Paraíba (Gaeco-PB), pede a condenação dos suspeitos pelos crimes, além de requerer a perda definitiva de dos cargos na Polícia Civil.
O órgão também solicita um pagamento mínimo de R$ 1.000.000,00 por danos morais a ser pago pelos denunciados. O MP argumenta que o objetivo é reparar os danos à moralidade administrativa, à segurança pública e à ordem social.
Também foi requerido o confisco de bens dos denunciados, como todos os veículos, ativos financeiros e outros bens apreendidos ou bloqueados durante a operação, com o intuito de desmantelar o patrimônio ilícito da organização.
Outra denúncia
Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os três devem responder por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. O documento afirma que esta é a primeira denúncia da Operação Perfidus e trata apenas dos fatos relacionados ao suposto desvio de drogas durante uma ação realizada em outubro de 2025.
De acordo com o Ministério Público, os investigados recebiam informações sobre locais usados para armazenar drogas, realizavam incursões nos imóveis para desviar os entorpecentes e, em seguida, registravam oficialmente apenas uma pequena parte do material apreendido.
Para sustentar a acusação, o MPPB informa que reuniu provas obtidas por análise de celulares, dados de geolocalização da viatura utilizada na ação, quebra de sigilos telemático, bancário e fiscal, monitoramento dos investigados, além de documentos e depoimentos.
As investigações
A operação investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.
O delegado Braz Morroni atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Com mais de 20 anos de carreira, o delegado já passou por outras delegacias, como a de Repressão a Entorpecentes.
Segundo as investigações, a organização criminosa contaria com a participação de agentes públicos que utilizavam a estrutura do Estado para favorecer atividades criminosas. O nome da operação, Perfídus, significa "traição" ou "deslealdade" e faz referência à conduta atribuída aos investigados.

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