Campina Grande chega aos 162 anos, comemorados neste domingo (11), com uma expansão urbana que já pode ser medida em números. Nos últimos anos, a cidade abriu novas ruas, teve aumento na aprovação de construções e registrou a criação de loteamentos, condomínios e novos endereços.
Os dados da Diretoria de Normas e Regulamentações (DNR), da Secretaria de Obras (Secob), e da Secretaria de Planejamento (Seplan) ajudam a dimensionar como esse processo modificou a ocupação do município.
Um dos principais indicadores é o número de alvarás de construção. Entre 2021 e 2025, a quantidade mais que triplicou, passando de 539 para 1.729 documentos emitidos. O crescimento foi de aproximadamente 221% no período.
Depois do número registrado em 2021, quando o sistema 1Doc passou a ser utilizado pela DNR a partir de julho, foram emitidos 1.000 alvarás em 2022, 1.348 em 2023, 1.472 em 2024 e 1.729 em 2025. Em 2026, até setembro, foram 850.
A movimentação também aparece no volume geral de processos que chegaram à DNR. Em 2021, foram 2.463 processos protocolados. O número subiu para 3.903 em 2022, 4.227 em 2023 e 5.002 em 2024. Em 2025, houve um salto para 8.576 protocolos, o maior número da série. Até setembro de 2026, foram 4.547.
A DNR contabilizou 16.180 processos aprovados entre 2021 e setembro de 2026. O total de protocolos inclui processos aprovados e também aqueles que foram devolvidos.
Zona Oeste concentra expansão

A expansão não ocorre de maneira uniforme pela cidade. Segundo a diretora da DNR, Maria Aline, a Zona Oeste se consolidou como principal área de crescimento urbano nos últimos cinco anos, especialmente nos bairros Três Irmãs, Serrotão e Malvinas.
“A Zona Oeste consolidou-se nos últimos cinco anos como o principal vetor de crescimento da cidade. Os bairros que concentram a maior expansão urbana hoje são: Três Irmãs; Serrotão e Malvinas”, explica Maria Aline.
O entorno de Três Irmãs é apontado pela diretora como a área que apresentou a transformação mais intensa.
“A região do entorno do bairro Três Irmãs é a que apresentou um fenômeno de explosão imobiliária de maior impacto, concentrando uma grande parcela das novas ruas oficializadas e dos metros quadrados construídos na cidade. Essa descentralização levou a um rápido adensamento urbano em áreas periféricas que antes eram pouco habitadas”, comentou.
Entre 2021 e 2025, 185 novas ruas e logradouros foram oficializados em Campina Grande, segundo a Seplan. A criação de novos endereços acompanha a ocupação de áreas que passaram a receber novos empreendimentos e moradias.
O movimento também é percebido na abertura e reorganização de terrenos. Entre 2021 e 2026, foram registradas 1.549 ações de fusão e desdobro, além de 15 loteamentos e 16 condomínios de lotes. Ao todo, foram 1.580 ações.
O maior volume foi registrado em 2025, com 398 ações. Naquele ano, foram 389 fusões e desdobros, sete loteamentos e dois condomínios de lotes.
Construção ainda avança na horizontal

Apesar do aumento das construções e do processo de adensamento de algumas regiões, o modelo predominante de expansão ainda é horizontal, segundo a DNR. Loteamentos e residenciais de pequeno porte são os principais responsáveis pela ocupação de novas áreas.
“O crescimento predominantemente horizontal, composto por loteamentos e residenciais horizontais de pequeno porte. No entanto, a cidade vive um momento de transição importante: diante do fato de que a expansão horizontal começa a atingir os limites geográficos do município, o Novo Plano Diretor passou a priorizar e incentivar o crescimento vertical e o adensamento populacional na área central e em bairros consolidados”, comenta Maria Aline.
A mudança de perfil é uma das consequências do avanço da ocupação para áreas periféricas. Com a expansão horizontal chegando a limites geográficos do município, o planejamento urbano passa a considerar uma maior concentração de moradores em regiões já consolidadas.
Mais habite-se e regularização de imóveis
O avanço da construção também aumentou a demanda por documentos relacionados à conclusão e regularização dos imóveis. Em 2021, foram emitidos 344 habite-se pela DNR. O número chegou a 977 em 2022 e alcançou 1.069 em 2023. Depois, foram 999 em 2024 e 998 em 2025. Até setembro de 2026, foram 700.
Os processos de legalização de imóveis também oscilaram ao longo do período, mas tiveram o maior número em 2025. Foram 21 processos em 2021, 205 em 2022, 78 em 2023, 125 em 2024 e 316 em 2025. Até setembro de 2026, eram 126.
Segundo Maria Aline, o aumento está relacionado às próprias exigências do mercado imobiliário.
“Houve um aumento expressivo na procura e na concessão de regularizações imobiliárias e emissões de habite-se nos últimos anos”, disse a diretora.
Sobre as razões para esse movimento, a diretora afirma:
“As exigências do mercado imobiliário, e o aquecimento do setor da construção civil gerou a necessidade de conformidade legal para repasses, vendas e financiamentos bancários. Principalmente após a reforma tributária”, afirmou.
Para a DNR, outro fator que contribuiu para o crescimento da construção foi a política habitacional, com o programa Minha Casa Minha Vida e os benefícios para aquisição do imóvel através dele.
Novos CEPs acompanham crescimento

A expansão territorial também demanda a criação de novos endereços. Segundo a Seplan, 629 novos CEPs foram cadastrados entre 2021 e 2026.
O maior número ocorreu em 2022, com 191 novos CEPs. Em 2023, foram 58; em 2024, 139; em 2025, 185; e, em 2026, 56 até o período considerado.
Em 2021, não houve novos cadastros porque o período foi destinado ao alinhamento com os Correios.
Outro indicador que ajuda a visualizar a transformação da cidade é a emissão de Certidões de Endereço Correto. A contabilização começou em 2024, quando foram emitidas 40. Em 2025, foram 129, aumento de mais de 220% em um ano. Até setembro de 2026, já haviam sido emitidas 51.
Os números, em conjunto, mostram o avanço de uma cidade que passa a ocupar novas áreas, formalizar novos endereços e dividir terrenos para receber empreendimentos.


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